Planejamento, o craque do time

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A Copa do Mundo acabou há pouco mais de uma semana e com ela foi possível perceber como a diferença de organização pode ser primordial para se tornar um time campeão. Como foi o caso entre as seleções brasileira e alemã. Essa última, que vem desde 2000 preparando o time e se organizando, mostrou ter um maior controle das situações, mesmo tendo encontrado dificuldades em alguns jogos do Mundial, e como que é ser um time campeão. Já a canarinha demonstrou que, apesar de contar com bons atletas e que jogam em times internacionais, apenas elenco não é o suficiente. Muitos dizem que faltou afinidade entre os integrantes, técnica e, principalmente, treino. Porém, quais são as lições que o meio corporativo pode tirar desses dois times? 
O primeiro ponto a ser levado em conta é que, na procura por resultados, as empresas devem sempre escalar um fator essencial, o craque de seus times: o planejamento. Segundo Alexandre Slivnik, especialista na área de recursos humanos e treinamento e sócio-diretor do Idepro, Instituto de Desenvolvimento Profissional, foi perceptível a diferença de planejamento entre as seleções. Enquanto a Alemanha elaborou projetos em longo prazo, ficando entre as quatro primeiras nas últimas quatro Copas, o Brasil, inclusive pelas constantes mudanças de técnicos, programou suas estratégias em um período curto. Situações que são determinantes na mudança de resultados. Como aponta o especialista, não é errado pensar no amanhã mais próximo, quando se tem um planejamento mais profundo. “As empresas precisam olhar sempre para o futuro. E o futuro não são os próximos meses e sim, os próximos anos. Não por acaso, que grandes empresas fazem planejamento sempre pensando nos próximos cinco ou 10 anos, pois uma ação feita no presente, interfere diretamente no futuro”, ressalta.
Slivnik ainda indica outra característica que deve ser procurada nas empresas e que também foi um diferencial em ambos os times, a gestão emocional. Por mais que a organização seja determinante para o resultado final, aspectos emocionais tendem a interferir nele. Por exemplo, muitos consideram que o fato de os jogadores alemães serem considerados mais frios, fez com que eles mantivessem a calma e conseguissem reverter os resultados quando estiveram em momento difíceis. Já quando os jogadores brasileiros choraram, no jogo contra o Chile, foram bastante criticados por mostrarem suas fraquezas. “Em uma empresa, por mais que você tenha planejado e organizado todas as ações dos seus colaboradores, se ela não fizer uma gestão emocional com seus clientes internos, consequentemente os clientes externos podem ficar desamparados”. Em números, de acordo com uma pesquisa feita em Harvard, 68% dos clientes que não voltam mais a comprar produtos ou serviços de um negócio, a razão é porque sentem indiferença por parte dos colaboradores. “Uma equipe de atendimento despreparada, invariavelmente, demonstra insegurança para o cliente e faz com que ele não tenha confiança nos seus produtos ou serviços. Nos dias de hoje, o consumidor compra experiência”.
Para uma empresa digna de seleção campeã, o especialista aponta quatro pilares estratégicos que não podem ser esquecidos: engajamento, “uma equipe engajada e comprometida com a missão da empresa tem mais valor”; solução de problemas, “não podemos ter medo de resolver problemas, pois eles são a oportunidade de mostrarmos nosso valor e também de encontrarmos soluções novas”; empatia, “atenda o cliente da mesma forma como gostaria de ser atendido”; e conexão emocional, “conexão emocional é quando você consegue, por meio das suas ações, encantar e proporcionar momentos mágicos para o seu cliente. Quando você gera emoção, ele guardará esse contato para sempre”.