A liderança feminina fazendo diferença

Presidentes do Blue Tree, Cheftime e Ikê debatem a contribuição relevante das mulheres nas transformações em andamento

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Chieko Aoki, Daniella Mello e Marusia Gomez
Chieko Aoki, Daniella Mello e Marusia Gomez

Um mergulho profundo na visão e nos desafios, sob o ângulo feminino, em liderança e empreendedorismo marcou o debate do encontro de hoje (12), na 222ª live da série de entrevistas dos portais ClienteSA e Callcenter.inf.br. Entre os temas desenvolvidos, houve unanimidade, por exemplo, quanto à importância crescente da flexibilidade mental e prática das mulheres, comprovada por dados estatísticos registrados em organizações que melhor souberam lidar com as agruras do período da pandemia. Em um país no qual ainda somente 7,6% das empresas são presididas por elas e onde não mais que 30% delas são encontradas no quadro societário das startups, mas, ironicamente, onde as lideranças femininas vêm demonstrando a capacidade de lidar melhor com as impactantes transformações. Recheado de análises com números e reflexões de cunho até espiritual, o debate contou com Chieko Aoki, presidente do Blue Tree, Daniella Mello, CEO e fundadora do Cheftime, e Marusia Gomez, CEO da Ikê Assistência Brasil.

Depois de lembrarem em uníssono o senso de oportunidade da live na semana que comemorou do Dia Internacional da Mulher, e iniciando o debate sobre esse olhar feminino na gestão de clientes, Chieko destacou a importância de se lembrar da frase atribuída à Madre Tereza de Calcutá: “Não deixe que uma pessoa que se achegue a você vá embora, depois, sem se sentir melhor”. Citando também o livro “Lideranças em Tempos de Incertezas”, de Margaret Wheatley, ela recomendou o papel fundamental que os líderes têm agora de não transmitir sensações e emoções que eles mesmos não gostariam de sentir. E, por outro lado, evitar vender sonhos utópicos. Com essas ponderações, ela assegurou que tem levado aos clientes essa perspectiva de moderação e otimismo em contraposição às agruras da crise. “No nosso setor, principalmente, com ocupações em níveis baixíssimos nos hotéis em período tão prolongado, não escondemos que estamos necessitando de ajuda, divulgação e colaborações, venham de onde vierem.”

Complementando as reflexões, Marusia analisou o quanto o seu tipo de negócio está, nessa linha, cada vez mais voltado para oferecer empatia e entender o momento. “Compreender que, atualmente, todos sentem algum tipo de estresse e trabalhar com o espírito de levar ajuda efetiva. Uma das coisas que percebemos é o quanto cresceu a sensação de angústia provocada por essa inevitável adoção do home office prolongado e, para o qual, ninguém estava preparado.” Ela garantiu que, em sua organização, oferece-se muita ajuda psicológica profissional e, a partir daí, percebeu-se algo relevante: as áreas que se posicionaram melhor foram aquelas em que os líderes atuaram de forma mais empática, entendendo e ajudando o outro. “Por meio do nosso RH, estamos trabalhando no fortalecimento emocional do líder. Isso para que ele possa sempre estender a mão, de forma generosa, a qualquer dos colaboradores e sem qualquer julgamento. Trata-se de um período em que todos temos de nos ajudar, apoiando em forma de consumo nos restaurantes, hotéis e todos os que estejam sendo mais afetados pela crise. Ao mesmo tempo, temos que cuidar para continuar com nossas empresas vivas e rentáveis. Ou seja, focos no ser humano e nos negócios, tudo ao mesmo tempo, lidando com toda essa transformação na gestão com um olhar para o emocional das pessoas.”

