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Como obter sucesso nos negócios em meio às diferenças culturais

Rafaela Scrivano, advogada e Legal and Compliance General Director na Verisure Brasil

Estratégias culturais focadas nas necessidades dos clientes são responsáveis pelo fortalecimento sustentável dos negócios

 Autora: Rafaela Scrivano  

Há uma frase que diz “Brasil: celeiro do mundo”. Nela, o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, definia nosso país como o principal exportador de recursos naturais do mundo. Desde aquela época, o Brasil sempre foi a ‘menina dos olhos’ dos grandes empresários. Aqui, neste texto, gostaria de ir um pouco além desta informação.  

Nosso país é hoje muito mais do que apenas um exportador de produtos naturais, são mais de 212 milhões de brasileiros que fazem dele um dos mais miscigenados e diferentes em questão de cultura. Isso porque, além da colonização portuguesa, recebemos aqui refugiados de diferentes países da Europa, do continente Africano, da Ásia. Ou seja, somos o berço de diversas culturas. O resultado disso é que, por este motivo, somos um povo repleto de pequenos outros dispostos por cinco grandes regiões deste imenso território de dimensões continentais. Com a globalização, esta característica única do brasileiro, que abraça raças diferentes, acaba transformando nosso Brasil em pequenos outros “países” de Norte a Sul. 

Como todas as circunstâncias existem pontos positivos e negativos, no caso da formação do povo brasileiro não seria diferente. Por exemplo, um empreendedor que deseja exportar ou abrir uma filial no Brasil ou em outro país precisa conhecer profundamente a cultura daquele povo, estudar suas leis, a política local, os trâmites comerciais, realizar treinamentos, estudar a língua nativa e seus costumes. Isso porque comportamentos naturais e corriqueiros em uma região podem ser ofensivos em outras.

Muitas empresas no auge da pandemia viram seus negócios desmoronarem, porque o imponderável agiu e transformou o cenário mundial. As empresas que estavam mais bem preparadas, respaldadas por estratégias estruturadas, com robustas reservas de capital conseguiram sobreviver, reestruturando seus negócios para driblar o imprevisível. Ocorreram diversas fusões, aquisições, o comércio eletrônico deslanchou e as empresas se reinventaram. A diferença de cultura faz isso, permite o desenvolvimento de diversas visões, maneiras de agir complementares que ajudam a encontrar a saída em situações adversas.

O enfrentamento de tais situações se fortalece quando em um ambiente empresarial o grupo respeita as diferenças. Nesse contexto, haverá redução de conflitos e um maior engajamento entre os colaboradores.

Segundo uma pesquisa da Harvard Business, os conflitos são reduzidos em até 50% em relação às organizações que não investem em diversidade. Além disso, a sensação de acolhimento faz reduzir o turnover nas companhias.

Ao se valorizar as diferenças, consequentemente, o clima organizacional melhora, os colaboradores ficam mais criativos e mais livres para exporem seus potenciais inovadores. Dessa forma, os resultados e os lucros da empresa também melhoram significativamente. A mesma pesquisa constatou que nos locais onde há respeito pela diversidade, 17% dos profissionais se dispõem a ir além de suas responsabilidades.

As organizações que investem em uma equipe multidisciplinar, principalmente em um país onde há uma diversidade de raças, etnias e religiões estão cumprindo seu papel social. Hoje, há muitas pessoas que segregam as empresas que não cumprem sua responsabilidade socioambiental, boicotando, inclusive, o consumo de produtos de determinada marca.

Há vários exemplos no mercado em que empresas de B2C foram penalizadas pelos clientes por descumprirem regras e infringirem outras: trabalho escravo ou infantil, uso de animais em testes clínicos, tratamento inadequado em relação a alimentos de origem animal (sistema de armazenamento e/ou abate cruel).

A troca de culturas tem dois vieses: a oportunidade de acesso ao novo e, também, o receio da perda da identidade ou do desrespeito. Por isso a importância de se respeitar os costumes de povos diferentes. Talvez venha daí sua alta capacidade de adaptação, de acolhimento, de ter entre os seus, pessoas tão díspares. 

Embora ainda novo, este movimento de internacionalização de empresas brasileiras vem se mostrando uma ótima oportunidade de garantir espaço e se tornar mais competitivo no mercado interno e externo, recebendo empresas internacionais e se apresentando ao mercado externo de igual para igual, com o mesmo nível de qualidade, inovação e empreendedorismo.

Influência da cultura no planejamento estratégico

Não se pode deixar de lado a problemática relacionada ao comportamento das organizações que ingressam no novo contexto. A necessidade de planejamento estratégico muito bem desenhado e a elaboração de planos de atuação e de processos para a obtenção das metas em vendas, visibilidade e confiabilidade na marca são fundamentais.

Durante o processo que antecede a entrada da empresa no mercado nacional serão necessários esforços redobrados em planos de marketing para entender as necessidades da companhia e dos consumidores neste novo ambiente.

Nesse estudo preliminar são definidos e estruturados os parâmetros para o alcance dos objetivos e da expansão do negócio, inclusive com a intenção de aumentar a capilaridade para outras regiões do país.

O fundamental é se ter respeito e atenção às peculiaridades das culturas estrangeiras, premissa que deve nortear profissionais antes mesmo de iniciarem o planejamento de marketing internacional. Por ser um fator predominantemente influenciador do comportamento do consumidor no que tange à aquisição de determinado produto ou serviço, a cultura deve ser priorizada nos estudos de marketing.

O que não se pode perder de vista é que se torna necessário adequar o negócio a cada particularidade daquele ambiente e cenário e obter a aprovação dos consumidores. E ter em mente que as estratégias culturais focadas nas necessidades dos clientes são responsáveis pelo fortalecimento sustentável dos negócios, levando em consideração o lado humano e os mercados singulares.

Rafaela Scrivano é advogada e Legal and Compliance General Manager na Verisure Brasil.

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