Diego Bortolucci, responsável pela área de SAP S/4Hana da SPS Group

Como a IA pode ajudar o varejo a reduzir perdas?

Com o apoio da tecnologia, furtos e desperdícios são combatidos de forma mais eficaz, uma vez que o planejamento produtivo se torna automático e permite rastrear todo o processo

Autor: Diego Bortolucci 

De acordo com a pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2024, realizada pela KPMG e pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas, mesmo com o aumento do faturamento, o varejo apresentou uma elevação de até 10% nos prejuízos, o que significa perdas que podem chegar a R$ 34,9 bilhões. O dado reforça a importância de o setor investir na prevenção de perdas – algo que pode ser obtido com o apoio estratégico da Inteligência Artificial. 

Atualmente, a margem é a grande dor enfrentada pelo varejista. Diferentemente de outros segmentos, o varejo lida com sazonalidades críticas, que vão desde a manutenção do giro de estoque – com a compra de mercadorias na quantia exata para que não haja falta ou excesso – até o atendimento de todo o ciclo de vendas baseado na demanda do público. Tendo em vista que o setor está presente tanto no ambiente físico quanto no digital, todo esse processo demanda um monitoramento rigoroso a fim de evitar perdas causadas por furtos, avarias e erros operacionais. É justamente nesse contexto que a Inteligência Artificial entra como uma grande auxiliadora. 

Quando essa ferramenta é aplicada em todas as etapas da operação, o varejo passa a ter previsibilidade. Além de automatizar tarefas – o que elimina erros manuais e garante maior eficiência – a IA possibilita uma melhor garantia da margem, visto que, a partir das informações geradas, a empresa efetua compras sob medida e vende com maior rapidez. Com o apoio da tecnologia, furtos e desperdícios são combatidos de forma mais eficaz, uma vez que o planejamento produtivo se torna automático e permite rastrear todo o processo, desde a produção até a venda. 

Em contrapartida ao que comumente se ouve de que “retail é venda e volume”, a IA mostra que o setor também tem precisão, apoiando na precificação dinâmica conforme as oscilações do mercado, o que beneficia diretamente a margem de lucro. Contudo, mesmo diante dos ganhos da digitalização, o varejo ainda enfrenta altas perdas por não automatizar etapas-chave. De acordo com levantamentos da McKinsey e da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), as falhas em processos desconectados podem comprometer de 10% a 20% do faturamento das empresas. 

Mais do que impactar a lucratividade, a falta de eficiência compromete o desempenho humano através dos altos índices de turnover, causados, fundamentalmente, por erros e falhas nos processos que desestimulam as equipes. Ou seja, a falta de um alinhamento cultural em prol do crescimento do time é um obstáculo a ser ultrapassado. Nesse sentido, a IA também atua para contribuir com o conhecimento organizacional. Por mais revolucionária que seja uma tecnologia, ela ainda é feita por e para pessoas. O grande papel desses recursos é auxiliar em uma atuação estratégica, permitindo que o colaborador, ao ser retirado de processos burocráticos, possa se dedicar a funções que agreguem valor real. 

Certamente, esse direcionamento depende da visão unificada que o gestor passa a obter. Com o uso da tecnologia, os líderes podem recorrer a ferramentas de automatização e Agentes de IA que monitoram toda a operação, entregando resultados em tempo real. É importante ressaltar que tanto a Inteligência Artificial quanto outros recursos não são ciências exatas e dependem do abastecimento de informações de qualidade; erros ainda podem acontecer, mas a agilidade na correção traz ainda mais segurança à operação. 

Já passamos, há muito tempo, da fase do hype da IA. Hoje, quem não a utiliza corre o risco sério de ficar para trás. No varejo, sua utilização está amplamente relacionada ao ganho na cadeia de suprimentos, permitindo uma visão ágil de todas as unidades acerca das demandas e do desempenho. Além disso, à medida que novas demandas específicas do negócio surgem a partir desse controle, também são gerados novos postos de trabalho. 

Mesmo apontando todos os ganhos, de nada adianta aderir a ferramentas sem que haja sinergia com a organização. O mercado está repleto de supostos especialistas que se dizem “Einsteins”, mas não o são. Quando falamos sobre IA, é preciso ter a humildade de entender que estamos todos aprendendo sobre seus impactos nos negócios. Sendo assim, ter o apoio de uma consultoria especializada que atue no setor e venha aperfeiçoando o conhecimento sobre a aplicabilidade técnica é uma estratégia vital. Um time de especialistas auxiliará não apenas na interpretação do atual cenário, mas guiará a empresa nos próximos passos para a conquista da vantagem competitiva. 

O varejo é um setor intrínseco ao nosso dia a dia e à economia. Quanto mais o segmento utilizar recursos tecnológicos, principalmente a IA, melhores serão seu desempenho e o fortalecimento de sua base para garantir crescimento sustentável. Afinal, para tomar decisões assertivas, é preciso ter conhecimento.

Diego Bortolucci é responsável pela área de SAP S/4Hana da SPS Group.

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