Amigos, amigos, negócios…

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A relação entre ambiente de trabalho e motivação já foi provada. Pesquisa realizada pela Trabalhando.com revela que para 52% dos entrevistados a boa convivência com colegas e com seus gestores afeta seu comportamento profissional, pessoal e impacta em seus resultados. Afinal, ela favorece positivamente o clima organizacional, incentiva a maior colaboração, fortalece a sinergia da equipe e traz impactos diretos à produtividade. Porém, como tudo, há limites. “A amizade no ambiente de trabalho é positiva quando fomenta a troca de ideias e estimula o engajamento da equipe, mas sempre seguindo o limite da boa educação e do respeito”, destaca Paulo Engelmann, gerente do Azulcenter, central de atendimento da companhia aérea.
O executivo defende que é preciso respeito e discrição para não entrar em assuntos íntimos que os colegas não gostariam de comentar. É fundamental que isto não coloque em risco as boas práticas dentro da empresa, em nome da “amizade”. Para Luciana Zabot, superintendente de RH da Flex Contact Center, é preciso manter um equilíbrio entre amizade e profissionalismo. “Acredito estar aí o grande desafio: conseguir estabelecer o limite da relação de amizade e da relação profissional”, afirma. Ela explica que é fundamental que o espaço de cada um seja respeitado, assim como os papéis estejam claros, principalmente entre líder e liderado. Cabe ao líder conseguir canalizar as amizades para o foco no trabalho, não deixando que elas atrapalhem o bom andamento das atividades. Deve-se lembrar que um ambiente descontraído e alegre não deixa de ser um ambiente de trabalho, sendo fundamental o cuidado com a imagem e com o histórico profissional que se está construindo. “A ética no trabalho não pode ser sobreposta à amizade.”
A especialista Maria Candida Baumer de Azevedo, diretora da consultoria People & Results, alerta ainda que é preciso estar atento para ver quando a amizade deixa de ser construtiva e acaba atrapalhando os interesses da organização, impactando negativamente nos resultados. Como exemplo, ela cita o risco de uma amizade formar ´panelas´, levando ao isolamento de outros. Outro risco se dá quando a amizade passa a ser critério para méritos, promoções e demissões, sem considerar desempenho. “Ambientes relacionais precisam de monitoramento frequente sobre o quanto as relações estão saudáveis”, completa Maria Candida, acrescentando a importância de ter sempre pessoas maduras para tomar esse tipo de decisão. Além disso, a tomada de decisão precisa ser compartilhada, sempre em cima de argumentos objetivos e de preferência mensuráveis.
REFLEXOS NA PRODUTIVIDADE
O cuidado com esses pontos se faz necessário, principalmente pelas vantagens que o relacionamento interpessoal traz para as empresas. Ou seja, vale mais tomar esses cuidados do que deixar de ter um bom ambiente de trabalho. Até porque, segundo Maria Candida, a amizade entre colaboradores contribui para uma equipe colaborativa, sendo especialmente confortante e inspiradora para pessoas afáveis e altruístas. “Quando a amizade leva a confiança, as pessoas conseguem ser mais transparentes, o que leva ao conflito construtivo em torno de ideias, mantendo-se o foco nos objetivos da organização”, explica. Além disso, o bom relacionamento interpessoal acaba sendo fundamental para se ter um desempenho adequado, atingir bons resultados e diminuir os principais indicadores, como turn over e absenteísmo, revela Lea Pires, gerente de recrutamento e seleção e desenvolvimento organizacional da Almaviva do Brasil. “A socialização pode ter um impacto positivo no ambiente de trabalho, tornando as horas mais agradáveis ao compartilhar experiências, aumentando consequentemente a produtividade”, afirma.
Na visão da diretora do SIM 24 horas do Grupo BB e Mapfre, Claudia Pires, a convivência interna precisa ser foco de gestão, bem como, estimular uma comunicação eficaz torna-se um exercício de boa prática, que refletirá no momento em que o colaborador estiver em contato com o consumidor. “Os atendentes do Grupo BB e Mapfre lidam com clientes de diversos perfis e estados emocionais e, para isso, a inteligência social passa a ser um atributo de extrema importância”, comenta. A executiva acrescenta ainda que o contact center, por si só, é uma atividade de alta responsabilidade, mas com característica de repetição frequente que  gera muito desgaste e estresse. Estimular um ambiente de camaradagem é oferecer a oportunidade das pessoas demonstrarem o que possuem de melhor e isso ajuda a minimizar e até mesmo eliminar o estresse emocional. “A amizade deixa o clima mais leve e saudável, mais propício ao respeito, ao apoio, a troca de ideias e a colaboração, e, estes comportamentos resultam em aumento da produtividade”, completa.
Até porque, passamos grande parte do dia no ambiente de trabalho. “É essencial que cada um contribua para manter um ambiente amistoso, colaborativo e profissional”, afirma Silvana Muotri Rodriguez, coordenadora do call center e SAC da Sorridents. Por isso, tudo deve começar por um bom relacionamento interpessoal. “A harmonia no ambiente de trabalho é a forma mais adequada, eficaz e produtiva para a consecução de resultados positivos e com qualidade para a empresa. Quando há um bom relacionamento interpessoal, os funcionários se sentem bem no trabalho, consequentemente o ambiente é agradável, propiciando motivação para o desempenho de tarefas”, conclui.
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