As nuances dos movimentos disruptivos

Executivos de Yoface e Casai descrevem os estágios que levam à consolidação de ideias inovadoras em mercados tradicionais

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Ivan Cavilha, fundador e CEO da Yoface, e Daniel Hermann, diretor de expansão da Casai
Ivan Cavilha, fundador e CEO da Yoface, e Daniel Hermann, diretor de expansão da Casai

Uma startup de sucesso, com uma bem-sucedida iniciativa que, de forma disruptiva, tira da letargia mercados tradicionais, não nasce apenas de uma visão empreendedora. Quase sempre é fruto da detecção de uma dor que carrega em seu bojo o potencial de oportunidade cujo alcance e viabilização podem ser vislumbradas por meio de pesquisas meticulosas. E, é claro, sabendo aproveitar novas e antigas tecnologias, combinadas ou não. Foi superando esses estágios que despontam a Yoface, ao combinar inteligência artificial com manufatura aditiva para produzir óculos customizados, e a Casai, oferecendo hospedagem premium em apartamentos de terceiros. Ao participarem, hoje (27), da 335ª live da série de entrevistas dos portais ClienteSA e Callcenter.inf.br, Ivan Cavilha, fundador e CEO da Yoface, e Daniel Hermann, diretor de expansão da Casai, puderam detalhar os desdobramentos de um movimento disruptivo que demanda resiliência e profissionalismo para ganhar escala sem se perder no caminho.

Como toda startup, a Casai nasceu para resolver um problema detectado no mercado, iniciou Daniel, ao falar da empresa nascida na cidade do México, em 2019, e que desembarcou no país, mais precisamente em São Paulo, em maio deste ano. A constatação que fez brotar a ideia da proptech foi a constatação da insurgência constante de más experiências em hospedagens dentro do modelo Airbnb. Os fundadores, então, perceberam a oportunidade de oferecer algo diferente dentro desse mercado de “flexible rental”, ou aluguéis temporários. “A decisão foi criar uma marca conhecida não apenas por disponibilizar um apartamento, mas com foco na experiência premium do hóspede como se estivesse em um hotel de alto nível. Ou seja, oferecer apartamentos de múltiplas alternativas de tamanhos e modelos, nos melhores bairros, com infraestrutura e conforto como se ele estivesse mesmo em sua própria casa.” Segundo o executivo, o acerto da ideia se confirma ao se perceber que, mesmo nascida às vésperas da pandemia e sofrendo os impactos da crise, a startup já conta com 700 unidades à disposição, nas cidades do México, São Paulo, Rio de Janeiro e em alguns localidades do Caribe, devendo fechar o ano com mil espaços em disponibilidade.

Esse sucesso, assegura o diretor, se explica pela sustentação da empresa em três pilares. Primeiro, o foco no hóspede, o qual já desfruta de uma experiência surpreendente desde o momento de escolha do local a ser alugado, pois a Casai disponibiliza um leque grande de canais para a concretização desse desejo. É possível, segundo ele, realizar a contratação, o check-in e ocupar o local sem qualquer contato humano. Uma vez acomodado, em um espaço bem decorado e com elementos de receptividade como num hotel, o cliente tem a possibilidade de se conectar full time com concierges e pessoas da equipe da Casai para atender aos seus pedidos por meio de parceiros da empresa na região. A tecnologia é o segundo alicerce que sustenta a experiência, pois não só dota o apartamento com recursos de comunicação, como monitora remotamente os eventuais problemas surgidos na rede de internet, nos hardwares, etc. O terceiro pilar é a estratégia de oferecer unidades de hospedagem pertencentes à parceiros, aos quais a Casai procura oferecer uma boa rentabilidade. “Dessa forma, o segredo da nossa startup é juntar o melhor desses dois mundos, encantando nossos dois tipos de clientes: os hóspedes e os proprietários dos imóveis.”

Por sua vez, conhecendo com profundidade o segmento óptico, no qual desenvolveu sua carreira fomentando marcas – num mercado que conta com cerca de 25 mil óticas e faturamento perto de R$ 2 bilhões no país -, Ivan considera que se trata de um potencial significativo que se ressentia da presença de novas ideias. “Sem falar nas metodologias produtivas de óculos que impactam negativamente o meio ambiente e com grande índice de desperdícios, seja por produtos que se tornam obsoletos por questões de moda ou em virtude de indicações médicas que aposentam óculos em série.” Dessa forma, um dos fatores que fez surgir a ideia da Yoface foi também a questão ambiental e que se tornou possível com o desenvolvimento da manufatura aditiva, também conhecida impressão em 3D.

A matéria-prima dos óculos é o polipropileno e a produção é feita sob demanda e sob medida, dispensando grandes estoques do produto final. Isso é possível, segundo o executivo, graças à parceria com o Sinai Cimatec, no centro de inovação localizado em Camaçari, na Bahia, produção que vai se inaugurar a partir do próximo mês atendendo todo o país. Por meio de inteligência artificial, é feito o escaneamento do rosto do cliente (cuja privacidade será resguardada, nos moldes da LGPD), o que possibilitará a experimentação virtual dos óculos de forma customizada. E a impressão 3D confere leveza, flexibilidade e durabilidade ao produto, que pode pesar em torno de não mais que 25 gramas. Essa manufatura aditiva possibilita, hoje, a produção de 80 óculos customizados ao mesmo tempo. Trata-se, para o executivo, na feliz e inédita ideia de juntar IA com 3D para disrupção em um mercado tradicional.

Na opinião dos dois entrevistados, o movimento disruptivo aflora quando há visão empreendedora, somada à detecção de uma dor a ser eliminada junto ao público consumidor, seguidas de pesquisas profissionais para confirmar ou não a potencialidade da ideia. Para o fundador da Yoface, no entanto, joga papel fundamental, dentro do caráter de empreendedorismo, a resiliência diante dos obstáculos iniciais que a novidade fatalmente enfrentará. Enquanto para o diretor da Casai Brasil, no mesmo nível de importância se inserem sondagens muito bem realizadas para medir o potencial da ideia e se contará com investidores que viabilizarão sua alavancagem no mercado. A partir daí, concordam ambos, é questão de testar e aplicar até a consolidação do empreendimento e ganhar escala. E puderam debater sobre esse caminho de amadurecimento, aprendendo a colher a percepção e os feedbaks dos consumidores para um aprimoramento contínuo.

O vídeo com o bate-papo na íntegra está disponível em nosso canal no Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 334 lives realizadas desde março de 2020. Aproveite para também para se inscrever. A série de entrevistas retornará, na segunda-feira (30), com Marina Fernie, vice-presidente de marketing da Danone, falando sobre o futuro dos PDVs com o shopper no centro das decisões. A semana segue com Mariana Roth, líder de Prime e experiência de entrega da Amazon Brasil, Karina Meyer, diretora de marketing da The Body Shop para LATAM, Daniel Tiraboschi, diretor da Unidade de Negócio Cabelos da Flora (Neutrox, OX, Kolene e Karina), e um Sextou sobre open banking com Flávio Guimarães, vice-presidente do Banco Bmg, Paulo Mendes, diretor-executivo de serviços financeiros da Riachuelo e Midway, e Rafael Dan Schur, líder do segmento de mercado de serviços financeiros da EY.