Os desafios para as startups na pandemia

Pesquisa aponta para uma postura ativa na reestruturação e reinvenção dos negócios

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Carlos Arruda
Carlos Arruda

Para compreender os impactos da pandemia do novo coronavírus nas atividades das startups brasileiras, a Fundação Dom Cabral e o Órbi Conecta, com o apoio da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), realizaram uma pesquisa que cobriu mais de 30 segmentos de negócios. Startups de tecnologia, serviços, fintechs e edtechs, entre outras, foram ouvidas sobre os impactos do atual cenário para seus negócios e perspectivas. A maioria (53,2%) dos respondentes afirma ter sofrido impactos negativos, enquanto outros 30,9% foram positivamente afetados. O grupo não afetado engloba apenas 4,2% dos participantes da pesquisa. Uma parcela de cerca de 11,7% não consegue identificar, ainda, os impactos.

Os principais impactos da pandemia sobre as startups cujas atividades foram negativamente afetadas são: perda de receita; prejuízo à dedicação das equipes e uso de espaços. Para aquelas cujas atividades foram positivamente afetadas, os impactos são: demanda de novos clientes; demanda por novos produtos e crescimento da receita. Também há impactos comuns aos dois grupos, que são: pressão para resolver problemas de curto prazo, mudança nas prioridades estratégicas das empresas e alteração das expectativas de faturamento para os próximos anos.

“Alguns dos principais impactos que pudemos observar na pesquisa estão relacionados à aceleração forçada do processo de transformação digital das empresas. Embora isto já venha ganhando espaço há algum tempo, nunca foi tão crucial para a adaptação e reinvenção dos negócios e dos relacionamentos com o ecossistema.”, afirma o professor Carlos Arruda, diretor do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC e responsável pela pesquisa.

Entre as principais medidas adotadas pelas startups como reação ao momento atual estão, em ordem de relevância para o grupo positivamente afetado: (1) aceleração dos projetos em desenvolvimento; (2) ampliação de negócios de parcerias, investimentos ou participações em projetos com outras empresas; (3) expansão das atividades da equipe; (4) aumento de atividades comerciais da empresa; e (5) ampliação no orçamento para projetos planejados ou já em desenvolvimento.

“Percebemos, nesta pesquisa que, ainda que a pandemia global provoque impactos negativos consideráveis para todos os setores da economia, por outro lado, cria oportunidades únicas para as startups. Elas possuem a capacidade de se adaptarem rapidamente e devem usar isso a seu favor para entender a direção das novas demandas dos clientes e assim sobreviverem”, pontua Anna Martins, co-founder e managing director do Órbi Conecta. De maneira geral, os resultados apontam para uma postura ativa das startups na reestruturação e reinvenção dos negócios: quase 60% dos respondentes da pesquisa concordaram com este ponto, em grau 4 ou 5, os mais elevados do ranking.

Com relação às expectativas quanto ao futuro dos negócios pós-pandemia, os fatores mais mencionados por ordem de relevância foram: (1) vamos aproveitar a crise para promover mudanças significativas na empresa; (2) vemos a situação como temporária, e as atividades serão restabelecidas ao mesmo patamar que antes da crise até o final de 2021; (3) vemos a situação como temporária, e as atividades serão restabelecidas ao mesmo patamar que antes da crise até o final de 2020; (4) as atividades sofrerão bastante com a crise, serão reduzidas e não se reestabelecerão antes do final de 2021.