Os obstáculos à transformação digital das empresas no Brasil

Estudo aponta que computação em nuvem e tecnologias de colaboração são prioridades de investimentos

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Caio Arnaes, diretor de Recrutamento da Robert Half
Caio Arnaes, diretor de Recrutamento da Robert Half

Falta de investimentos em capital humano e dificuldade de promover mudanças de cultura e modelos de gestão de trabalho são os principais entraves no processo de transformação digital das empresas brasileiras. É o que aponta pesquisa da Robert Half, em parceria com o Núcleo de Estudos de Comportamento Organizacional e Gestão de Pessoas do Insper. O levantamento, que também apontou quais as prioridades de investimento, abordou representantes de 300 empresas atuantes no Brasil, durante o mês de junho, das quais 50% de capital aberto e 50% de capital fechado. A amostra é formada igualmente por empresas de pequeno, médio e grande portes, e os entrevistados são 100 chief information officers (CIOs), 100 chief financial officers (CFOs) e 100 general managers (GMs).

Os executivos apontam que, entre os principais desafios organizacionais da transformação digital, estão a mudança cultural e a adequação do modelo de gestão e trabalho. Mudar a cultura é o desafio organizacional que 37% das empresas de médio porte estão menos preparadas para enfrentar. Já adequar o modelo de gestão e trabalho é o que mais preocupa 32% das empresas de pequeno porte e 35% das empresas de grande porte.

“Os gestores precisam ter em mente que, para além de uma infraestrutura tecnológica eficiente, as companhias precisam desenvolver um ativo humano competente, motivado e experiente, capaz de desenvolver uma cultura de experimentação e disposição à tomada de riscos. É esse investimento que proporciona um modelo de gestão e trabalho ágil e mais flexível, ideal para o desenvolvimento”, analisa Caio Arnaes, diretor de Recrutamento da Robert Half.

O estudo também perguntou aos executivos quais eram as áreas prioritárias de investimento para a transformação digital. Entre as empresas de pequeno porte, os principais setores para alocação de recursos que visam ao desenvolvimento de capacidades digitais são operações, produção e serviços, (29%) e marketing, vendas e relacionamento com clientes (26%). Entre as empresas de médio e grande porte, a prioridade é investir em sistemas de gestão empresarial, para 24% das empresas de médio porte e 31% das de grande porte; e em marketing, vendas e relacionamento com clientes, para 23% das empresas de médio porte e 29% das de grande porte.

“Isso indica que, apesar da aceleração tecnológica durante a pandemia, a maioria das empresas ainda está em fase de digitalização, na qual a prioridade é implementar uma infraestrutura técnica capaz de viabilizar transações, produtos e serviços de natureza digital em diferentes áreas. Para realizar uma transformação efetiva e se tornarem capazes de criar valor por meio de tecnologias digitais, elas ainda precisam enfrentar o desafio de transformar o ambiente organizacional”, revela Edvalter Becker Holz, professor da trilha de liderança e gestão de pessoas do Insper.

Computação em nuvem no topo
O estudo avaliou ainda quais tecnologias digitais são prioridade para as empresas, em termos de alocação de recursos para aquisição, implementação e uso. Foram considerados 11 tipos de tecnologias digitais em grande disseminação no mercado, entre as quais a computação em nuvem e as tecnologias de colaboração foram apontadas como prioritárias. Em terceiro lugar vem o investimento em inteligência artificial, com 14%. “Vale dizer que as tecnologias que possibilitam maior diferenciação na geração de valor, como analytics, big data, internet das coisas e aprendizado de máquina, ainda não são prioridade para as empresas, o que evidencia o estágio de baixa maturidade da transformação digital entre as empresas”, completa Holz.