O universo de consumo dos gamers

CEO da Final Level mostra como a startup propõe valor ao formar comunidades de fãs

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Fernanda Lobão, CEO e co-fundadora da Final Level
Fernanda Lobão, CEO e co-fundadora da Final Level

Com faturamento de 160 bilhões de dólares em pleno ano de pandemia, o segmento de games continua em ascensão e promove o surgimento de ideias para explorar, de forma relevante, o seu entorno. Um dos exemplos está na criação da Final Level, cuja proposta de valor é entregar conteúdo aos apaixonados pelos jogos eletrônicos, fomentando o surgimento das comunidades de gamers casuais e profissionais. Com essa proposta, a startup já oferece mais de 900 vídeos no Youtube e reúne cerca de 10 milhões de fãs nas redes sociais. Os detalhes do nascimento e crescimento da empresa desde 2018, incluindo a instalação da mansão “Gameland”, foram oferecidos, hoje (13), por Fernanda Lobão, CEO e co-fundadora da Final Level, ao longo da 243ª live da série de entrevistas dos portais ClienteSA e Callcenter.inf.br.

Descrevendo, de início, como se deu a visão de criar um negócio voltado exclusivamente à comunidade gamer, a executiva disse que foi pela constatação do crescimento exponencial do segmento. Trata-se, segundo ela, do maior setor de entretenimento do mundo, passando  música e cinema somados. “Fazendo uma analogia, as desenvolvedoras de jogos, funcionam como os antigos estúdios de cinema de Hollywood. São gigantes do entretenimento, só que espalhadas pelo mundo, inclusive no Brasil, cujo exemplo pode ser a Wild Life, que vende muito até internacionalmente.” Para a executiva, mesmo não se tratando de um fenômeno recente, pode ser considerada uma indústria emergente, pois vem ganhando público em razão de ser cada vez mais fácil o acesso aos games. Isso, em sua avaliação, se soma à relevância que ganharam as mídias sociais na última década e ao fenômeno cultural que é o avanço do consumo de audiovisual. “Se olharmos para o que era o Youtube há dez anos e o quanto avançou, tornando-se hoje o formato de vídeo mais consumido no mundo. E tudo se ampliou com a democratização do acesso aos jogos pelo mobile.”

O Brasil vem acompanhando de perto todas essas tendências e está, conforme apontou Fernanda, sempre entre os top três do planeta quanto aos países que mais consomem os games. “Se repararmos nos índices internacionais de conectividade, o brasileiro é o que mais tempo fica na Internet. Trata-se de um povo com propensão à convivência social e os games têm essa característica de reunir pessoas, que jogam em rede, proporcionando grandes encontros. E a pandemia ajudou ainda mais nesse crescimento, pois as pessoas estão muito mais tempo em casa.” A decisão de abrir a empresa, detalhou, surgiu em 2018, dentro de uma cultura de startup quanto à velocidade na tomada de decisões. Mas não esperavam que a oportunidade fosse tão potencializada por esse período. 

Em 2020, as atividades produtivas das desenvolvedoras ao redor do mundo significaram um faturamento de U$ 160 bilhões. E a Final Level nasceu olhando para a periferia dessa indústria, o entorno de toda essa produção. Isso envolve o consumo de games, os vídeos relacionados e, numa esfera maior, o que chamou de “gaming life style”. “Estudamos quem é esse gamer, como vive, do que mais ele gosta além de jogar e consumir vídeos relacionados. Ou seja, toda uma cultura que nos levou a ter a visão de uma grande oportunidade, um universo todo ainda a ser mais explorado. Nesse sentido, o propósito da Final Level é ser um grande ponto de encontro para a comunidade gamer.” Hoje, no país, são 84 milhões de pessoas que jogam videogame, segundo dados apresentados pela executiva. Incluindo-se nesse rol a maioria que são os jogadores casuais, aqueles que ficam no computador ou no celular jogando paciência, pôquer, Candy Crush, etc. Desse número, 23 milhões são os que acompanham os eSports, as competições oferecidas pela indústria de games, gerando profissionais e a busca de alta performance no setor.

 

Nesse sentido, Final Level reúne toda essa gama de praticantes, tanto os jogadores casuais como os competidores profissionais, como um grande ponto de encontro. “Temos como motor da empresa a geração de conteúdo, a construção de marca e de comunidades de gamers, sendo que a da nossa empresa já reúne 10 milhões de fãs. Apresentamos a eles, todos os dias, vídeos inéditos e estamos com presença relevante em todas as mídias sociais. Ou seja, oferecendo uma jornada de consumo em torno dessa paixão.” Como uma das principais propostas de valor, detalhou Fernanda, a empresa criou uma mansão temática, a “Gameland”, na qual estão residindo, como convidados, alguns dos principais criadores de conteúdo do segmento. “Então, somos uma máquina de produção de conhecimento e entretenimento e, somente no Youtube, já incrementamos mais de 900 vídeos. Trata-se da primeira ‘contente house’ do Brasil e que estará de mudança do Rio de Janeiro para São Paulo, com novas iniciativas.”

Questionada sobre o perfil do consumidor brasileiro no universo dos gamers, a CEO afirmou que, por se inserir no mundo do entretenimento, tem um público muito variado. Por isso, levou à necessidade de uma estratégia de abordagem e um estudo bem aprofundado de proposta de valor para toda essa audiência. No Youtube e no Instagram, por exemplo, quase 60% do público da Final Level se encontram na faixa dos 18 a 35 anos, distribuídos, como em todo o segmento, em uma equiparação entre o masculino e o feminino. Mas, garantiu ela, a proposta alcança também os jovens dos 13 aos 17 anos e os de mais idade, em um mix bem chamativo para os grandes anunciantes. “Já temos desenvolvido parcerias com grandes organizações tais como a Oi, a Coca-cola, a Netflix, o iFood, entre outros, incluindo um grande banco cuja inserção nesse universo é uma verdadeira quebra de paradigma. Em resumo, na sua concepção, essa combinação de públicos diferentes leva a organização à criação de muito conteúdo agregador e que acaba sendo algo que incentiva inclusive a convivência familiar.”

O vídeo com o bate-papo na íntegra está disponível no canal do Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 242 lives feitas desde março de 2020. Aproveite para também se inscrever. A série de entrevistas prosseguirá, amanhã (14), recebendo Viviane Kim, head de customer experience e co-fundadora da Liv Up, que falará da nova experiência do cliente em alimentação; na quinta, será a vez de Juan Katz, diretor de marketing da GSK; e, encerrando a semana, o “Sextou?” debaterá o tema dos melhores skils para o presente e o futuro, com a presença de Beatriz Nóbrega, superintendente de gente, gestão e experiência do cliente da Digio e Romeo Busarello, vice-​presidente de marketing e transformação digital da Tecnisa.