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Síndrome de Burnout: por que as lideranças devem ficar atentas? 

Augusto Neves, diretor de gente e gestão da Serede - Rede Conecta

O esgotamento profissional é um dos grandes males do século, expondo a importância de refletirmos sobre o papel das empresas frente essa condição 

Autor: Augusto Neves 

Você já deve ter se deparado com o termo Burnout, condição bastante recorrente entre profissionais do século XXI. A Síndrome de Burnout, assim denominada pelo psicólogo americano Hebert J. Freudenberger, em 1974, é o transtorno de esgotamento mental devido a condições específicas de trabalho, provocando sintomas como alta irritabilidade, estado de tensão emocional, estresse crônico e uma tendência clara à depressão, entre outras características prejudiciais.  

Desde 1º de janeiro de 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) oficializou o Burnout como um “fenômeno ocupacional” e um “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”. 

O problema existe, isso é fato. Não por acaso, a saúde mental tem sido um tema central para especialistas dedicados à gestão de pessoas, assim como lideranças preocupadas em garantir um ambiente corporativo que estimule uma jornada

 harmoniosa para cada colaborador. A tarefa não é fácil, afinal, também é necessário compreender a influência de fatores externos que não estão desconexos à realidade corporativa.  

Um exemplo recente e ainda muito presente no Brasil, de como o exterior à empresa não pode ser retirado do debate, é a pandemia de Covid-19. Por suas consequências e a necessidade de se replanejar formatos de trabalho, novas práticas internas e um clima generalizado de incerteza sobre o amanhã, os índices de Burnout atingiram marcas elevadas.   

Questão familiar é fundamental 

Quando discutimos a felicidade no ambiente de trabalho, bem como o próprio desempenho do profissional, sempre apontamos a relação familiar como um diferencial importante. No contexto estabelecido pela Síndrome de Burnout, a premissa é a mesma. Nutrir uma vida particular saudável e com bons hábitos contribui, de forma incisiva, para uma rotina mais equilibrada, sem extremos ou desgastes desnecessários. Sob a ótica do colaborador, isso implica em reconhecer o que está ou não atrapalhando a realização de suas atividades, para que as soluções adotadas provoquem os efeitos desejados. 

Vale destacar que ninguém está só nessa luta contra o esgotamento mental e a participação de especialistas na área psicológica jamais pode ser descartada. Pedir ajuda é um gesto nobre e abre portas para uma melhora gradual do quadro. 

O Burnout deve ser abordado com a devida seriedade, como um fenômeno contemporâneo que diz respeito à sociedade como um todo. Frente a tantas inovações e tendências promissoras para empresas dos mais diversos portes e segmentos, o futuro do trabalho também passa pelo melhor entendimento de como as relações interpessoais podem ser conduzidas no âmbito interno, em prol de uma gestão centralizada no componente humano, fato que nos leva ao próximo tópico. 

O papel das lideranças 

Os desafios relacionados à gestão de pessoas são numerosos e continuarão exigindo uma postura de observância por parte dos líderes. Porém, é de suma importância conceder uma atenção especial à saúde mental dos profissionais, dado o peso de se construir uma governança que incentive e estimule a produtividade de seus colaboradores de modo saudável e organizado.  

Para a liderança, algumas medidas são aconselháveis, como criar um senso de pertencimento entre os times, com mais identidade e sem atribuir obstáculos hierárquicos como entraves para uma comunicação democratizada. Entender os interesses individuais/coletivos e reconhecer feitos significativos também promove valor à atuação dos envolvidos.  

Outro ponto que merece menção é a urgência por uma cultura que vá além de cargos designados e construa relacionamentos propositivos, por meio de práticas, processos e políticas humanizadas. Todos os esforços são bem-vindos para que transtornos do tipo sejam mitigados. As pessoas precisam se sentir enxergadas e valorizadas. Sem dúvidas, esse é um compromisso que todos nós devemos firmar, todos os dias, de forma contínua e incansável.  

Augusto Neves é diretor de gente e gestão da Serede – Rede Conecta,  empresa do Grupo Oi.

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