A expansão do crédito

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Autora: Cláudia Amira

 

O mercado de crédito no Brasil cresce a cada dia e hoje representa 33% do PIB nacional e deve atingir 40% em 2008, estimulando o crescimento de 5% da economia. Mesmo com tantos indicadores positivos, conceder crédito de forma assertiva ainda é um desafio às instituições financeiras: bancos não conhecem profundamente o potencial de compra de seus clientes e consumidores possuem dificuldade para obter crédito de forma rápida e acessível.

 

Esta realidade está prestes a mudar após a aprovação do Projeto de Lei 405/07, que oficializará o Cadastro Positivo no Brasil. Como já é realidade em outros países, o Cadastro Positivo permite aos bancos, às financeiras, à indústria e ao comércio realizarem uma avaliação mais precisa do potencial de pagamento de um tomador de crédito, já que o credor terá à disposição um raio X do comportamento financeiro de quem solicita o financiamento e qual será o comprometimento de sua renda.

 

Para as financeiras este será um momento histórico: a importância dos dados positivos comerciais, como a pontualidade de pagamento, será mais importante frente aos dados negativos (cheques sem fundos e pagamentos não efetuados), atualmente utilizados pelas financeiras. A criação de um banco de dados sobre comportamento positivo do consumidor tornará a concessão de crédito mais ágil, transparente e segura, dispensando consultas a inúmeras fontes de informações dispersas. Tal mudança aumentará o volume de empréstimos da economia brasileira, já que hoje o custo de um financiamento ainda é alto.

 

Do lado do consumidor, o Cadastro Positivo vem para beneficiar o bom pagador, que contará com taxas diferenciadas, que hoje no Brasil é a mesma para bons e maus pagadores, em virtude do alto risco embutido na operação de crédito. No ato da solicitação de financiamento, o credor terá como analisar todas as informações – negativas e positivas – dos informes emitidos pelos bureaux. O tomador de crédito não será mais determinado apenas pelas informações negativas, e os dados positivos terão mais peso no ato da análise.

 

A diminuição da assimetria de informações entre o consumidor e o credor será outra mudança significativa, já que atualmente o credor possui pouca informação sobre o cliente em questão, principalmente se este não possui dados negativos. O ciclo de crédito também será mais ágil, desde a prospecção, passando pela concessão até a pré-aprovação do financiamento, graças a filtros de análise mais eficientes. Todo este avanço vai permitir futuramente aos credores conhecerem mais o cliente, estabelecendo limites de crédito diferenciados conforme o perfil financeiro.

 

Porém, todo este avanço dependerá do amadurecimento do mercado nacional, visto que a economia do País sofrerá um aquecimento com uma fatia maior da população efetuando compras, permitindo maior giro comercial e a criação de novos empregos. A tendência é que os empréstimos e as vendas a prazo ocorram de maneira mais inteligente, bem como os consumidores que se encontravam numa “zona cinzenta”, tornem-se como um cliente em potencial para um banco. Porém, uma política de crédito mal definida, ou seja, que não utilize os dados positivos “corretos”, não irá aprovar mais propostas mesmo com o advento do Cadastro Positivo.

 

Em diversos países, como EUA, Argentina, El Salvador, a implantação do Cadastro Positivo provocou um grande avanço na economia local. A Argentina percebeu rapidamente que, quanto mais informação, melhor será a avaliação de risco. O País iniciou a operação em 1994 com 600 mil de registros e hoje possui 21 milhões de informações no banco de dados. Nos EUA, os dados positivos são utilizados para aquisição, cancelamento, investimentos e cobrança. Em El Salvador o beraux foi positivo existe desde 1996, e foi criado entre três empresas de cartão de crédito e dois bancos, possibilitando a formação de um banco de dados com 17,9 milhões de registros fornecidos por bancos, credoras e comércio.

 

Mesmo sem a certeza de qual modelo de bureaux positivo será implantado, o importante é que a lei tenha o quanto antes a sua aprovação, visto que o processo de maturação dura em média dois anos. Desta forma teremos nos próximos cinco uma forma mais justa de contemplar os bons pagadores e fazer com que a lista de consumidores em potencial seja amplamente utilizada por todos os players financeiros do Brasil.

 

Cláudia Amira é gerente de soluções para bancos da Equifax. ([email protected])

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