Consumidores estão mais exigentes quanto à sustentabilidade

Clientes agora procuram produtos que tenham um impacto significativamente positivo no planeta

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Deni Sheridan, diretora de consumer insights and data da Kerry LATAM
Deni Sheridan, diretora de consumer insights and data da Kerry LATAM

A Kerry lançou uma nova pesquisa global sobre as expectativas dos consumidores em relação à sustentabilidade e revela: estão evoluindo rapidamente, com um número crescente de demandas por mais benefícios sustentáveis em seus alimentos e bebidas. A sondagem Sustainability in Motion entrevistou mais de 14.000 consumidores, em 18 países, sendo 4.788 deles latino-americanos do Brasil, México, Colômbia, Argentina e Guatemala.

Uma das conclusões do levantamento é a de que 49% dos consumidores estão, agora, considerando o fator sustentabilidade ao comprar alimentos e bebidas. E que a compreensão do consumidor sobre a questão está evoluindo de responsabilidade ambiental e social para incluir bem-estar e nutrição sustentáveis. Na América Latina, 75% dos consumidores são influenciados por esse conceito ao comprar alimentos e bebidas em uma loja e, 72% em um restaurante. Isso significa que associações típicas com sustentabilidade, como embalagens sustentáveis, preservação do meio ambiente e ajuda comunitária são agora consideradas como padrão para muitas pessoas. 

Os consumidores, particularmente aqueles situados nos mercados mais amadurecidos em relação à sustentabilidade, como o Brasil, estão considerando o tema como algo que os afeta diretamente. E incluem fatores tais como a redução de resíduos alimentares, saúde pessoal e nutrição e alegações de rótulos limpos, tais como “de origem local”, “sem ingredientes artificiais” e “orgânicos”. Na América Latina, o interesse é maior do que em outras regiões, com 75% dos consumidores dizendo que esses atributos de sustentabilidade têm uma forte influência em suas decisões de compra. De acordo com a pesquisa, também, 84% dos entrevistados acreditam ser importante que cada pessoa contribua para a sustentabilidade. No entanto, a maior barreira para essa adesão continua a ser a falta de compreensão dos consumidores sobre seu impacto pessoal no planeta. Embora três em cada quatro esperem que as empresas invistam em sustentabilidade.

Comentando os resultados do estudo, Soumya Nair, diretora de insights da Kerry afirmou que, para ela, alguns resultados realmente surpreenderam, ao posicionarem a sustentabilidade como um fator obrigatório e não um diferencial entre os consumidores. “É interessante ver a ascensão de associações intrínsecas de sustentabilidade não só em mercados mais maduros como o Reino Unido, Benelux e França, mas em todos os países. Estes consumidores com uma visão sobre o tema procuram ativamente produtos alimentares e bebidas que tenham um impacto significativamente positivo no planeta, bem como na sua saúde e bem-estar pessoal, procurando produtos com rótulos limpos e ingredientes de origem local. Além disso, as diferentes expectativas em relação à demografia dos consumidores mostram como eles esperam que as empresas vão além de questões como embalagens sustentáveis, emissões de carbono e conservação da água. Estas conclusões têm grandes implicações para a indústria de alimentos e bebidas, uma vez que nos encontramos claramente num momento significativo e crítico no que diz respeito à nutrição sustentável. Ao ajudar os consumidores a acessar produtos mais sustentáveis, podemos ajudá-los a se alimentar de forma mais saudável, com menos desperdício e, como resultado, melhorar as comunidades locais”.

Por sua vez,  Deni Sheridan, diretora de consumer insights and data da Kerry LATAM,  “a pesquisa nos dá uma imagem clara da transformação dos consumidores em direção a um estilo de vida mais sustentável. É impressionante ver como, apesar de um ano tão controverso, os consumidores continuam a priorizar atributos de sustentabilidade em suas decisões de compra de alimentos e bebidas. No entanto, é crucial compreender a percepção do consumidor latino-americanos sobre a sustentabilidade. Enquanto vemos como eles associam questões como saúde e nutrição à sustentabilidade e procuram produtos que satisfaçam suas expectativas, uma das maiores barreiras para se tornar mais sustentável é a falta de confiança nas marcas e o apoio da indústria alimentícia. É importante entender, como indústria de alimentos e bebidas, quais são os atributos prioritários para os consumidores e como alcançá-los para apoiá-los em sua jornada de sustentabilidade”.

Na pesquisa se destacaram quatro tipos de consumidores-chave, com base em seu entendimento e nível de adoção da sustentabilidade. Estes quatro tipos de consumidores conscientes da sustentabilidade estão em diferentes pontos da “curva de adoção da sustentabilidade” e Kerry os classificou como; Inativos, Passivos, Seguidores e Frontrunners (Pioneiros).

O interesse em torno da sustentabilidade variou com as faixas etárias, sendo os “Millennials” (1980 – 1989) os mais suscetíveis a estarem profundamente envolvidos com a questão (37%). Enquanto, os seguidores (41%) são classificados como empenhados e dispostos a agir, mas esperam que os fabricantes, marcas e autoridades externas, tais como os governos, assumam a liderança na abordagem das questões de sustentabilidade. Curiosamente, é provável que este grupo seja mais jovem que os Millennials e a geração Z, ou seja, são os nascidos de 1999 a 2004. Os Passivos (17%) estão preocupados com a sustentabilidade, mas não compreendem o seu próprio impacto, enquanto os Inativos (5%) preocupam-se um pouco, mas não tomam quaisquer medidas, e o preço é uma barreira significativa à compra de produtos mais sustentáveis.