Open data: é preciso compartilhar dados

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Autor: Marcos Sakamoto
Com a democratização da Internet, a facilidade de acesso a dados e informações aumentou significativamente. Tudo ficou muito mais rápido e interativo, favorecendo as conexões entre as pessoas, empresas e entidades em todas as partes do mundo. Neste cenário, a prática de manter dados abertos e públicos na rede vem ganhando espaço e se consolidando nas mais diferentes áreas, como a governamental, de serviços públicos, pesquisas colaborativas e até entre empresas privadas, que veem na abertura e compartilhamento de dados uma forma de estarem mais próximas de seus públicos e serem mais transparentes.
Com o Open Data, a ideia é que os dados sejam usados, reutilizados e redistribuídos livremente e por qualquer pessoa. Na prática, o Open Data é um facilitador quando o objetivo é encurtar distâncias e fazer com que dados relevantes estejam acessíveis ao público em geral. Uma boa parte deste público usuário será composta, num futuro muito próximo, de empresas que irão valer-se destes dados para gerar serviços de alto valor agregado aos clientes. Um dos exemplos mais bem-sucedidos que ilustram a prática de dados abertos é a Wikipédia, enciclopédia livre, editável, colaborativa e virtual. Desde que foi criada, em 2011, já foram escritos mais de 30 milhões de arquivos, sobre os mais diferentes assuntos, em mais de 270 idiomas, sendo que a redação de cada artigo foi feita com a ajuda de voluntários de todo o mundo.
No Brasil, um dos exemplos mais antigos de dados abertos é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, que, a cada censo ou nova pesquisa, disponibiliza os dados, deixando-os acessíveis a todos os interessados. É importante ressaltar que, quando falamos em dados abertos, estamos nos referindo à informações não pessoais. Dados abertos costumam ser, em grande maioria, dados governamentais. Mas, quais as vantagens e desafios de manter dados abertos? Disponibilizar dados é um incentivo à cidadania e ao exercício da transparência. Imagine poder acessar um site e acompanhar como o dinheiro arrecadado por determinado imposto está sendo investido ou repassado para as diferentes áreas. Com essa prática, o cidadão consegue ver como é feito o controle das contas e gostos públicos por parte do governo.
Eu imagino como seria possível compilar os dados de todos os acidentes de tráfego de uma cidade ou capital aqui no Brasil e ser capaz de posicioná-los em um mapa, correlacionando variáveis como: gravidade do acidente, número de pessoas envolvidas, causas prováveis, horário etc. E, em seguida utilizar, estas informações para cobrar ações e auxiliar na elaboração de uma política de segurança mais efetiva. Esse é apenas um exemplo para ilustrar as inúmeras possibilidades de utilização do Open Data. No Brasil, a prática de manter dados abertos tem avançado, mas ainda é pouco utilizada pelo governo e pouco cobrada pela população. Há algum tempo foi criado o Portal Brasileiro de Dados Abertos (www.dados.gov.br), onde é possível encontrar informações sobre saúde, justiça, indústria, educação, política, trabalho etc. Com o avanço e amadurecimento da prática de acompanhamento dos dados disponibilizados pelo governo, o que se espera é um maior envolvimento da população com a questão pública, gerando benefícios para a sociedade em geral.
Outra área que tem se destacado na prática de dados abertos é a de pesquisa. O que vemos são pesquisadores de várias partes do mundo trabalhando em um mesmo projeto de forma colaborativa. Cada grupo alimenta o projeto com as informações coletadas em testes e observações em sua região, favorecendo o avanço dos experimentos e até a uma conclusão mais rápida, economizando tempo, investimentos e proporcionando a troca de experiências e a inovação. E o Open Data vai além, alcançando as empresas privadas, independente da área de atuação. Ao abrir seus dados, uma empresa pode compartilhar os custos de sua operação com seus clientes, parceiros, colaboradores e sociedade. A prática, além de transparente, ajuda a detalhar, por exemplo, a formação de um preço ou mesmo uma determinada tomada de decisão.
O desafio, seja para o governo, instituições ou empresas, é entender que abrir dados deve ser um prática plena. Se a decisão for tomada, será impossível retroceder. Abrir dados deve ser visto como vantagem competitiva.
Marcos Sakamoto é presidente da Assespro-SP