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Quase a metade dos consumidores não controla gastos de compras parceladas

José Cesar Costa

Estudo da CNDL/SPC Brasil aponta que 32% ficaram inadimplentes no último ano devido a compras no crédito, principalmente pelo uso do cartão

Quase a metade (47%) dos consumidores do país não faz o devido controle das compras parceladas, sendo que esse percentual se divide entre os que fazem o controle na própria fatura do cartão de crédito (34%), de cabeça (9%) ou admitem não fazer controle (3%). Os dados fazem parte de levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Sebrae, segundo o qual 32% dos entrevistados ficaram inadimplentes nos últimos 12 meses por causa de compras parceladas, sendo que 17% citam o cartão de crédito como a principal dívida não paga e 7%, os empréstimos. Crediários (5%) e financiamentos (3%).

Na avaliação dos consumidores, os motivos que mais dificultam o pagamento de compras parceladas são: a queda da renda (16%); o desemprego (15%); e manter um mínimo para o próprio sustento (13%). “O crédito é um instrumento que alavanca a economia, ampliando o bem-estar dos consumidores e as receitas dos lojistas, desde que usado com consciência e planejamento. Se por um lado ele pode ser pensado como um atalho para algumas conquistas da vida. Por outro, pode trazer consequências graves ao orçamento, caso o consumidor não utilize esse crédito com prudência e organização de suas finanças”, analisou José César da Costa, presidente da CNDL. 

Renda comprometida

A sondagem registrou ainda que 48% dos entrevistados afirmam ter até 25% da renda comprometida com o pagamento de dívidas em atraso e 19% entre metade e 100% da renda. “Contratar um crédito é assumir um compromisso. Desse modo, especialmente nos casos em que o dinheiro para a quitação das dívidas é usado para pagar o consumo não essencial, a consequência pode ser o superendividamento e a restrição ao mercado de crédito. O quadro de superendividamento é uma situação desfavorável tanto ao consumidor quanto aos credores, que deixam de receber parte dos recursos que receberiam, ou recebem com atraso. Se não houver disciplina, é fácil perder a noção do quanto foi gasto e ultrapassar os limites do orçamento. O controle financeiro é fundamental para evitar esse tipo de problema”, comentou o executivo.

Outro dado revelado no estudo, foi que o crédito fácil levou 62% a comprarem algo que não estava no planejamento. Os itens mais comprados nas condições de fácil acesso ao crédito foram roupas, calçados e acessórios (26%), seguidos de   compras de supermercado (23%); itens de farmácia (20%); perfumes e cosméticos (18%); ida a bares e restaurantes (13%); e eletrônicos (11%). 

A atração do consumo on-line

A internet surge como um canal que propicia as compras por impulso por meio da facilidade do pagamento em prestações, de acordo com os números da pesquisa. Pouco mais da metade (53%) citou o e-commerce como um tipo de loja que estimula a compra não planejada. Esse percentual cresceu 9 p.p. na comparação com o resultado de 2021 (43%). Lojas de departamento também foram mencionadas com destaque (42%), seguidas pelas lojas de shopping (34%) e lojas de roupas, sapatos e acessórios que não são de departamento (33%). Supermercados favorecem as compras não planejadas para 29% dos consumidores, enquanto as lojas de móveis foram apontadas por 24%. Todos os canais apresentaram crescimento comparado a 2021. 

O quanto será pago de juros é o principal critério levado em consideração no momento da decisão sobre a contratação de uma modalidade de crédito, seja empréstimo, financiamento, cheque especial ou rotativo do cartão (49%). Seguido pelo valor de todas as tarifas cobradas (43%) e do conhecimento do orçamento para saber se conseguirá pagar as parcelas mensalmente (40%). 

Ofertas de crédito

A reação ao receber uma proposta de envio de cartão de crédito divide as opiniões dos consumidores: 41% dizem aceitar a proposta, sendo que 26% só o fazem depois de avaliar a necessidade; 12% aceitam mesmo sem necessidade, desde que não haja anuidade; e 4% aceitam a proposta sem avaliar a necessidade, mesmo que tenha anuidade. 

De acordo com a pesquisa, 20% tiveram aumento do limite de cheque especial, mesmo sem solicitar, e 8% receberam após solicitação. No caso do cartão de crédito, 36% receberam aumento de limite sem solicitar, enquanto 19% receberam mediante solicitação. Já no cartão de loja, o aumento de limite sem solicitação foi mencionado por 22%, enquanto 13% receberam após solicitação. No caso do limite do empréstimo pré-aprovado a pesquisa apontou que 44% dos consumidores receberam aumento sem ter pedido ou autorizado. 

Diante da surpresa do aumento de limite não solicitado, a metade (52%) dos consumidores que recebeu algum tipo de oferta de crédito – cheque especial, cartão de crédito ou de loja – de banco/instituição financeira no último ano considerou interessante, afirmando que é bom ter crédito à disposição. No entanto, cerca de um quinto (19%) desses consumidores contestou a oferta por não ter necessidade e não haver solicitado. Além desses, 18% utilizaram o limite aumentado, pois estava precisando. 

Compras a prazo evitadas

Apesar da grande oferta de crédito, a maioria dos consumidores (62%) afirma evitar essa modalidade de pagamento. Esse percentual cresceu 18 pontos percentuais na comparação com a pesquisa de 2021 (45%). Nos últimos 3 meses anteriores à data da pesquisa, as modalidades mais evitadas pelos consumidores foram o cartão de crédito parcelado (31%); cartão de crédito à vista (20%); crediário (18%); financiamento (17%); e cheque pré-datado (13%). 

Entre os motivos para evitar o pagamento a crédito, destacam-se o medo de se desorganizar com a quitação das parcelas e extrapolar o orçamento (49%), o fato de já ter muitos compromissos para pagar (46%), e as dívidas em atraso (19%). 

O estudo elencou sete categorias de bens e serviços. Em seis delas, os consumidores afirmaram que, na maioria das vezes, pagam à vista. É o caso dos serviços de salão ou serviços de beleza: 74% dos entrevistados dizem pagar à vista esses profissionais e empreendimentos – um crescimento de 10 pontos percentuais em comparação a 2021 –, sendo que os meios à vista mais utilizados para pagar os negócios de beleza foram o PIX (35%), dinheiro (20%) e o cartão de débito (18%). 

Nas compras de supermercado, 73% pagam à vista na maioria das vezes, dando preferência para o cartão de débito (30%), dinheiro (19%) e PIX (13%), um crescimento de 11 pontos percentuais em comparação com o ano passado. Apesar de a maioria optar pelo pagamento dessas compras à vista, 24% citam o pagamento a prazo. 

A diferença começa a cair quando se analisa a compra de roupas, sapatos e acessórios. Nesses casos, 51% afirmam que costumam pagar com formas à vista, principalmente com cartão de débito (21%) e PIX (16%). Os pagamentos a prazo foram citados por 42%, com destaque para o cartão de crédito (39%). Por fim, nos eletroeletrônicos, a maioria opta por formas a prazo (56%), dando preferência aos cartões de crédito (48%). Nas compras desses itens, 36% pagam à vista na maioria das vezes, principalmente através de PIX (13%) e cartão de débito (12%). 

“A escolha entre pagar a prazo e à vista está relacionada à recorrência do consumo e ao preço. Itens consumidos de forma recorrente, como supermercados, comida e apps de transporte são pagos, na maior parte das vezes, com formas à vista; bens de consumo menos recorrente ou de maior valor, como é o caso das roupas e dos eletroeletrônicos, são consumidos com formas a prazo na maior parte das vezes”, destacou Costa.

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