Em cinco anos, bancos serão grandes ecossistemas digitais

Mais de 60% dos executivos de bancos no mundo acreditam que o modelo tradicional baseado em agências se tornará obsoleto

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Kanika Hope, diretora de estratégia da Temenos
Kanika Hope, diretora de estratégia da Temenos

Relatório publicado pela Temenos, empresa especializada em software bancário, constatou que 65% dos executivos de bancos em todo o mundo acreditam que o modelo tradicional baseado em agências será aposentado dentro de cinco anos. O relatório, produzido pela Economist Intelligence Unit (EIU) e intitulado “Quebrando barreiras: os bancos podem se mudar dos centros das cidades para ecossistemas digitais?”, é baseado em uma pesquisa recente realizada com 305 altos executivos bancários globais. Para os pesquisadores, estes são os principais fatores que concorrem para desencadear uma mudança nas prioridades bancárias e nos modelos de negócios: a pandemia de Covid-19, aliada ao aumento da concorrência de fintechs, e ao surgimento de novas tecnologias, plataformas de super aplicativos e gigantes da tecnologia.

Na visão de 65% dos executivos entrevistados, novas tecnologias como a computação em nuvem, a IA e as APIs terão um grande impacto no setor nos próximos quatro anos. Os bancos estão concentrando seu investimento de tecnologia em cibersegurança, IA e computação em nuvem à medida que aceleram projetos de transformação digital. De acordo com o relatório, 81% dos executivos acreditam que os bancos precisam oferecer diferenciais na experiência do cliente, em vez de produtos. Com isso, muitos bancos estão recorrendo a parcerias estratégicas e investimentos em tecnologia para se tornarem parceiros confiáveis e fornecedores de experiências amigáveis ao consumidor.

A pandemia tem sido um catalisador de colaboração e experimentação. O texto afirma que quase metade (47%) de executivos de bancos espera que seus negócios evoluam para ecossistemas nos próximos dois anos, pelos quais os bancos oferecerão produtos e serviços próprios e de terceiros para clientes e outras organizações financeiras.

Aalishaan Zaidi, director global de Banca Digital da Standard Chartered observa essa mudança de atitude e de cultura como resultado da pandemia; “a grande mudança para nós foi nossa crença de que poderíamos mudar rapidamente se realmente quiséssemos. Nunca teríamos feito as parcerias que estamos fazendo agora”. Enquanto para Kanika Hope, diretora de Estratégia da Temenos, o Open Banking e o aumento da concorrência das grandes tecnologias e dos novos bancos estão fazendo com que os bancos repensem seus modelos de negócios. 

Na avaliação de Kanika, “muitos agora aspiram desenvolver ecossistemas digitais que tragam experiências mais humanas e diferenciadas para seus clientes usando o poder da nuvem, SaaS e IA. Este relatório mostra que os banqueiros agora entendem que a tecnologia será um facilitador para esses novos modelos de negócios e é fundamental para sua diferenciação competitiva.”