A liderança moderna se diferencia pelo equilíbrio entre a lógica dos números e a sensibilidade das relações humanas
Autor: Guilherme Carl
A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar parte cotidiana da tomada de decisão nas empresas e da liderança. Mas o desafio que surge agora é menos tecnológico e mais humano: como manter a sensibilidade, a empatia e o senso de propósito em um mundo onde algoritmos ajudam a definir prioridades, metas e até perfis de colaboradores?
Uma pesquisa recente da Pluxee, com mais de 2 mil profissionais em todo o Brasil, revelou que 75% dos trabalhadores veem a IA como uma aliada no trabalho, mas 32% ainda têm receio de que ela substitua o olhar humano em decisões importantes. Ou seja, as pessoas reconhecem o valor da tecnologia, mas esperam que o fator humano continue no centro.
Entre números e pessoas: o novo papel da liderança
Na prática, isso exige um novo tipo de liderança: orientada por dados, mas guiada por pessoas. A IA pode e deve ser usada para apoiar decisões mais rápidas e precisas, reduzir vieses e aumentar a produtividade. Mas a interpretação, o contexto e a ação continuam sendo papéis essencialmente humanos. É o líder quem transforma dados em direcionamento e estatísticas em significado.
Segundo o relatório Deloitte Global Human Capital Trends 2024, as empresas avançaram no uso de dados para apoiar decisões, mas ainda existe uma lacuna importante na forma como eles são aplicados. Embora a maioria das organizações já utilize métricas digitais para monitorar produtividade e desempenho, apenas 37% dos trabalhadores afirmam confiar plenamente que sua empresa usa dados de maneira responsável e transparente. O dado revela um paradoxo: nunca tivemos tanto acesso a informações sobre pessoas e resultados, e, ao mesmo tempo, nunca foi tão desafiador transformá-las em ações genuínas, que realmente inspiram, engajam e fortalecem vínculos.
A tecnologia ajuda a prever, medir e comparar. Mas ela ainda não ensina a conectar. É nesse ponto que a liderança moderna se diferencia: no equilíbrio entre a lógica dos números e a sensibilidade das relações humanas.
Dados inspiram decisões, líderes inspiram pessoas
Em vendas, por exemplo, os dados são aliados poderosos, pois ajudam a antecipar demandas, ajustar estratégias e compreender o comportamento do cliente. Ainda assim, é o líder quem traduz essas análises em propósito e energia. Nenhum algoritmo é capaz de inspirar uma equipe diante de um trimestre desafiador, nem de substituir o impacto de uma conversa honesta, de um reconhecimento sincero ou de uma escuta atenta.
Ser orientado por dados não significa abrir mão da intuição; significa usá-la com mais consciência. Significa compreender que, por trás de cada métrica, há pessoas com motivações, medos e histórias. E que a tecnologia só cumpre seu propósito quando ajuda a fortalecer o potencial humano, não a substituí-lo.
Liderar com base em dados é inevitável. Liderar com empatia é uma escolha. E o equilíbrio entre esses dois mundos definirá o futuro das equipes – e das empresas – que querem continuar relevantes em uma era cada vez mais inteligente, mas que nunca deixará de ser profundamente humana.
Guilherme Carl é diretor executivo de vendas da Pluxee Brasil.





















