Vendas diretas: um mercado vitaminado

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Da mesma maneira que o movimento de translação da Terra causa mudanças quase imperceptíveis no dia-a-dia dos seres humanos, as vendas diretas no Brasil estão passando por transformações. Caracterizada como um sistema de comercialização de bens de consumo e serviços realizada por meio do contato pessoal entre vendedor e comprador, fora de um estabelecimento comercial fixo, a venda direta atinge hoje dimensões globais. Porém uma mudança vem sendo sentida pelos profissionais do segmento. É cada dia maior a procura por vitaminas e suplementos nutricionais nestes canais que, pouco a pouco, ocupam espaço de produtos tradicionais como cosméticos e materiais de limpeza.

De acordo com a Abevd (Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas), em 2005, o setor movimentou R$ 12,3 bilhões em negócios, com um crescimento de 20,4% sobre 2004. Desse total, 6,28% são de responsabilidade das vitaminas e suplementos (há dois anos, o número não chegava a 3,55%). Por outro lado, os produtos de limpeza perderam espaço: em 2003 eram 7,98% e hoje respondem por 5,88% das vendas do setor. O segmento de cuidados pessoais também passa por mudanças: passou de 88,17% do mercado total em 2003 para 87,57% em 2005.

O crescimento da área de vitaminas acompanha o avanço do setor de vendas diretas em todo o mundo. Tanto no “mononível” (gerenciamento de uma força de vendas com “revendedores autônomos”) quanto no “multinível” ou “marketing de rede” (gerenciamento de uma força de vendas com “distribuidores”, que gerenciam seus “revendedores autônomos”) houve um forte aumento dos revendedores brasileiros, que já passam de 1,5 milhão de pessoas.

Este aumento de participantes levou também a uma especialização nas vendas diretas. Mais e mais profissionais liberais como esteticistas, profissionais de saúde e de educação física optam pelo negócio, que garante uma renda extra e permite ao interessado atuar em horários diferentes. Além disso, os consumidores sentem-se mais seguros ao comprar vitaminas e suplementos vitamínicos, uma vez que o vendedor é um técnico qualificado. Paralelamente, as empresas do setor de vendas diretas, atentas a tal mudança, passaram a oferecer maior variedade de produtos e treinamentos específicos feitos por profissionais renomados.

A mudança de direcionamento de mercado ainda é pequena, quase imperceptível, mas veio para ficar. Associada a um profissional dedicado, cada vez mais conhecedor dos diferenciais de seus produtos, as vendas diretas ganham respeito de consumidores e posicionam-se como uma das melhores opções de negócios em um mercado de trabalho em transição.

André Raduan é diretor-geral da Amway do Brasil.