CEO da Yattó fala da mudança de mentalidade do mercado com sustentabvilidade deixando de ser custo para virar estratégia competitiva
Fundada em 2015 no campus da Universidade Federal de Minas Gerais como iniciativa de pesquisa científica, a Yattó percorreu um caminho singular no mercado brasileiro de logística reversa. Ela nasceu prestando serviço a coletores de resíduos, descobriu nas indústrias de bens de consumo seu maior campo de atuação e hoje posiciona a economia circular não como pauta ambiental, mas como imperativo estratégico de longo prazo para qualquer empresa. Com atuação estruturada em diagnóstico, identificação de rotas sustentáveis e implementação de programas reversos, a startup defende que ignorar a circularidade equivale, hoje, ao mesmo erro cometido por companhias que subestimaram a transformação digital, nas palavras de Alexandre Gallana Jr., CEO e cofundador da Yattó, que participou, hoje (24), da 1362ª edição da Série Entrevista ClienteSA.
O executivo iniciou ressaltando que, mais do que fruto da procura por uma oportunidade de negócio, a ideia da Yattó surgiu pela intenção e vontade de gerar impacto. “Começamos a trabalhar com esse mercado de logística reversa e economia circular com um olhar para um público diferente, com a visão de que se melhorássemos a eficiência da estrutura de coleta no nosso País, fatalmente iríamos recolher mais resíduos, desviar mais material de aterro e, consequentemente, tornar o mercado todo mais sustentável.”
Segundo ele, trata-se de uma empresa que nasceu dentro do ambiente universitário como um projeto de iniciação científica, com um forte base técnica e de engenharia, tendo como clientes empresas que coletavam resíduos. Foi por esse caminho que acabaram chegando também nas empresas de bens de consumo que tinham os resíduos gerenciados por essas empresas coletoras. “Uma dessas companhias, a Cargill, acabou nos abrindo esse caminho, por volta de 2017, para que levássemos nossa tecnologia para uma parceria no gerenciamento do programa de logística reversa da marca. Então, começamos a avançar e crescer.”
Reforçando a importância que o tema vem ganhando, Alexandre afirmou que pesquisas de comportamento do consumidor mostram que, quando o fator financeiro é desconsiderado, o consumidor escolhe produtos mais sustentáveis. Ele também vê o gap entre a indústria de extração de matéria-prima, que está na era 4.0, e o segmento de circularidade diminuindo com o tempo. “Ter produtos e embalagens mais circulares é uma questão de tempo para que elas sejam cada vez mais competitivas”, afirmou o executivo, sinalizando que a sustentabilidade deixará de ser um diferencial para se tornar obrigatória.
Para o CEO, o Brasil, apesar de estar culturalmente atrasado em relação a países europeus, possui capacidade de implementação e escala impressionante. “A Estratégia Nacional de Economia Circular foi publicada apenas em 2025, mas o País já demonstra competência em programas de reciclagem de alumínio, papel e plástico que superam volumes internacionais. Temos programas que são referência e que conseguem reciclar volumes inclusive superiores ao que é reciclado fora.” Ele apontou o modelo de cooperativas e catadores como o diferencial.
Na concepção de Alexandre, implementar economia circular não é tarefa simples. Exige integração entre múltiplas áreas da empresa – sustentabilidade, marketing, compras, operações – e uma mudança profunda de mentalidade. “Não é possível implementar uma estratégia de economia circular dentro de uma empresa falando com apenas uma área. Mesmo que essa área seja a presidência.” Por isso, a Yattó estruturou a atuação em três etapas: diagnóstico do portfólio, identificação de caminhos possíveis e implementação de programas de logística reversa, conversando com várias áreas.
Nesse caminho, o grande obstáculo, de acordo com ele, não é tecnológico, mas financeiro e perceptivo. Implementar mudanças de embalagem pode exigir investimentos substanciais, às vezes centenas de milhões, em alteração de linhas produtivas. Por isso, a Yattó trabalha para ampliar o valor percebido da solução. “A empresa tem que entender, por exemplo, como a mudança de embalagem reduz a pegada de carbono. Começamos a falar de alguns indicadores relevantes, tais como QR codes nas embalagens que contam a história do projeto e conectam o consumidor à iniciativa.”
Diante desse cenário, a visão da Yattó para os próximos dez anos é transformar a economia circular de diretriz estratégica em modelo econômico consolidado. “A empresa que não se atentar já ao tema de economia circular e não relacionar isso à estratégia de longo prazo do negócio, tende a falhar”, alertou o CEO, comparando o fenômeno à digitalização: “empresas que ignoraram a internet desapareceram, enquanto outras se tornaram líderes”.
O vídeo, na íntegra, está disponibilizado no nosso canal do YouTube, o ClienteSA Play, junto com as outras 1361 lives realizadas desde março de 2020, em um acervo que já passa de 4,2 mil vídeos sobre cultura cliente. Aproveite para também se inscrever. A Série Entrevista ClienteSA, volta no dia 07 de julho. Porém, durante esse período, aproveite para acompanhar a cobertura do ClienteSA X-Summit, além das transmissões ao vivo no canal nos dias 29 e 30 de junho.




















