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O poder de integração do Open Delivery

Célio Salles, Denis Lopardo e João Bibar

Executivos de Abrasel, Pede Pronto e Bdoo debatem as virtudes e desafios do novo conceito que elimina dores no mercado nacional de food service

O período de isolamento social imposto pela pandemia acabou construindo uma dinâmica dentro do mercado de food delivery que trouxe, em seu bojo, um descompasso entre necessidades e soluções. Como resultado, proliferaram negócios que vinham deixando rastros de descontentamentos dos dois lados do balcão. Em um mundo que a tecnologia permite eliminar dores com grandes complexidades e que temos novos conceitos como o PIX e demais ramificações do Open Banking, acabou surgindo o Open Delivery, conjunto de padrões de comunicação que permite a integração entre softwares de fornecedores de alimentação com quaisquer aplicativos, marketplaces e operadores de entregas. O objetivo é reduzir ineficiências na gestão do cardápio, pedidos e logística. E, na ponta, trazer mais competitividade, lucratividade, qualidade e preços satisfatórios, em um mercado de food service que movimenta perto de R$ 200 bilhões anualmente no Brasil. Debatendo as características desse movimento que vai unindo players em torno de um propósito comum, Célio Salles, conselheiro de Administração Nacional da Abrasel e co-criador do Open Delivery, Denis Lopardo, fundador e CEO da Bdoo, e João Bibar, head de startup de Pede Pronto, participaram, hoje (15), da 520ª edição da Série Lives – Entrevista ClienteSA.

Empreendedor franqueado da rede Bob’s em Santa Catarina, ex-presidente da Abrasel – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes e hoje conselheiro voluntário da entidade, Célio iniciou contando que coordena há muitos anos um grupo que fundou na Associação para estudar as operações de food delivey. Ele lembrou o protagonismo adquirido pelo sistema de entrega durante a pandemia, diante do lockdown que pegou despreparada grande parte dos bares e restaurantes. Tendo de adotar esse sistema logístico para continuar sobrevivendo, o setor percebeu os desafios operacionais e tecnológicos que ele impunha. Além de se deparar com as margens estreitas de lucro dos sistemas de delivery, também em função das taxas cobradas pelos aplicativos de entregas, a venda de comida on-line, que já era muito concorrida, ficou ainda mais competitiva. “Cobrada a contribuir com uma solução para o problema de seus associados, a Abrasel, que já vinha se debruçando sobre a questão, por meio desse grupo de estudo encontrou uma solução inspirada no conceito que instituiu o PIX, em especial, dentro do espectro maior que é o Open Banking.”

Segundo explicou o executivo, esse conceito partia de análises de como conseguir comunicações diretas, simplificadas, padronizadas e sem intermediários. Essa foi a luz que deu origem ao projeto do Open Delivey que, nas palavras de Célio, se resume a “um conjunto de padrões de comunicação permitindo que softwares de restaurantes se comuniquem com quaisquer aplicativos – os originadores de pedidos – e, também, acionando o transporte e a logística”. A partir daí, explicou o conselheiro, foi necessária a construção de uma ampla rede de parceiros, já que não se trata de uma plataforma, não tem custos nem taxas de adesão para os usuários do sistema. O desafio era reunir o maior número possível dos atores do ecossistema de food delivery, de maneira que esses padrões fossem representativos e válidos para todos os elos da cadeia. “Inclusive, com a participação do consumidor final, o entregador autônomo, o barzinho da esquina e a senhora que prepara marmitas em casa. Todos tendo de ser atendidos, o que foi conseguido, depois de um esforço que, em 18 meses, reuniu mais de 300 técnicos em mais de 300 reuniões que representaram mais de 2 mil horas de trabalho.”

Esses padrões englobam publicação e gestão de cardápio, recebimento de pedidos, chamadas de entregadores, rastreamento da entrega, facilitação de contratações e conciliação de pagamentos, em um conjunto de documentos disponíveis, gratuitamente, em ambiente aberto. O que, para Célio, ao eliminar barreiras à entrada no sistema, aumenta a concorrência em uma atividade hoje ainda muito concentrada. Diante do que o head da Pede Pronto acrescentou o quanto se esconde de complexidade e esforços para se chegar a algo aparentemente simples como o PIX e o Open Delivery. João Bibar, à frente desse negócio de pedidos digitais da Alelo, esmiuçou o processo tecnológico que levou a startup a pivotar um sistema de entrega para praças de alimentação de shoppings para um leque amplo de serviços no segmento. Ele destacou que a Pede Pronto não só apoia o Open Delivery como foi o primeiro marketplace a realizar conexão com o sistema, considerando-o um movimento muito rico por reunir muitos bons players em um propósito único. “Ele não apenas se tangibiliza como agrega valor incorporando transformação digital ao mercado de food service, que movimenta quase R$ 200 bilhões por ano no país.”

Por sua vez, caracterizando o Bdoo como uma empresa de tecnologia que tem a capacidade de ligar todas as etapas da cadeia, incluindo os aplicativos de entrega, Denis contou que, com mais de 25 anos de carreira executiva em todas as vertentes de supply chain, em 2018 resolveu empreender e criar uma startup de mobilidade elétrica compartilhada. Evoluindo a partir da vertical B2B, ssurgiu a percepção de que a jornada de fato do delivery é a grande dor do segmento e que não está solucionada. São ineficiências que, no seu entender, oneram o capital investido e, por isso, há muito o que ser feito ainda. “São mais de 5,5 mil municípios no país e, mesmo o maior marketplace existente, não alcança esse nível de capilaridade. Esse fato, mais as inconsistências mencionadas, levaram a Bdoo a se transformar em uma plataforma de tecnologia. Ao adquirirmos contato com o Open Delivery, percebemos então a materialização da nossa linguagem e a Bdoo se constituiu na primeira empresa de tecnologia com foco em sistemas de entrega a implementar o protocolo desse movimento.”

Na sequência, depois dos comentários sobre a sinergia entre o surgimento do conceito com organizações que nasciam já voltadas ao mesmo propósito, os debatedores puderam esclarecer de que forma se dá a competitividade dos players dentro do sistema. Segundo eles, ao solucionar as dores das integrações e padronizando linguagens, cada empresa participante pode se concentrar naquilo que faz de melhor. E seguiram as análises demonstrando por onde se dá a concorrência, as filigranas de um sistema amplo e complexo que pretende oferecer vantagens para bares, restaurantes, demais fornecedores de alimentação e todas as demais empresas envolvidas e seus clientes, dentro da dinâmica exigida hoje pelo mercado.

O vídeo, na íntegra, está disponível em nosso canal no Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 519 lives realizadas desde março de 2020. Aproveite para também para se inscrever. A Série Lives – Entrevista ClienteSA será retomada na segunda-feira (18), trazendo Juliana Cury, diretora de Marketing & Inovação da BK Brasil (Burger King e Popeyes), que abordará a inovação em CX unindo marketing e tecnologia; na terá, será a vez de Aline Rodrigues, head de customer experience da Pier; na quarta, Laura Camargo, cofundadora e CFO do Inventa; e, na quinta, Renato Zanoni, responsável pelas operações comerciais da Ferrero do Brasil.

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