A característica essencial do campeão

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Autor: Jamil Albuquerque
No dia 18 de dezembro de 2011, no Japão, às 8h30 da manhã no Brasil, o Santos F.C. entrou em campo contra o Barcelona para disputar o que seria seu terceiro título mundial de futebol. Porém, o Santos de Neymar, depois de, um ano antes, ter sido campeão brasileiro, e, em 2011, campeão paulista e latino-americano – por conta da Taça Libertadores da América -, perdeu o título do mundial. O motivo? Embora o ataque fosse um dos melhores do mundo, o meio-campo e a defesa eram frágeis. O time perdeu de quatro a zero. Levou uma goleada.
O que quero mostrar aqui é que, tanto em uma empresa como em um time de futebol, nada adianta ter somente uma parte boa. Não adianta uma equipe ter um grande talento se falta o apoio e a retaguarda. Um talento pode ganhar o jogo, mas o que vence o campeonato é a equipe.
Da mesma forma, no caso de um líder ou de um profissional de alta performance, o que vai defini-lo, em termo de sustentação a longo prazo, é seu círculo íntimo. O sucesso de uma empresa é o sucesso de um grupo. Mesmo o profissional liberal depende de outros para a realização de sua atividade. O atleta de modalidade individual, como o nadador ou o tenista, tem de contar com um verdadeiro time de profissionais que o assessoram. A cooperação é a convicção plena de que ninguém pode chegar à meta desejada se não chegarem todos da equipe.
Além do senso de cooperação, a percepção de fazer parte de um grupo e o espírito de equipe devem estar presentes em qualquer tipo de atividade humana que vise ao êxito. O esforço conjunto e organizado de um grupo é a chave que abre as portas do triunfo; é a alavanca para a conquista do primeiro lugar. Quem não se engaja em uma causa e não dá a ela o máximo e mais alguma coisa de si, não está pensando como um vencedor. É o princípio norteador do conceito de “mente mestra”, criado por Napoleon Hill depois de uma pesquisa de mais de 20 anos com os mais bem-sucedidos empresários do mundo. O que é esse conceito? Em linhas gerais, é a ideia de que, para acumular poder e fortuna em uma empresa, é necessário reunir duas ou mais pessoas em harmonia com o objetivo de cooperar para os negócios. Assim, quando se tem duas ou mais mentes atuando em perfeita consonância, com seus esforços dirigidos para um objetivo comum, de maneira equilibrada e harmoniosa, é criada outra mente, que é o fruto dessa união. É uma espécie de mente virtual, corporativa, que tem um poder muito maior que a soma das mentes individuais que participam dessa colisão.
A diretoria de uma empresa, quando existe entre seus membros um forte estado de coesão mental, pode constituir uma “mente mestra” (ou master mind). Criar uma aliança de mentes e fazer com que sua equipe funcione como uma orquestra sinfônica são difíceis tarefas no mundo dos negócios – mas uma das mais importantes.
Tenha sempre em mente que o sucesso da empresa é também o seu sucesso. A Copa do Mundo de Futebol é também uma conquista individual dos jogadores. Os maiores sucessos nos esportes são resultados do comprometimento pessoal de cada um com a vitória. Torça pelo sucesso da empresa, celebre resultados positivos de outros setores, demonstre satisfação pelo bom desempenho de seu colega. Na cooperação reside a semente do esforço organizado. É seu útero, é ali que ele germina e nasce. Daí se depreende que o sucesso de um empreendimento, de uma empresa ou de uma atividade profissional está atrelado à existência dessa característica fundamental, que é a cooperação, a colaboração pronta e espontânea. Da mesma forma, não é possível imaginar um líder bem-sucedido que não consiga obter colaboração por parte de sua equipe e não consiga implantar essa mentalidade cooperativa entre seus integrantes. A cooperação reinante no seio de um grupo é o que lhe confere o poder, a força da união. Sem união não há força, não há poder. E sem esforço cooperativo não há união. Napoleon Hill ensina o segredo para trabalhar em equipe: “Interesse-se de forma honesta e profunda pela outra pessoa”.
Como diria Ayrton Senna: “Eu sou parte de uma equipe. Então, quando venço, não sou eu apenas que vence. De certa forma, termino o trabalho de um grupo enorme de pessoas!”.
Jamil Albuquerque é economista, metodologista, instrutor MasterMind, especialista em arquitetura, gerenciamento de cidades e marketing. Este artigo  é parte integrante do livro  ” Vivendo e Aprendendo a Jogar”, uma série de textos voltados a mostrar as muitas semelhanças entre o mundo dos negócios e do futebol.