O papel da liderança na saúde mental da equipe

Caminhos que empresas e gestores devem seguir para promover o cuidado emocional dos funcionários

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Adriana Matias, head de Recursos Humanos da Runtalent
Adriana Matias, head de Recursos Humanos da Runtalent

Em tempos de pandemia, a saúde mental dos colaboradores virou pauta urgente. Após completar o primeiro ano de uma das maiores crises sanitárias de todos os tempos e que ainda não tem previsão para acabar, vimos aumentar a procura por soluções para suprir não só o cuidado com a saúde física, mas, principalmente, com a mental e a emocional. A American Psychological Association (APA) divulgou em março deste ano um relatório com as principais tendências emergentes na área de psicologia para 2021. Entre as “Top 10 tendências”, o tópico “Os líderes estão aumentando o apoio à saúde mental” revela que as grandes empresas estão aumentando a oferta de recursos de saúde mental à medida que reconhecem a pressão que a pandemia está exercendo sobre seus colaboradores. Entre os dados apresentados, o estudo aponta que 2/3 dos trabalhadores relatam que problemas de saúde mental prejudicaram seu desempenho profissional durante a pandemia da Covid-19.

Para Adriana Matias, head de Recursos Humanos da Runtalent, esse estudo mostra uma reflexão sobre o quão ainda é desafiador falar sobre saúde mental, especialmente durante a quarentena. “É preciso propor ações de conscientização, tais como palestras ou treinamentos com foco em saúde mental. Essas iniciativas são importantes para abrir o diálogo e começar essa jornada de cuidado integral, porém, o engajamento, tanto dos gestores quanto dos funcionários são essenciais para que as medidas sejam implementadas”, afirma.

Diferentemente das doenças físicas que podem ser diagnosticadas com mais facilidade, a maioria das enfermidades psicológicas é difícil de identificar. Um exemplo disso é o caso da Mariana Domingues, analista de Recursos Humanos da Runtalent. Há quatro anos, a colaboradora foi diagnosticada com transtorno bipolar afetivo e em 2020 teve uma crise e precisou ser internada. “Uma situação de perda desencadeou um gatilho e entrei em um estado depressivo. As doenças mentais são por diversas vezes mal interpretadas justamente pelo fato de não poderem ser percebidas fisicamente por outras pessoas. Infelizmente, é muito comum não encarar os transtornos mentais como doenças ocasionadas por uma série de fatores químicos e hormonais”, comenta.

Mariana explica que recebeu muitos incentivos da empresa. “A Adriana ofereceu todo o apoio necessário e me incentivou a priorizar o tratamento. Assim que a medicação foi ajustada, consegui alcançar o equilíbrio mental e retomar minha vida profissional de forma lenta e gradual”, diz a colaboradora.

A Head de RH, que gerencia um time com 400 pessoas na Runtalent, explica que o suporte realizado com a Mariana reforça o olhar cuidadoso que a empresa possui com todos da equipe. “Nossa colaboradora estava passando por um momento delicado e, para nós, o mais importante era que ela se sentisse segura para conseguir focar 100% na sua recuperação. Além de oferecer um ambiente de constante aprendizado e treinamento, também valorizamos e cuidamos dos nossos colaboradores, pois sabemos que o sucesso de um projeto depende do bem-estar de todos os profissionais e que eles se sintam felizes em trabalhar conosco”, relata.

A seguir, a Adriana compartilha algumas dicas que todo líder pode implementar para conseguir demonstrar empatia e ajudar seus colaboradores a terem uma relação mais saudável consigo mesmo (física e mentalmente). Confira:

Treine os gestores
As lideranças devem compreender que a saúde mental precisa ser tratada como prioridade nas empresas. Esse é o primeiro passo para manter o clima organizacional em alta e, assim, contar com colaboradores engajados e produtivos. Por isso, os gestores precisam ser treinados para lidar com as questões de saúde mental que surgem no cotidiano da empresa. Logo, é preciso ter um olhar atento e humanizado para observar caso a caso e conduzir a saúde mental do colaborador de forma personalizada.

Monitore o engajamento
Em qualquer circunstância da vida, pessoas engajadas demonstram entusiasmo, são mais positivas e sentem orgulho em fazer parte de algo ou de um time. Assim, para monitorar o comprometimento das equipes, invista em pesquisas de satisfação com os funcionários, aplique questionários de engajamento e colete feedbacks constantes.

Conscientize os colaboradores
Assim como os gestores, os colaboradores também precisam ter consciência sobre a importância da saúde mental no trabalho. Para ajudá-los, promova campanhas a respeito do tema, organize palestras com especialistas da área, desenvolva workshops e compartilhe conteúdos relevantes.

Promova o equilíbrio entre vida pessoal e profissional
Um ambiente de trabalho saudável precisa de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal do colaborador. Com isso, para evitar o esgotamento mental causado pelo excesso de trabalho, as empresas apostam em políticas menos rígidas. Permitir horários flexíveis para que os funcionários trabalhem em momentos que consideram mais produtivo são boas iniciativas para aumentar a qualidade de vida no trabalho e fora dele.