De olho na tendência da descentralização

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Trabalhar com datacenters localizados em pólos estratégicos nos centros urbanos e manter sites remotos espalhados pelo território nacional é uma tendência. A avaliação é do diretor adjunto de soluções em convergência e colaboração da Wittel, Marcelo Penteado, que não vê prejuízos ou decréscimos na qualidade dos serviços das EPS, empresas prestadoras de serviços, que adotam como estratégia o crescimento fora dos grandes centros. “Este modelo começou a surgir nos EUA com o advento do off-shore em países da Ásia e Oceania onde se encontravam exatamente as mesmas condições. Hoje, no Brasil, temos essa mesma situação, porém dentro de nosso próprio território com a vantagem de falarmos a mesma língua pátria e não termos divisões de fuso horário tão significativas”, ressalta em entrevista exclusiva ao Callcenter.inf.br.

 

O fato das empresas de telecom terem capilaridade de serviços para entrega de voz e dados em todos os Estados do País também contribui para esse fenômeno, de acordo com Penteado. “Com sistemas capazes de operar simultaneamente algumas milhares de posições de atendimento, com plataformas virtualizadas em datacenters e com qualidade de tráfego de voz e dados sobre a rede, a migração destas empresas para outros pólos que não os grandes centros urbanos é uma realidade possível de se atingir”, garante.

 

O diretor explica que a Wittel vem acompanhando esse movimento e atua em projetos localizados fora dos grandes centros, em estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e Bahia. Nas localidades onde a companhia não conta com bases operacionais, a solução é a utilização de mão de obra de analistas residentes nos clientes ou funcionários trabalhando em regime de home office. “Com esses formatos, temos presença constante em todo o território nacional e na América Latina a partir de nosso escritório em Santiago do Chile”, destaca.

 

Os grandes centros ainda concentram os melhores profissionais para o mercado da Wittel, por conta do acesso aos cursos de capacitação e certificação de fornecedores mundiais de tecnologia, como lembra Penteado, contudo algumas universidades instaladas em pólos de tecnologia no interior também têm formado profissionais com excelente nível técnico.

 

Já para o mercado de contact center, onde o treinamento é parte do negócio, a tendência é investir nos pequenos centros. Outros fatores que contam são a captação e retenção de pessoas, mais difícil nos grandes centros, onde há também custos elevados com impostos e com locação de espaço nos locais de fácil acesso via metrô ou linhas de ônibus abundantes, por exemplo. “Em cidades do interior, fora do eixo São Paulo-Rio de Janeiro, há oferta de universidades públicas e privadas, com jovens de regiões próximas, em busca do primeiro emprego. Como a indústria de serviços cresce no Brasil, muitos estados e municípios do interior estão oferecendo incentivos fiscais e tributários para essas empresas, como fazem hoje para trazerem plantas industriais, de olho na grande massa de mão de obra e emprego, direta e indiretamente, que podem gerar”, resume o executivo.