Nova medição de “O Mapa da Felicidade Real no Brasil”, realizada entre os dias 4 e 8 de setembro 2026, também mostra redução da rede de apoio e aumento da tristeza associada às redes sociais
A parcela de brasileiros que se considera feliz caiu de 89,5% para 61,1% entre fevereiro e setembro de 2026. A diferença de 28,4 pontos percentuais aparece em uma nova medição de “O Mapa da Felicidade Real no Brasil”, realizada pela pesquisadora da Ciência da Felicidade, Renata Rivetti, em parceria com o Instituto Ideia, de pesquisa especializado em opinião pública e estratégia, com 1.500 pessoas de todas as regiões do país entre os dias 4 e 8 de setembro. O trabalho de campo coincidiu com a repercussão das denúncias envolvendo o Banco Master e integrantes do Supremo Tribunal Federal, além da intensificação do debate político no período pré-eleitoral.
A pesquisa não perguntou aos entrevistados o que provocou a mudança. Por isso, não é possível atribuir a queda da felicidade a um único acontecimento. Os resultados mostram, no entanto, que a redução ocorreu acompanhada pelo enfraquecimento da percepção de apoio social e pelo aumento da tristeza relacionada ao uso das redes sociais. Essa queda é uma mudança muito expressiva em pouco mais de seis meses e que aparece em um momento crítico, marcado por denúncias, notícias negativas e maior tensão política”, afirmou Rivetti
Rede de apoio também recua
A parcela dos entrevistados que afirma contar com o apoio de amigos ou familiares caiu de 87,2% para 78,3%. A redução foi de 8,9 pontos percentuais. Em sentido inverso, aproximadamente 22% dos brasileiros indicam não contar com esse suporte social. Segundo a pesquisadora, “os vínculos sociais estão entre os fatores mais importantes para a felicidade. Em fevereiro, a rede de apoio era um dos elementos que sustentavam a percepção positiva do brasileiro. Em setembro, vemos menos pessoas dizendo que podem contar com familiares ou amigos”.
Na avaliação de Renata, o ambiente pré-eleitoral pode ajudar a compreender o contexto, mas não deve ser tratado como uma explicação comprovada pelos dados. “Quando nos aproximamos de uma eleição, as divergências políticas ficam mais presentes nas conversas e nas redes sociais. Pessoas que antes conviviam sem grandes conflitos podem começar a se afastar. Esse processo pode interferir na sensação de apoio e pertencimento, mas seria necessário investigar diretamente essa relação para estabelecer uma conclusão”.
Tristeza nas redes sociais chega a 66,1%
A experiência emocional nas redes sociais também piorou. Em fevereiro, 50,5% dos entrevistados afirmavam já ter se sentido tristes ou infelizes ao utilizá-las. Em setembro, esse percentual chegou a 66,1%, alta de 15,6 pontos percentuais. “Quando a pessoa abre uma rede social em um período de crise, encontra uma grande quantidade de denúncias, conflitos e informações negativas. Além do conteúdo, ela também entra em contato com posicionamentos políticos de pessoas próximas. Isso pode aumentar a tristeza e afetar a esperança em relação ao futuro”, analisou a especialista.
O resultado mostra que cresceu o número de pessoas que associa o uso das redes a sentimentos negativos. A pergunta, isoladamente, não permite determinar se a tristeza foi provocada pelas plataformas, pelo conteúdo consumido ou pelo contexto social e político.
Trabalho continua associado à felicidade, mas perde força
Entre os entrevistados que trabalham, 70,8% afirmam que o trabalho contribui para que se sintam mais felizes. Em fevereiro, eram 76,6%. Considerando os percentuais apresentados, a diferença é de 5,8 pontos percentuais. Apesar do recuo, a maioria dos trabalhadores continua associando o trabalho a uma percepção positiva de felicidade.
Principais números
A sondagem revela que 61,1% dos entrevistados se consideram felizes, ante 89,5% em fevereiro; a queda da felicidade declarada foi de 28,4 pontos percentuais; 78,3% afirmam contar com amigos ou familiares, ante 87,2%; aproximadamente 22% indicam não contar com essa rede de apoio; 66,1% já se sentiram tristes ou infelizes nas redes sociais, ante 50,5%; e 70,8% dizem que o trabalho contribui para a felicidade, ante 76,6%.
Metodologia
A nova medição de “O Mapa da Felicidade Real no Brasil” ouviu 1.500 brasileiros de todas as regiões do país entre 4 e 8 de setembro de 2026. Os resultados foram comparados com a etapa realizada entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, que também ouviu 1.500 pessoas de todas as regiões, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A pesquisa mede percepções declaradas pelos entrevistados. A coincidência do trabalho de campo com a crise institucional ajuda a contextualizar os resultados, mas não comprova que as notícias políticas tenham provocado as mudanças encontradas.




















