Marlon Tseng, CEO & cofounder da Pagsmile

O futuro do pagamento é não precisar parar para pagar

Mais do que uma nova forma de pagar, o movimento aponta para um cenário em que a autenticação acontece em segundo plano, enquanto o consumidor mantém o foco na sua jornada

Autor: Marlon Tseng

Com o avanço das novas formas de consumir, hoje marcadas por plataformas de e-commerce, modalidades de pagamentos e benefícios como o cashback, o consumidor deixou de avaliar sua experiência unicamente pelo preço pago, mas também pelo esforço empenhado e a estrutura disponibilizada no momento do checkout.

Em um mercado altamente digitalizado, não há mais margem para a burocratização de uma etapa tão crucial como a conclusão de compra. Uma vez que os preços passam a se assemelhar entre os concorrentes, o cliente passa a guiar sua jornada com base na ausência de atritos, conveniência e segurança, transformando o momento em um pilar estratégico para a conversão e construção de fidelidade.

Em uma análise comportamental, a presença de processos demorados, com formulários extensos, compartilhamento de informações pessoais e a falta dos meios de pagamento preferidos criam fricções que, quando acumuladas, afastam o cliente em potencial. De acordo com dados do estudo Abandono de Carrinho 2026, realizado pelo Opinion Box, 79% dos entrevistados dizem ter o hábito de desistir de compras online, reforçando a ideia de que não há mais espaço para gargalos que possam resultar na desistência no e-commerce. 

Embora se apresente como fator crucial dentro do processo de consumo, parte do valor estratégico dos sistemas de pagamento aplicados está justamente na sua invisibilidade. Ao integrar de forma automática e imperceptível o ato de pagar, empresas e prestadoras de serviço eliminam a “dor de pagar” ao garantir que o cliente não tenha que digitar os números do cartão ou procurar a carteira, destinando o foco apenas para o item desejado.

Além disso, a oferta de opções personalizadas garante maior competitividade diante de um número elevado de consumidores. Ao permitir que as transações sejam realizadas via Pix ou carteiras digitais, com opções de parcelamento flexíveis que façam sentido com a realidade do comprador, as empresas respondem a um mercado em que 31% das desistências no comércio digital são resultado da ausência de meios de pagamento, segundo o o CX Trends 2026, realizado pela Opinion Box.

Fora das plataformas de venda on-line, a disponibilidade de estruturas de pagamento próprias ou no modelo Banking as Service também fornece vantagens operacionais. Em serviços de assinatura, por exemplo, a possibilidade de configurar cobranças recorrentes entrega maior praticidade e conforto, eliminando a necessidade de repetir mensalmente e facilitando a organização financeira. 

Em áreas pouco convencionais, como os setores de educação e saúde, a infraestrutura financeira possibilita modelos de parcelamento inteligente que não consomem o limite do cartão do usuário, além de  possibilidades como o crédito de curto prazo, como o Buy Now, Pay Later. Quando bem aplicados, os serviços proporcionam receita previsível para as empresas.

Já em mercados voltados para a conveniência e agilidade extrema, como o de alimentação e transporte, a tecnologia pode ser investida para tornar o checkout imperceptível e colaborativo. Soluções como o split automático de conta diretamente na mesa do restaurante, a integração fluida de vales-refeição em aplicativos de delivery e os pagamentos embutidos no próprio painel dos veículos eliminam a ocorrência de filas e burocracias, transformando o ato de pagar em uma experiência fluida que impulsiona a fidelização e a recorrência de compra.

Essa evolução já começa a aparecer em experiências que levam a ideia de pagamento invisível ainda mais longe. Tecnologias que permitem realizar transações por meio da biometria da palma da mão, sem a necessidade de portar o celular ou cartão, mostram como a identificação do consumidor pode se tornar parte natural da própria experiência de compra. Mais do que uma nova forma de pagar, o movimento aponta para um cenário em que a autenticação acontece em segundo plano, enquanto o consumidor mantém o foco naquilo que realmente importa: sua jornada. 

Uma vez consolidada como parte indispensável das operações, a apresentação de experiências de pagamento fluidas depende primariamente de investimentos em cibersegurança. A construção da confiança para que os consumidores compartilhem dados considerados sensíveis é conquistada por meio do compromisso na proteção do usuário por meio de ferramentas como tokenização e identificação biométrica.   

Assim, o sistema consegue blindar a jornada contra fraudes sem exigir que o usuário interrompa sua experiência para digitar senhas ou preencher formulários complexos. Ao implementar camadas de segurança que agem de forma silenciosa e preventiva, o negócio não apenas reduz as taxas de contestação de compra, mas transforma a própria confiabilidade do ecossistema em um poderoso pilar de retenção.

À medida que soluções como Pix automático e Open Finance ganham força, a distinção entre os processos de consumir e pagar se torna cada vez menos perceptível. Diante desse novo cenário, negócios que insistirem em enxergar o checkout como uma etapa isolada e burocrática,tendem a perder espaço para aqueles que demonstrarem capacidade para transformar cada transação em uma experiência de valor contínuo e sem fricção.

Marlon Tseng é CEO da Pagsmile.

Deixe um comentário

Rolar para cima