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Bianca Coimbra, CEO e cofundadora da Lynv

O diferencial do produto na construção da marca

CEO e cofundadora da Lynv conta como a empresa redefiniu a experiência do consumidor no mercado de água de coco

Em um cenário em que grandes indústrias alimentícias reduzem ingredientes, modificam receitas e ampliam aditivos para proteger margens, cresce o espaço para marcas que apostam na direção contrária. É nesse movimento que a Lynv, startup brasileira de água de coco 100% integral, encontrou seu eixo estratégico: produto sem concessões, cadeia produtiva controlada e uma proposta que transforma o ato de consumo em escolha consciente. Em menos de dois anos de operação, a empresa acumula premiação nacional, presença em grandes redes varejistas e marca avaliada em R$30 milhões, fatores que sinalizam menos uma aposta e mais uma leitura precisa de para onde o consumidor está olhando, como compartilhou Bianca Coimbra, CEO e cofundadora da Lynv, hoje (28), na 1324ª edição da Série Entrevista ClienteSA.

A executiva contou que a Lynv nasceu após identificar, então morando nos Estados Unidos, a escassez de água de coco de qualidade. Criada em Santos, no litoral paulista, onde seu pai tinha um coqueiro em casa, Bianca cresceu consumindo água de coco natural e nunca se conformou com as alternativas disponíveis no mercado. Quando seu sócio, um investidor experiente em startups, sugeriu abrir uma empresa de água de coco, ela foi categórica: só entraria no projeto se conseguisse um produto que remetesse ao coco da praia.

A percepção de que o mercado carecia de um produto verdadeiramente integral e sem aditivos foi o ponto de partida para criar uma marca com propósito claro. “A ideia sempre foi ir além do produto, criar uma marca que despertasse uma sensação: uma água de coco integral, com poucos ingredientes e sem adição de açúcar, mas que também trouxesse aquela experiência familiar de beber um coco na praia, algo refrescante e natural.” O slogan da empresa, cujas iniciais formam o nome da marca, ‘Live your natural vibe’, busca traduzir essa filosofia. Segundo ela, o diferencial não está apenas na qualidade, mas na forma como a marca comunica sua proposta. “A embalagem disruptiva, colorida e com uma carinha feliz, foi pensada para engarrafar uma sensação e não um produto.” A empresa foi aberta em 2023 e, logo nesse primeiro ano de atividade, já ganhou um prêmio de melhor água de coco do País, a partir de um teste às cegas feito pelo Estadão.

A CEO destacou que a Lynv trabalha em duas frentes simultâneas: com os distribuidores e grandes varejos e junto ao consumidor final. “Eu insisto que os nossos clientes são o B2B. É óbvio que vamos chegar no B2C, mas temos que agradar primeiro o cliente B2B.” Por isso, garantiu ela, a empresa investe em treinamentos constantes para intermediários, campanhas de incentivo e promotores que acompanham o produto nas gôndolas. “Mensalmente, a equipe analisa dados de desempenho por loja, investigando quedas de vendas e ajustando estratégias. Essa abordagem integrada garante que o produto chegue ao consumidor final com a qualidade esperada, pois compreende que a conservação da embalagem durante o transporte e armazenamento é crítica para manter a integridade do produto.”

A estratégia de comunicação da Lynv também reflete uma compreensão profunda sobre o comportamento do consumidor contemporâneo. Bianca reconhece que a marca atrai principalmente jovens entre 25 e 35 anos, mas identifica uma oportunidade significativa no público acima de 51 anos, que já consome água de coco regularmente e busca qualidade. “Por coincidência, 51% das pessoas que consomem água de coco são o público 51+.” Para alcançar esse público, a marca investe em desmistificar o processo produtivo, mostrando desde a extração do coco na fazenda até a tecnologia da embalagem.

Um aspecto crucial na estratégia de Bianca é a recusa em comprometer a qualidade pela velocidade de crescimento. Apesar da pressão para expandir para mais redes varejistas, ela mantém uma postura firme: não vai “derreter a margem” entrando em grandes varejos a qualquer custo. “Prefiro comunicar que quem quer Lynv, vai ter que ir em determinado mercado, garantindo que lá o meu produto está sendo cuidado e oferecido com qualidade.” A CEO também reconhece que, como produto natural extraído de uma fazenda, a empresa não pode expandir sem consciência total do processo produtivo, da qualidade e da entrega, evitando rupturas de estoque que prejudicam a experiência do consumidor.

A CEO afirmou ainda que não existem mercados saturados, apenas consumidores com dores não atendidas. “Muitas pessoas consumiam água de coco de caixinha acreditando que não havia alternativa melhor, quando na verdade existia. A gente também tem feito esse trabalho de reeducar os nossos consumidores para que eles busquem qualidade.” Paralelamente, ela destaca um fenômeno preocupante: grandes indústrias empobrecendo a qualidade dos produtos em busca de maiores margens. “Nesse contexto, marcas como a Lynv ganham relevância não apenas por oferecer qualidade, mas por educar consumidores a ler rótulos e fazer escolhas conscientes, transformando a experiência de compra em um ato de autocuidado e valores pessoais”, concluiu.

O vídeo, na íntegra, está disponível no nosso canal do YouTube, o ClienteSA Play, junto com as outras 1323 lives realizadas desde março de 2020, em um acervo que já passa de 4,2 mil vídeos sobre cultura cliente. Aproveite para também se inscrever. A Série Entrevista ClienteSA prosseguirá amanhã (29), com a presença de Daniel Martins, country manager da Dolby no Brasil e Paula Pimentel, diretora de marketing e comunicação de marca da Dolby para América Latina, que falarão da qualidade do som no fortalecimento da conexão emocional; na quinta, a semana será encerrada com o debate sobre o tema “Jornada do paciente: O caminho da evolução em saúde passa pelas healthtechs?”, reunindo Leonardo Giusti, sócio-líder de Customer & Operations da KPMG no Brasil, Fillipe Loures, cofundador da Voa Health, Lucas Santiago, cofundador da Myme e Marcelo Amante, CEO PicDoc.

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