João Carlos de Abreu Guimarães, consultor estratégico do Grupo Delta Energia

Avançar em gestão de energia é essencial para uma economia eficiente

Vale ressaltar que o custo da gestão representa uma fração mínima do valor total da conta de luz, mas seu trabalho pode resultar em reduções expressivas na fatura

Autor: João Carlos de Abreu Guimarães

O mercado livre de energia elétrica brasileiro vive um momento de amadurecimento e de profundas transformações. Se, no passado recente, a migração para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) era impulsionada de forma quase automática por preços significativamente abaixo do mercado cativo, a dinâmica atual exige uma análise muito mais profunda e estratégica.

A volatilidade dos preços – impulsionada por fatores climáticos –, a consolidação dos preços horários e o conservadorismo dos modelos de precificação trouxeram novas complexidades para as empresas fazerem a gestão dos custos com eletricidade. Por isso, a migração e a permanência sustentável no mercado livre na atualidade passam, obrigatoriamente, pela escolha de uma gestora de energia independente e de confiança.

A oscilação de preços é uma característica intrínseca ao mercado livre, mas administrar contratos em períodos de alta volatilidade é um verdadeiro teste de eficiência. Hoje, o consumidor não precisa apenas monitorar o momento da compra. É fundamental entender ainda a modulação de sua carga ao longo das 24 horas do dia. Com a expansão das fontes renováveis, o mercado passa a registrar alterações nos preços a depender das condições do clima em cada região e estações do ano. Saber enquadrar esse perfil de consumo em uma proposta competitiva é determinante para garantir economia real.

Além disso, o atual modelo de cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) adota uma visão conservadora, que reflete em preços mais altos e impacta diretamente os custos de produção da indústria e do comércio, com reflexos na inflação. Somado a isso, o crescimento acelerado tanto da geração distribuída e quanto da centralizada alterou a dinâmica de risco do setor e degradou as condições financeiras de diversos agentes de geração e comercialização, provocando uma crise de liquidez no sistema. Diante deste cenário, proteger o caixa da empresa requer prudência, conhecimento regulatório e rigor técnico.

Para a indústria ou comércio, o objetivo principal é focar em suas operações, aumentar a produtividade e garantir competitividade em seus mercados. E, assim como aconteceu no mercado financeiro, em que a sofisticação dos investimentos tornou indispensável o suporte de assessorias especializadas, o setor elétrico está ainda mais complexo para ser gerido sem o apoio de especialistas qualificados. 

É essencial compreender que a gestão de energia não faz parte do core business da maioria das companhias, e a escolha da gestora correta deve ser vista como uma decisão tática para assegurar os benefícios do mercado livre sem expor o negócio a riscos desnecessários. Um ponto de atenção do consumidor é selecionar uma gestora de energia que foque integralmente em reduzir os custos do cliente, sendo remunerada exclusivamente por este serviço, sem conflitos de interesse. Aliada a essa neutralidade, a sólida experiência em comercialização é indispensável, pois o maior impacto no custo final está no timing adequado e na estratégia de contratação.

Outro pilar importante é a capacidade de navegar pelas complexidades operacionais e regulatórias do mercado. É preciso contar com uma equipe que possua amplo domínio normativo e bom relacionamento com as distribuidoras, evitando atritos em demandas técnicas, conexões e qualidade de fornecimento. Por fim, a estrutura ideal deve unir tecnologia de ponta a um atendimento personalizado, oferecendo relatórios de consumo e indicadores de economia em tempo real, somados a uma análise rigorosa do risco de crédito das contrapartes.

Vale ressaltar que o custo da gestão representa uma fração mínima do valor total da conta de luz, mas seu trabalho pode resultar em reduções expressivas na fatura. Tentar economizar na escolha da assessoria pode custar caro na hora de comprar energia. Mesmo em ciclos de maior volatilidade, o mercado livre continua oferecendo vantagens incomparáveis de flexibilidade e previsibilidade. No entanto, para atravessar momentos de incerteza com tranquilidade, contar com uma gestão estratégica, isenta e qualificada é o caminho mais seguro para a sustentabilidade do negócio.

João Carlos de Abreu Guimarães é consultor estratégico do Grupo Delta Energia.

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