A evolução das forças de trabalho híbridas no Brasil

Estudo indica que modelo é visto como um caminho permanente do cenário de empregos por 95% das empresas

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Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half
Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half

A consultoria Robert Half divulgou hoje seu mais novo relatório Demanda por talentos no cenário atual, que apresenta análises sobre as tendências do mercado de trabalho e a ascensão do conceito “trabalhe de qualquer lugar”. A peça central do estudo é uma análise da evolução das forças de trabalho híbridas no Brasil, que agora são vistas como caminho permanente do cenário de empregos pela vasta maioria dos empregadores (95%) entrevistados recentemente pela Robert Half. Os principais benefícios no uso de equipes de trabalho híbridas, de acordo com respondentes C-level, incluem a criação de oportunidades de melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional aos trabalhadores e redução de custos de escritório para as empresas.

Esses sentimentos são ainda mais fundamentados pelo crescimento significativo na quantidade de empresas oferecendo opções de trabalho remoto em comparação ao período anterior à Covid-19: entre abril e dezembro de 2020, 80% das vagas trabalhadas pela Robert Half foram para posições 75% ou 100% remotas e essa tendência deve se manter ao menos pelos próximos seis meses. Em 2019, apenas 5% tinham essa característica.

“As mudanças globais em relação ao trabalho remoto e híbrido, assim como a geração de receita advinda do comércio eletrônico, estão influenciando as prioridades de contratação que a Robert Half observa no Brasil. A adoção de processos operacionais e de planejamento mais orientados por dados, em conjunto com estratégias transformadoras de aceleração do rastreamento de talentos, projetadas para construir forças de trabalhos mais resilientes, flexíveis e ágeis, seguem sendo imperativos para navegarmos rumo ao fim da pandemia”, comenta Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half.

O sentimento dos profissionais em relação às perspectivas de carreira é flutuante entre os trabalhadores entrevistados pela Robert Half em uma sequência de pesquisas globais, com 67% dos respondentes indicando otimismo para 2021. A parcela brasileira de executivos aponta que 73% estão confiantes. Esse sentimento é acompanhado por expectativas salariais e um forte desejo pela manutenção do trabalho remoto, com quase metade dos entrevistados (57%) na expectativa por um aumento de salário em 2021 e a maioria (68%) esperando permanecer trabalhando de casa entre um e três dias na semana.

Em linha com os resultados da recente pesquisa aplicada pela Robert Half US, a realocação também é prioridade para profissionais de diferentes países, com 39% dos colaboradores entrevistados planejando se mudar para outra cidade ou país enquanto trabalham remotamente e 49% desejando experimentar uma jornada “comprimida”, de quatro dias, como forma de aliviar o burnout em 2021. Para os profissionais brasileiros, a melhor saída para aliviar o peso da jornada de trabalho é o modelo flexível (65%).

A Robert Half identificou cinco tendências de contratação com a ascensão do “Work From Everywhere”:

– Quebra dos limites geográficos: À medida que as organizações adotam cada vez mais as vagas de trabalho remoto como primeira opção, elas estão compreendendo o valor do recrutamento para além de suas cidades. Os gestores responsáveis por contratação podem evitar uma enxurrada de currículos e obter acesso direto aos principais candidatos por meio de parceria com uma empresa de recrutamento.

– Oferecer salários e benefícios competitivos segue determinante: Profissionais com as habilidades exigidas pelo mercado sabem das opções que têm e os empregadores precisam compreender que é necessário oferecer salários e benefícios competitivos para reter colaboradores importantes, assim como atrair os melhores talentos.

– Os investimentos estão mudando: As empresas estão canalizando mais investimento em tecnologias que apoiam o suporte ao trabalho remoto e à colaboração contínua, bem como programas e benefícios de saúde e bem-estar aos funcionários.

– Novas habilidades “híbridas” estão surgindo: Os empregadores estão exigindo cada vez mais que os candidatos demonstrem novos conjuntos de habilidades em resposta à pandemia. As competências técnicas devem ser acompanhadas de habilidades comportamentais, abrindo espaço ao que vem sendo chamado de “habilidades híbridas”, com muitas delas sendo sustentadas pelo uso de novas tecnologias.

– Processos efetivos de onboarding e offboarding são essenciais: Enquanto onboardings virtuais já substituíram o processo presencial em muitas organizações, empregadores também precisam repensar como lidam com a saída de funcionários à distância, visto que as políticas de distanciamento continuam em muitos países.

“A força de trabalho “anywhere” chegou definitivamente para ficar. A adoção de uma mentalidade flexível será essencial para organizações e profissionais que queiram prosperar em um ambiente de negócios altamente dinâmico”, conclui Mantovani.