A relevância da mulher

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Autor: Luis Alcubierre
Vivemos sempre a dúvida entre comemorar e não comemorar uma data para algo que já é de direito das mulheres. Mas, mais do que celebrar o Dia da Mulher, a data é uma forma de comemorar as conquistas que ela adquiriu ao longo do tempo em meio a tantas dificuldades.
As mulheres têm conquistado mais espaço na sociedade há décadas e não apenas no mercado de trabalho, mas esse tempo ainda não foi suficiente para vê-las presente em maior número no topo da pirâmide das organizações. Obviamente isso não tem nada a ver com capacidade. Em muitos casos elas reúnem habilidades que os homens ainda buscam compreender nessa inversão de poder, que o tempo está tratando de apresentar como tendência e equilíbrio. A maior presença das mulheres em cargos de decisão ou de liderança das empresas ainda passa por um caminho lento, mas natural e sem volta, o que de certa maneira acompanha as mudanças de comportamento da própria sociedade.
Não entendo que isso advém de um maior empoderamento, pois este é dado por alguém, mas sim da conquista que elas obtiveram por meio de sua capacidade, inteligência, interesse e mérito individual. Não resta a menor dúvida de que nas sociedades em que a mulher alcançou um status diferenciado houve progresso social, político e econômico. O ideal seria que um dia não tivéssemos que chamar a atenção para uma data como esta e que as mulheres e os homens fossem vistos sob a mesma ótica do ponto de vista dos direitos e deveres.
 
Importante destacar que várias coisas motivam essa transformação. A começar pelas conquistas obtidas em um passado longínquo no qual o direito básico ao voto era um privilégio dos homens. O Dia Internacional da Mulher foi criado em 1910, mas teve como marco principal a greve de trabalhadoras de uma indústria de tecidos nos Estados Unidos no século XIX na qual mais de uma centena delas perdeu a vida em um incêndio provocado. Portanto, a reivindicação ao respeito e ao protagonismo feminino no mercado de trabalho é histórica.
Atravessamos duas Grandes Guerras desde então. Além da gigantesca perda de homens no campo de batalha nesses dois episódios, as mulheres mostraram sua excepcional capacidade de organização e trabalho e, por conta disso, também sentiram-se preparadas para ir além do que estavam acostumadas. O movimento feminino nos anos 60 apenas ratificou uma tendência, o que gerou mudanças de comportamento que impactaram, inclusive, legislações em países do mundo ocidental, que por sua vez passaram a defender e valorizar de maneira mais explícita a igualdade entre gêneros.
É de supor que só há vantagens ao vermos homens e mulheres disputando as mesmas posições no mercado. Tão óbvio quanto entender que estamos falando de profissionais capazes de assumir as mesmas responsabilidades. Está claro que há habilidades e competências semelhantes e outras complementares entre eles. Por isso seja tão importante que as empresas não prescindam nem de um e tampouco de outro.
Luis Alcubierre é diretor de comunicação e relações externas da Almaviva do Brasil, que possui cerca de 66% de mulheres no quadro de funcionários.