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Marlon Tseng, CEO & cofounder da Pagsmile

O impacto real de uma estratégia de pagamentos mal estruturada

Mais do que processar transações, os pagamentos hoje representam uma ferramenta estratégica de crescimento

Autor: Marlon Tseng

Em um ambiente digital cada vez mais competitivo, a experiência de pagamento deixou de ser apenas uma etapa operacional para se tornar um fator decisivo na conversão e na fidelização de clientes. Ainda assim, muitas empresas continuam tratando os pagamentos apenas como uma infraestrutura técnica, sem perceber o impacto direto que uma estratégia mal estruturada pode gerar na experiência do consumidor, e, consequentemente, nos resultados do negócio.

Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Segundo levantamento do Baymard Institute, a taxa média global de abandono de carrinho ultrapassa 70%, e uma parcela significativa dessas desistências acontece justamente na etapa final do checkout. Entre os principais motivos estão custos extras inesperados, processos longos ou complexos e falta de confiança na operação de pagamento.

Na prática, isso significa que empresas investem cada vez mais em marketing, aquisição de clientes e experiência digital, mas ainda perdem vendas no momento mais crítico da jornada: o pagamento.

O consumidor digital atual espera rapidez, simplicidade e segurança. Ele quer concluir uma compra em poucos cliques, utilizando o método de pagamento com o qual já está acostumado. Quando encontra barreiras como ausência do Pix, limitações de parcelamento, falhas na aprovação ou taxas pouco transparentes, a tendência é abandonar a compra e buscar outra opção.

No Brasil, essa realidade é ainda mais evidente. Dados do Banco Central mostram que o Pix ultrapassou a marca de 79 bilhões de operações só em 2025 e se consolidou como um dos principais meios de pagamento do país em poucos anos. Ao mesmo tempo, o parcelamento continua sendo um diferencial importante para o consumidor brasileiro, especialmente em compras de maior valor agregado.

Ignorar essas particularidades locais pode comprometer diretamente a conversão de empresas nacionais e internacionais. Muitas operações estrangeiras que entram no mercado brasileiro ainda adotam modelos padronizados de checkout, sem adaptação aos hábitos de consumo locais. O resultado costuma ser um aumento nas recusas, abandono de carrinho e perda de competitividade.

Além da conveniência, existe um fator cada vez mais determinante: confiança. Dados do Mapa da Fraude 2025, da ClearSale, mostram que somente em 2024 foram registradas 2,8 milhões de tentativas de fraude no comércio digital brasileiro, movimentando cerca de R$ 3 bilhões em transações suspeitas. Essa questão torna o consumidor mais atento à segurança das transações digitais. Quando um pagamento falha repetidamente, exige etapas excessivas ou transmite pouca credibilidade, a percepção de risco aumenta imediatamente.

Esse problema impacta diretamente a relação entre marca e consumidor. Afinal, o cliente não diferencia a experiência de compra da experiência de pagamento. Para ele, tudo faz parte da mesma jornada. E qualquer atrito no checkout pode comprometer não apenas aquela venda, mas também futuras interações com a marca.

Outro ponto relevante envolve a transparência das taxas. Custos adicionais exibidos apenas na etapa final da compra continuam sendo um dos maiores gatilhos de desistência. Isso mostra como a estrutura financeira e operacional influencia diretamente a experiência do cliente. Uma estratégia de pagamentos eficiente precisa reduzir fricções, otimizar aprovações e tornar toda a jornada mais previsível e intuitiva.

No comércio cross-border, esse desafio se torna ainda maior. Segundo dados da Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI), consumidores tendem a confiar mais em empresas que oferecem meios de pagamento locais, preços em moeda nacional e experiências adaptadas à sua realidade. Ou seja: localização deixou de ser apenas uma estratégia de marketing e passou a ser uma necessidade operacional.

Mais do que processar transações, os pagamentos hoje representam uma ferramenta estratégica de crescimento. Empresas que entendem esse movimento conseguem aumentar taxas de conversão, reduzir abandono de carrinho e fortalecer o relacionamento com seus clientes.

No fim do dia, uma estratégia de pagamentos mal estruturada não impacta apenas indicadores financeiros. Ela afeta a reputação, confiança e experiência do consumidor, três ativos que se tornaram fundamentais na economia digital.

Marlon Tseng é CEO da Pagsmile.

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