Ainda há dificuldade para inovar

0
6
Importantes empresas globais têm encontrado dificuldade em inovar, ao passo que adotam modelos de Pesquisa & Desenvolvimento tradicionais, o que hoje é considerado obsoleto pelo mercado. É o que mostra o relatório “O Jogo da Inovação: Por que e como as empresas estão investindo em centros de inovação”, elaborado por Brian Solis, do Grupo Altimeter, e pela Capgemini Consulting. O levantamento aponta para uma transição rumo à inovação digital, questionando se as equipes de P&D das companhias de grande porte estão mal preparadas para enfrentar o desafio do Darwinismo digital. 
Para resolver a questão, as organizações procuram cada vez mais criar “centros de inovação” físicos em importantes núcleos tecnológicos, como o Vale do Silício, para tirar proveito do ecossistema de startups, investidores de capital de risco, aceleradores, fabricantes e instituições acadêmicas. “Para as maiores empresas do mundo, a inovação nunca foi tão importante – nem tão difícil. Vivemos em um mundo onde a ruptura é iminente – podendo vir de qualquer lugar – e onde os concorrentes, que já utilizam tecnologias digitais, ameaçam a sustentação de muitos setores já estabelecidos. Sem inovação constante, algumas organizações que já estiveram no topo descobrem que as rotas comprovadas e confiáveis para a inovação viraram becos sem saída. Chegou a hora de inovar ou morrer!”, afirma o analista principal do Grupo Altimeter, Brian Solis.
“Muitas organizações estão lidando com a necessidade de inovar por meio de parcerias ou aquisições de startups da área de tecnologia, mas esse é frequentemente o único foco. É necessário haver um equilíbrio maior entre o conhecimento externo e o interno. Os centros de inovação parecem ser uma maneira eficaz de cultivar a mentalidade ágil das startups, necessária para permanecer na vanguarda do mercado. No entanto, já ficou claro que criar um centro eficaz exige a superação de vários desafios”, adiciona o líder global de pesquisa da Capgemini Consulting, Jerome Buvat. As duas empresas pesquisaram as 200 maiores empresas do mundo de importantes segmentos do mercado. Também foram entrevistados os principais executivos responsáveis pela supervisão das atividades relacionadas ao assunto.
Das empresas, 38% delas criaram centros de inovação em um núcleo tecnológico global. Os EUA e a Europa têm a maior fatia, com 29% do total dos centros de inovação – seguidos pela Ásia, com 25%. O Vale do Silício é o local mais interessante para instalação de centros de inovação: 61% das empresas já abriram um ou mais centros no local. Já em relação às áreas de pesquisa, mobilidade ainda continua sendo o preferido, com 63%. Seguido por big data / análise de dados (51%). Outras tecnologias menos maduras, como a de impressão em 3D (5%), realidade virtual (13%) e robótica (13%), não são prioritárias no momento.
No estudo, ainda foram identificados quatro tipos principais de centros de inovação: laboratórios internos de inovação; residência universitária; âncoras comunitárias; e postos avançados de inovação. Entretanto, mesmo com os centros de inovação recebendo investimentos substanciais de muitas organizações globais e com alguns benefícios significativos já conquistados, estabelecer um centro com sucesso tem sido um desafio. Segundo um especialista experiente em inovação, de 80 a 90% desses centros fracassam.
 
INOVAÇÃO COM FOCO
O relatório alerta que, para as empresas que desejam se afastar do modelo tradicional de inovação, os investimentos em centros físicos podem trazer enormes retornos. No entanto, seu objetivo deve ser claramente definido e bem alinhado com as necessidades do negócio. O estudo recomenda as seguintes estratégias para criação de centros de inovação eficazes: definir um objetivo claro; criar um modelo de governança sólido, com apoio da liderança, para implementar inovações em toda a empresa; possuir o foco ideal – nem muito futurista nem muito ligado às operações atuais do negócio; envolver as unidades de negócio para evitar o isolamento; criar uma equipe multifuncional que atue tanto em ambientes estruturados como não estruturados; operar com um certo grau de liberdade orçamentária, mas saber quando abandonar o projeto; trabalhar com um grupo variado de parceiros do ecossistema de inovação, usando critérios sensatos para selecioná-los.