Os rumos do uso da nuvem no Brasil

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A Capgemini, provedora de serviços de consultoria, tecnologia e terceirização, divulgou as principais tendências da evolução da nuvem corporativa no Brasil, com base no estudo Business Cloud in Brazil: At the tipping point of accelerated adoption – Research Report 2014 (Nuvem corporativa no Brasil: no ponto  crítico da adoção acelerada – Relatório da Pesquisa de 2014, em português). Esse é o primeiro estudo sobre os modelos emergentes de infraestrutura corporativa e ambiente de aplicação na era da nuvem, realizado pelo Grupo Capgemini com foco no Brasil. O levantamento foi realizado com 415 executivos de tecnologia de médias e grandes empresas públicas e privadas, entre março e abril de 2014.
Confira os cinco principais pontos:
Software-as-a-Service
A pesquisa aponta que o Software-as-a-Service (SaaS) é o modelo mais utilizado pelas empresas com preferência de 73% dos entrevistados em comparação com Infrastructure-as-a-Service (IaaS), com 55%,  e o Platform-as-a-Service (PaaS), adotado por 39%. Isso se deve ao fato de que o SaaS configura-se como uma opção acessível, de  fácil adoção, implementação e evolução rápida dos aplicativos, complementado pela necessidade de substituição de soluções legadas. Os dois setores que lideram o uso do SaaS são o de bens de consumo (92%), e o de varejo (70%), seguidos pelo setor público (60%). Olhando para o futuro, a pesquisa aponta crescimento do modelo de SaaS, que deve se tornar quase onipresente nas empresas. Prova disso é a indicação de que 92% pretendem utilizar esse modelo nos próximos dois anos.
Rumo à nuvem híbrida
Grande parte da estratégia de adoção da nuvem dos clientes é determinada por necessidades relacionadas à segurança. “A questão da proteção de dados, com controles rígidos de acesso à informação, é um ponto muito importante para empresas que decidem aderir ao cloud computing”, destaca o diretor da unidade de soluções integradas da Capgemini, Gustavo Trevisan. A tendência é que, dentro de alguns anos, a maioria das corporações passe a usar a nuvem híbrida. O levantamento projeta que até 2019, se os modelos privados internos e externos e os híbridos forem combinados, a nuvem privada/híbrida será claramente a opção de 75% dos entrevistados, deixando a nuvem pública “pura” com apenas 17%. O momento atual deixa claro que não há um modelo dominante de cloud no Brasil, com as pequenas companhias tendendo a utilizar a nuvem pública, enquanto as médias e grandes empresas utilizam mais nuvens híbridas.
Loja de aplicações corporativas
Ao avaliar as aplicações atualmente em desenvolvimento com o uso do modelo de software como serviço, destacam-se as ferramentas de ERP e CRM como as mais utilizadas, ambas apontadas por 31% dos entrevistados. No setor de bens de consumo, a adoção é ainda mais forte, com 73% das companhias consultadas já utilizando ERP como serviço e 66% adotando o CRM nessa modalidade. Esse dado reflete que as ferramentas de gestão empresarial e de relacionamento com o cliente são indispensáveis para a maioria das empresas, havendo um investimento significativo em sistemas legados e contratos – 69% ainda utilizam ferramentas de ERP e CRM da forma tradicional. Para disponibilizar essas soluções nas organizações, o formato de Enterprise App Store (loja de aplicativos corporativa) deve ganhar corpo no Brasil, seguindo o exemplo do mercado norte-americano. Mais de 70% dos entrevistados afirmam já ter ou que pretendem contar, em até dois anos, com a oferta de softwares para seus empregados por meio de app stores internas.
Infrastructure-as-a-Service
O modelo de Infrastructure-as-a-Service tem um grande potencial de adoção no Brasil, por conta dos benefícios na redução de custos e eficiência operacional. Para as corporações brasileiras, o IaaS é um componente importante do modelo de computação na nuvem, por conta do forte crescimento dos serviços de data center e de virtualização. O estudo indica que o uso de infraestrutura como serviço, adotado por 55% dos participantes, deve crescer 33 pontos percentuais nos próximos dois anos. Entre os serviços nessa modalidade, que têm sido adquiridos pelas companhias brasileiras, destaca-se  o modelo de Backup-as-a-Service (BUaaS), citado por 61% dos respondentes, com adoção por 75% dos entrevistados do setor financeiro.
Data centers
O mercado de data centers que têm como base a nuvem computacional oferece um grande potencial de crescimento no Brasil. Uma pesquisa recente da Frost & Sullivan estima que o setor no País representa R$ 1,8 bilhão, com crescimento médio anual de 9,5%, entre 2011 e 2018, quando atingirá cerca de R$ 5,6 bilhões. Essa expansão se evidencia, principalmente, face ao grande desenvolvimento do número de aplicações e serviços que devem ser disponibilizados nos próximos anos. Questionados sobre o modelo atual de data center utilizado, nada menos que 44% dos entrevistados afirmou possuir estrutura própria operada internamente, mantendo um alto grau de controle. Já 33% optam por data centers em instalações e gerenciamento terceirizados, enquanto  20% declaram ter estruturas próprias, mas gerenciadas por terceiros. Para os próximos dois anos, a primeira opção deve ter uma queda de 14 pontos percentuais, com o segundo modelo recuando 10% e os data centers próprios gerenciados por terceiros saltando de 20% para 45%.

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