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Mais de um terço das famílias têm queda da renda mensal

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Claudio Pasqualin, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da TransUnion Brasil

Estudo Consumer Pulse, da TransUnion, destaca que, apesar da constatação, 71% dos entrevistados esperam que sua renda aumente nos próximos 12 meses

A TransUnion, empresa global de informações e insights, divulgou os resultados do Consumer Pulse Study referentes ao primeiro trimestre de 2022. O destaque é como as finanças pessoais das pessoas entrevistadas mudaram e quais são as expectativas para o futuro. Embora a pesquisa tenha mostrado algum otimismo em relação ao futuro financeiro dos consumidores, isso foi afetado pelo impacto financeiro contínuo da pandemia de Covid-19 que continua presente na população brasileira.

No primeiro trimestre de 2022, 40% dos consumidores apontaram que a renda familiar diminuiu, enquanto 34% falaram que ela permaneceu a mesma e 26% citaram aumento. Os principais fatores de perda de receita foram o desemprego e a redução do salário. No entanto, houve algumas melhorias em relação ao trimestre anterior, com 24% da população dizendo que alguém em sua casa perdeu o emprego no primeiro trimestre, abaixo dos 32% dos últimos três meses de 2021, e ainda com 22% de brasileiros mencionando que alguém em sua família teve o salário reduzido, abaixo dos 29% no quarto trimestre de 2021. De forma encorajadora, 13% das pessoas entrevistadas indicaram que alguém em sua casa havia começado um novo negócio, além dos 11% que relataram um aumento salarial e 7% iniciaram um novo emprego no último mês.

O Consumer Pulse Study do primeiro trimestre de 2022 foi baseado em um levantamento de 1.056 pessoas adultas brasileiras, realizado entre 14 e 22 de fevereiro de 2022. “Muitas pessoas continuam enfrentando dificuldades financeiras devido à pandemia, e agora foram adicionadas novas preocupações, como a inflação e o aumento das taxas de juros. À medida que consumidores ajustam seus gastos, a transformação digital continua acelerada. É importante que as empresas entendam essas preocupações e adaptem seus serviços para apresentar ofertas digitais que ajudem a população a alcançar seus objetivos financeiros”, analisou Claudio Pasqualin, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da TransUnion Brasil.

Baixa renda mais atingida
Como constatado em pesquisas anteriores, as famílias de menor renda (receita mensal inferior a R$ 1.000) continuaram sendo as mais impactadas, com mais da metade (53%) desse grupo indicando que a renda familiar havia diminuído no último trimestre. Isso se compara a 38% das famílias de classe média (receita mensal entre R$1.000 e R$5.000) no mesmo tópico. Enquanto 35% das famílias de renda média-alta (receita mensal entre R$5.000 e R$10.000) e 24% das pessoas de classe mais alta (acima de R$10.000) reportam a diminuição da renda familiar no mesmo período.

Embora tenha havido uma leve melhora em relação ao trimestre anterior, a preocupação com a capacidade de pagar contas e empréstimos integralmente permaneceu alta. Com 77% de todas as pessoas consumidoras expressando atenção ao tema, abaixo dos 79% no quarto trimestre de 2021. Entre a população pesquisada que indicou que sua renda havia diminuído nos últimos três meses, 90% manifestaram apreensão para a realização do pagamento e 60% esperavam não conseguir pagar integralmente, pelo menos uma de suas obrigações financeiras atuais.

Mudanças no orçamento
Quase metade (49%) das pessoas pesquisadas esperavam reduzir suas despesas extras (como jantar fora, viagens, entretenimento, entre outros) para lidar com as mudanças orçamentárias. Além disso, 43% indicaram que diminuíram as despesas com grandes compras, como eletrodomésticos e carros. Já 43% indicaram que gastariam menos em compras no varejo para itens como vestuário, eletrônicos e bens duráveis nos próximos três meses.

Além das mudanças no orçamento familiar, o comportamento dos gastos da população brasileira também pode ser influenciado por outros fatores. Mais de 8 em cada 10 consumidores (84%) disseram que estão fazendo mudanças nos gastos devido à inflação, e 97% de todas as pessoas entrevistadas estavam pelo menos um pouco preocupadas com a inflação. Além disso, mais da metade das pessoas pesquisadas (56%) indicou que o aumento das taxas de juros teve um grande impacto sobre a decisão de solicitar crédito nos próximos 12 meses, e outros 31% disseram terem tido um efeito moderado em seus planos de solicitar crédito. Para as pessoas que consideraram solicitar novos créditos ou refinanciamentos, mas decidiram não o fazer, a principal razão para abandonar seus planos foi acreditar que o custo seria muito alto.

Apesar dessas preocupações, 38% da população brasileira disse que solicitará um novo crédito ou refinanciamento nos próximos 12 meses, o que representa um aumento de três pontos percentuais em relação ao quarto trimestre de 2021. Dentro deste número, os Millennials e a Geração X foram as gerações com maior intenção de buscar novos créditos, ambas com 42%, seguidas de perto pela Geração Z com 40%. Já os Baby Boomers estão menos propensos do que as outras gerações a terem planos de pedir um novo crédito, com 30%.

“Embora exista certo otimismo sobre a renda futura das famílias e um ligeiro aumento no número de consumidores que planejam solicitar novos créditos ao longo do próximo ano, as preocupações sobre a inflação, taxas de juros e o custo total do crédito podem ser fatores decisivos para os brasileiros se engajarem no mercado de crédito”, avalia Pasqualin.

Tendência de digitalização 
A transformação digital acelerou durante a pandemia de Covid-19, com 32% de consumidores que usam produtos digitais indicando que adotaram novos serviços online, como bancos, vídeo chamadas ou compras online de supermercado, por exemplo. Como resultado disso, 43% dos pesquisados indicaram realizar mais da metade de suas transações online, e 40% esperam aumentar o uso de serviços digitais iniciados durante a pandemia.

Os fraudadores tentaram aproveitar a mudança das preferências das pessoas consumidoras, e no primeiro trimestre de 2022, 24% dos entrevistados indicaram que foram alvo ou vítimas de fraude digital neste período. Os esquemas de fraude mais comuns incluíam golpes de cartões de crédito e taxas fraudulentas (33%). Cerca de nove em cada 10 pessoas entrevistadas (88%) indicaram preocupação em compartilhar suas informações pessoais, citando apreensão com privacidade (76%), e medo de terem sua identidade roubada (70%).

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