Por sua vez, Daniella, fundadora da startup de alimentação adquirida em 2019 pelo GPA, contou um pouco da trajetória inovadora e sua ligação com a visão feminina das atividades. Uma organização que tem a preocupação de valorizar esse ponto, inclusive no recrutamento, construindo uma empresa que tem 54% de seu quadro formado por mulheres, 16 delas compondo um conjunto de 23 líderes. “O que se comprovou uma decisão acertada, pois foi assim que crescemos atuando em um ramo de alta complexidade, envolvendo produção, distribuição dentro do novo mundo do digital. E que nos levou a potencializar a busca de investimentos, conseguindo hoje fazer parte do GPA.” Na sua opinião, as concepções de vida das mulheres permitem visualizar ofertas mais inclusivas no mercado, com maior alcance de inovação em nichos que ficariam escondidos. E destacou uma pesquisa que coloca as organizações com líderes femininas como as que mais partiram para adaptação de estratégias, evitando retração e demissões. “Isso graças ao olhar feminino mais para o indivíduo e que favorece também o viés da centralidade do cliente, que nos levou, em seis anos, a reinventar produtos e serviços – kits gastronômicos diferenciados e bebidas de coquetelaria – incontáveis vezes.”

Dentro dessa linha, a CEO da Ikê acrescentou o dado de uma sondagem dando conta de que somente 7,6% das organizações brasileiras são, atualmente, presididas por mulheres, elogiando a fundadora da Cheftime pela coragem e determinação de ser uma delas. E entende que esses dados só deverão crescer ao longo do tempo, pois a liderança feminina é marcada pela flexibilidade de pensamento e ação. “Faz parte da nossa essência feminina dar conta de várias atribuições ao mesmo tempo.” No que foi apoiada por Aoki, parabenizando também Daniella pela visão empreendedora. E, conhecendo os desafios do setor, elogiou a perseverança da empreendedora rumo à inovação, imaginando o grau de barreiras que foram enfrentadas.

Agradecendo o apoio das companheiras do debate, a CEO da Cheftime lembrou dos entraves que têm de ser superados para o empreendedorismo no Brasil, principalmente para as mulheres. Fato comprovado por levantamentos como um dos que ela compartilhou, que aponta haver somente 30% de mulheres nos quadros societários das startups, sendo tão somente 10% como fundadoras. Além do que, registrou ela com dados de outra pesquisa, 72% das mulheres já sofreram algum tipo de assédio moral no momento de tentar captar investimentos.

Corroborando com essa análise, Chieko relatou haver, em contrapartida, movimentos de grandes corporações incentivando iniciativas que tenham mulheres à frente. Ela atribuiu fazerem parte do que chamou de “movimentos silenciosos”, no sentido de criar redes de ajuda. E, dando uma guinada para aquilo que considera estar no âmbito da espiritualidade dentro da atividade, a presidente do Blue Tree colocou relevo sobre o quanto o desejo de servir faz parte do sucesso do negócio. “Há muitas empresas, com líderes extraordinários, que evoluíram, primeiro se preocupando com a produção do colaborador, depois se voltando para ajudar na parte emocional e agora temos que pensar nisso com muito cuidado. Espiritualidade envolve ricos e pobres, não há diferença, todos são tratados iguais. Entender a dor de quem perdeu tudo na vida, independente de questões religiosas. Esse conceito do espiritual deverá se esparramar pelo mundo, invadindo as empresas, atingindo o coração de todos os que querem despertar para a generosidade.”

O vídeo com o debate na íntegra está disponível em nosso canal no Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 221 lives feitas desde março de 2020. Aproveite para também se inscrever. A série de entrevistas terá sequência na segunda-feira (15), debatendo os temas em torno do Dia do Consumidor, com Diogo Elias, diretor de vendas e marketing da Latam Brasil, Romeu Escolástico, gerente sênior de marca e engajamento do consumidor da Suvinil e Alessandro Cogliatti, diretor de experiência do clientes da SulAmérica; na terça será a vez de Fernanda Hoe, diretora de marketing para América Latina da Elanco; na quarta, Cazou Vilela, Chief Marketing Officer do Zro Bank; e, na quinta, Márcia Martinez, líder do clube giro e gerente de clientes do Grupo JCA.