Fintechs crescem mudando cultura de crédito no país

Executivos de Open Co, Lendico e ABFintechs analisam os espaços ocupados estrategicamente pelas startups no setor

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Marcelo Ramalho, André Bastos e Renan Schaefer
Marcelo Ramalho, André Bastos e Renan Schaefer

Muitos se surpreendem quando se deparam com a informação de que já existem mais de 1.150 fintechs no país atualmente. Em um universo que engloba mais de 25 categorias de serviços prestados, as startups do mercado de crédito também vão chamando  a atenção com a chamada hipersegmentação. Embora ainda hoje concentrem 86% dos negócios no segmento, os grandes bancos possuem um tamanho que não lhes permite muitas vezes atender a um grande número de oportunidades que, graças à tecnologia, abrem caminho para as startups. Criadas a partir das dores dos consumidores e mantendo-os no centro de suas atividades, as fintechs de crédito não só vem crescendo como começam a ampliar o leque de seu portfólio, ganhando a confiança dos clientes e promovendo inclusão e educação financeira no mercado. Esses são alguns dos detalhes debatidos, hoje (24), ao longo da 353ª live da série de entrevistas dos portais ClienteSA e Callcenter.inf.br, por André Bastos, cofundador e Chief Sales, Strategy & People Officer da Open Co, Marcelo Ramalho, CEO da Lendico, e Renan Schaefer, diretor executivo da ABFintechs.

Primeiro a analisar o panorama dessas startups no país, o diretor executivo da ABFintechs afirmou que elas surgem em um mercado que mantém a tendência histórica de concentração, sendo ainda hoje dominado pelos grandes bancos, donos de uma fatia de 86%. Entretanto, para ele, isso é justamente o que abre uma série de oportunidades para ser gerada a competição. Da mesma forma, destaca o surgimento de startups focadas no atendimento a setores específicos.

“Essa hipersegmentação alcança necessidades que, muitas vezes, os principais bancos não conseguem abranger.”

De acordo com o executivo, isso abre caminho, inclusive para muitas dessas novas organizações que querem enveredar pela oferta de serviços financeiros. Além de surgir, também, uma espécie de ‘fintechização’ dos softwares com várias soluções na área. Tudo para gerar novas linhas de receita para as empresas agregando serviços financeiros por meio da tecnologia. E o open banking surge para colocar todos em pé de igualdade.”

Por sua vez, o cofundador da Open Co, fintech de crédito sem garantia nascida da fusão das marcas Rebel  e Geru, chamou a atenção para o fato propício às oportunidades das startups do segmento nascerem com foco no cliente e em um país que tem o segundo maior spread bancário do mundo. Nesse cenário, cada fintech identificou um problema diferente que está atacando com ideias e resultados próprios. Trabalhando 10 anos atrás nos Estados Unidos, André pôde observar ali a cultura do score de crédito, na qual cada americano sabe que, quanto mais alta sua pontuação, mais vantagens obtêm nas ofertas. “Enquanto eles são conhecidos por possuírem crédito, nós, brasileiros, o que temos são dívidas. Da nossa parte, queremos inverter isso. É necessário que se desenvolva aqui esse conhecimento sobre as vantagens do crédito, o que passa por mais educação financeira. No nosso aplicativo, por exemplo, mantemos muito conteúdo e premiamos o bom comportamento financeiro dos nossos clientes.” Ele enalteceu ainda o papel que tem sido desempenhado pelo Banco Central, trazendo competitividade para o setor, explicando que o crédito sem garantia é uma forma de usar a tecnologia, dentro dos parâmetros legais, para trabalhar os dados do consumidor em favor dele mesmo.

Atuando com o mesmo produto, o CEO da Lendico afirmou que, apesar de ser a modalidade mais complicada de realizar, é a mais inclusiva e abrangente, por ter a possibilidade de ser alavancada por tecnologia e de maneira eficiente. Para Marcelo, é realmente necessário haver uma mudança cultural, na qual o crédito passe a ser encarado como um instrumento de realização de projetos e sonhos e deixe de ser visto como um problema, ou mesmo apenas como um meio de se remediar situações desagradáveis. “Essa é, também, nossa missão. Com foco no cliente, vamos trabalhando a educação financeira, para que o crédito seja utilizado de forma planejada e mais responsável. Nesse cenário de concentração dos negócios no segmento, já citado, as fintechs vem também para desburocratizar e expandir os serviços para uma massa muito maior de pessoas, até então desassistidas em suas dores e anseios.” Nessa direção, o executivo colocou relevo também na constatação de o quanto as startups já começaram a mudar a forma de trabalhar dos grandes bancos, dentro da velocidade que conseguem.

De forma unânime, os executivos consideram a digitalização do consumidor, insuflada pelas restrições do período pandêmico, como algo que veio para favorecer a adesão aos serviços prestados pelas fintechs. E, também, há uma sabedoria de usar a própria tecnologia para demonstrar a segurança que há no trato com os dados dos clientes dentro das startups. “Trata-se de saber lidar com tudo o que é complicado para oferecer o simples aos consumidores”, expressou André. Ainda nessa linha, o executivo da Lendico considera que as fintechs se encontram na vanguarda de proteção aos dados e entraves às fraudes. Todos concordaram também sobre a tendências das fintechs de crédito ampliarem seus portfólios, trocando a hipersegmentação por uma presença mais generalista.

O vídeo com o bate-papo na íntegra está disponível em nosso canal no Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 352 lives realizadas desde março de 2020. Aproveite para também para se inscrever. A série de entrevistas retorna na segunda-feira (27), recebendo Ângelo Vieira, diretor de comunicação e operações da Farmarcas, que falará dos resultados e o futuro do setor; na terça, será a vez de Agustin Celeiro, diretor sênior de operações da Chevrolet Serviços Financeiros; na quarta, Jorge Mariano, gerente de expansão da Halipar (Montana Grill, Jin Jin, Croasonho e Griletto); e, na quinta, Tahiana D’Egmont, CMO e sócia da MaxMilhas.