Segundo estudo da Pluxee, após o pico da pandemia, em São Paulo o delivery se consolida, o consumo em restaurante volta a crescer e o vale-refeição mantém papel essencial
Entre o aplicativo, o restaurante e a cozinha de casa, o brasileiro vem construindo um novo padrão alimentar – mais flexível, equilibrado e conectado à rotina híbrida de trabalho. A refeição que antes era feita quase exclusivamente no escritório ou entregue por delivery durante a pandemia, hoje, reflete um consumidor que busca tanto conveniência quanto convivência.
Um levantamento da Pluxee sobre consumo em delivery e fora do lar em São Paulo entre 2020 e 2025, revela como o comportamento dos moradores mudou nos últimos anos. O canal de delivery, que viveu seu auge em 2021 com 16,66% de participação, vem se estabilizando e registra 7,73% em 2025. Mesmo assim, o hábito se consolidou: o número de consumidores que pedem comida mais de três vezes por mês quase dobrou, passando de 24% para 45%.
A presença de estabelecimentos com delivery na região também ganhou força: em 2019, menos de 1% oferecia esse canal; hoje, 18% já contam com o serviço. O avanço foi mais forte nos bairros residenciais, que passaram de 40,5% para 47,2% do total, um reflexo direto da consolidação do home office e do modelo híbrido de trabalho.
“O que vemos é um consumidor paulistano mais flexível e consciente, que aprendeu a integrar o digital ao físico de forma complementar. O delivery segue consolidado, mas o consumo presencial cresceu cerca de 32,75% em 2025, superando o avanço do delivery (27,94%), retomando seu protagonismo e reforçando o papel social e econômico dos restaurantes na rotina do trabalhador”, ressaltou Antonio Alberto Aguiar (Tombé), diretor de estabelecimentos da Pluxee.
O benefício refeição e o novo mapa do consumo fora do lar em São Paulo (SP)
Outro levantamento da companhia, sobre hábitos de consumo, realizado em junho de 2024, ouviu 2.000 trabalhadores (sendo 1.000 beneficiários e 1.000 não beneficiários) e revelou que quem recebe vale-refeição tende a almoçar fora com mais frequência, especialmente durante o expediente. Enquanto 34% dos beneficiários fazem suas refeições fora de casa no horário de trabalho, apenas 22% dos que não possuem benefício alimentação fazem o mesmo, sendo mais associadas a momentos de lazer.
Apesar disso, três em cada quatro beneficiários afirmam que o valor do benefício não cobre o mês inteiro, o que os leva a buscar alternativas para complementar o gasto: 49% usam cartão de crédito, 44% débito e 32% recorrem a marmitas de casa, com um complemento médio mensal de R$ 307,10. O dado mais preocupante, porém, é que 9% dos entrevistados já deixaram de almoçar por falta de recursos.
A rotina híbrida também chega à alimentação
Um estudo da Pluxee realizado em setembro de 2025 com 800 consumidores reforça essa transformação nos hábitos alimentares. O levantamento mostra que 37% dos trabalhadores híbridos ou presenciais levam marmita de casa e 28% preferem almoçar em restaurantes de bairros comerciais, enquanto 56% dos que estão em casa preparam a própria comida e apenas 14% recorrem frequentemente ao delivery. O consumo presencial ainda se destaca nesses locais: 19% dos trabalhadores comem fora todos os dias no trabalho, contra apenas 12% em casa.
“A sondagem de 2025 mostra que, hoje, 50% dos trabalhadores usam o benefício como principal meio de pagamento no almoço, à frente do Pix, crédito e débito. Quando o saldo acaba, 36% recorrem ao cartão de crédito e 20% ao débito. Além disso, quase 30% dos trabalhadores complementam até R$ 200 por mês, enquanto 24% gastam até R$ 100 — um comportamento que reafirma os dados de 2024 e evidencia a relevância do benefício no orçamento e na rotina alimentar dos brasileiros”, analisou Tombé.
Para o executivo, em um cenário em que o consumidor busca conciliar praticidade e convivência, o benefício refeição mantém papel central no equilíbrio entre conveniência, custo e experiência. “Mais do que um benefício, o vale-refeição é uma engrenagem social e econômica que conecta o trabalhador, os estabelecimentos e o valor de comer bem. Ele viabiliza o acesso diário à boa alimentação e impulsiona o comércio local, fortalecendo toda a cadeia que gira em torno da refeição fora do lar”.



















