Fernando Cabral, diretor de growth para a América Latina da Adjust

Entre cliques e conversões: o deep linking no centro da jornada do usuário

Cliques direcionados incorretamente prejudicam desde a experiência do usuário até a aquisição, retenção e receita

Autor: Fernando Cabral

O ano de 2026 promete ser de experiências genuinamente omnichannel. Li recentemente uma pesquisa da Locaweb que mostra que as mídias sociais estão liderando como o principal canal de relacionamento entre marcas e consumidores para 54,2% das pessoas entrevistadas. Na sequência, destacaram-se os marketplaces (22%), os sites institucionais das empresas (11,2%) e os aplicativos de mensagens (8,6%) como meios de interação e de atendimento.

As jornadas de conversão modernas são confusas e não lineares. Um usuário pode descobrir uma marca em um post de influenciador, escanear um QR code em um display no varejo, navegar pelo site mobile, abrir uma notificação push e, por fim, converter dentro do app. Cada etapa carrega intenção, mas também traz mais uma possibilidade de perder o usuário.

Um link que não abre o app, um fluxo de indicação que perde o contexto, um QR code que não direciona para a página correta: são pequenas quebras que geram impactos reais e mensuráveis. Muitos profissionais de marketing assumem que os problemas de performance começam no topo do funil, mas muitos deles se originam justamente nas transições que acontecem abaixo dele.

Neste cenário, vejo o uso de deep linking como algo fundamental para tornar a jornada mais suave e efetiva. Esta tecnologia possibilita que o usuário clique no anúncio e seja direcionado direto para a página exata daquele produto, possibilitando uma jornada direta e efetiva. 

E embora o deep linking nunca tenha sido um conceito ou tecnologia simples, antes o número de passos desse processo era mais fácil de gerenciar. Hoje, existem aplicativos de mensagens, TV conectada (CTV), caminhos offline via QR code e fluxos do varejo para o app. Todas estas ferramentas tornam a realidade mais complexa. Soma-se a isto que cada tipo de dispositivo e sistema funciona de um jeito diferente, e os links nem sempre se comportam da mesma forma, gerando uma fragmentação muito maior.

Cliques direcionados incorretamente prejudicam desde a experiência do usuário até a aquisição, retenção e receita. Por isso, os profissionais de marketing mais eficazes estão repensando o deep linking como infraestrutura: fluxos desenhados desde a base para garantir que cada clique, em qualquer canal, saiba exatamente para onde ir. Para evitar impactos negativos em aquisição de usuários (UA), retenção e receita, a experiência precisa ser tão fluida que o usuário mal perceba que algo aconteceu.

Em diferentes setores, tenho visto líderes de mercado passarem a dedicar cada vez mais atenção ao caminho entre os pontos de contato quanto às táticas que levam tráfego ao funil, para que estes usuários não se percam no meio do caminho, pelo uso inadequado da tecnologia.

O padrão hoje é consistente: quando os profissionais assumem o controle de como os usuários se movem entre plataformas e pontos de contato, a eficiência de conversão melhora, o engajamento se fortalece e o crescimento se torna mais previsível.

Acredito que, à medida que os caminhos dos usuários se estendem por mais canais e dispositivos, o deep linking e o design de jornadas tornaram-se elementos centrais da geração de performance. Quando profissionais de marketing e desenvolvedores desenham essas transições de forma mais intencional, as conversões aumentam, o engajamento se mantém por mais tempo e o crescimento se torna mais fácil de gerenciar. Em um cenário em que eficiência é vital, prestar atenção aos momentos entre os pontos de contato está se mostrando uma das formas mais eficazes de gerar resultados mensuráveis.

Fernando Cabral é diretor de growth Latam da Adjust.

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