Especialistas debatem como correr atrás de toda novidade pode afastar empresas da essência e dos clientes
O medo de ficar para trás, conhecido como Fomo (Fear of Missing Out), ganhou uma dimensão corporativa e passou a influenciar decisões, comportamentos e prioridades dentro das organizações. Em um cenário marcado pela velocidade da inteligência artificial e pela multiplicação de novas tecnologias, acompanhar tudo tornou-se praticamente impossível. Tentar fazê-lo pode gerar ansiedade, perda de foco e desperdício de recursos. O desafio, portanto, é desenvolver discernimento para identificar o que realmente importa, preservar a saúde das pessoas e transformar novidades em valor para o negócio, como foi demonstrado, ontem (28) na 71ª edição do ClienteSA News, que reuniu os convidados Sandra Teschner, fundadora do Instituto Happiness do Brasil, e Gui Zanoni, palestrante, futurista e especialista em IA, inovação e liderança, além dos cohosts Vilnor Grube, CEO da ClienteSA e VP da Aloic, Rodrigo Tavares, head de experiência do cliente na Eteg, e Wellington Paes, fundador e CEO da Conexão Customer.
Primeira a se posicionar sobre o tema, Sandra defendeu que o cenário atual combina instituições antigas, emoções humanas pouco adaptadas à velocidade contemporânea e uma tecnologia que ganhou status quase de divindade. Citando um livro do mesmo nome, do coreano Byung-Chul Han, ela alertou para a “sociedade do cansaço” e defende que a produtividade precisa estar associada à sustentabilidade humana, levando Gui a acrescentar que empresas podem perder a vocação ao perseguir tendências que não dialogam com sua realidade.
Nessa direção, o alerta também passa pela pressão competitiva. Rodrigo observou que muitas organizações adotam tecnologias simplesmente porque os concorrentes já o fizeram, sem necessariamente saber qual problema pretendem resolver. “Quando tudo importa, nada é importante.” Já Wellington questionou se, na corrida pelas novidades, as empresas não estão deixando de fazer o básico bem feito. Para ele, é preciso recuperar a capacidade de distinguir relevância de modismo.
Nesse contexto, Vilnor trouxe a discussão sobre como as organizações podem enfrentar a avalanche de novidades sem transformar inovação em uma corrida permanente. Nesse momento, o debate apontou para uma mudança de perspectiva: experimentar, testar hipóteses e aprender é diferente de adotar indiscriminadamente cada tendência. Como resumiu Zanoni, “o futuro é passado: olhar para a origem e a essência do negócio pode ser tão importante quanto acompanhar o que está surgindo”. Para ele, a inovação ganha sentido quando serve à estratégia. O debate prosseguiu, inclusive em meio a questões levantadas pelo público que acompanhava ao vivo. O vídeo, na íntegra, está disponível no YouTube, no canal ClienteSA Play, compondo um acervo em cultura cliente que já passa de 4,3 mil vídeos.




















