Estamos preparados para o mundo que estamos criando com a IA?

Especialistas debatem a concentração de poder nas big techs, ganhos marginais nas empresas e urgência de educar o Brasil para a IA

A IA generativa não é uma revolução tecnológica, mas de interface. Ao permitir que qualquer pessoa converse com sistemas antes escondidos em camadas de software, ela democratizou o acesso. O risco está na concentração de poder em poucas empresas, que embutem visões de mundo em suas plataformas e criam uma submissão silenciosa. Além disso, há o desafio cultural. As organizações usam a IA para fazer o mesmo processo mais rápido, colhem ganhos marginais e esbarram no medo de perder status. Essas e outras reflexões marcaram a 72ª edição do ClienteSA News. Realizado ontem (19), o bate-papo reuniu os convidados Cezar Taurion, AI Strategist da theGarage IA, e João Paulo Batistella, executivo de inovação, especialista em IA, transformação digital e organizacional, recebidos pelos cohosts Vilnor Grube, CEO da ClienteSA e VP da Aloic, Rodrigo Tavares, head de experiência do cliente na Eteg, e Wellington Paes, fundador e CEO da Conexão Customer.

Primeiro a opinar, Taurion assegurou que o sucesso da IA generativa não vem de uma ruptura tecnológica, mas de uma mudança na forma de usá-la. Segundo ele, modelos sofisticados de machine learning já existiam, mas ficavam escondidos. “Hoje, qualquer pessoa conversa diretamente com esses sistemas, como se falasse com outra pessoa. Foi essa mudança que levou a tecnologia do laboratório ao cotidiano. A questão, agora, é saber se empresas e profissionais estão preparados para o que essa popularização desencadeia”.

O risco mais citado foi a dependência de quem detém essas plataformas de IA. “Nunca na humanidade tivemos tanto poder na mão de tão poucas empresas”, alertou Batistella. Quando as buscas passam naturalmente pela IA e as políticas comerciais são definidas por gigantes tecnológicas, ocorre uma submissão silenciosa. “Cada plataforma devolve respostas distintas, conforme suas regras internas. Ao adotar essas ferramentas, as organizações aceitam também as visões de mundo embutidas nelas, tema que merece mais discussão estratégica do que recebe atualmente.”

Para os especialistas, um outro obstáculo é o cultural e educacional. Rodrigo, por exemplo, provocou: “Se você ganhar duas horas do seu tempo com IA, o que você vai fazer com isso?” Segundo ele, muitos líderes apenas acumulam mais trabalho. Wellington, por sua vez, lembrou que grandes empresas travam mudanças porque as pessoas temem perder status. Sem letramento digital, o risco é abrir mão do pensamento próprio. Nessa linha, Batistella concluiu: “Se você terceiriza sua capacidade de pensar, sua capacidade de senso crítico, você fica à mercê de qualquer coisa. A saída é acelerar a educação”. O vídeo, na íntegra, está disponível no YouTube, no canal ClienteSA Play, compondo um acervo em cultura cliente que já passa de 4,3 mil vídeos.

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