Cresce o interesse por modelos de mobilidade que ofereçam conveniência, previsibilidade e flexibilidade de custos — fatores relevantes especialmente para o jovem adulto
Autora: Simone Moras
A mobilidade está em transformação e, no centro dessa mudança, está a liberdade de escolha do cliente e a construção das alavancas certas do lado da oferta. A combinação entre tecnologia, digitalização e novos hábitos ampliou as formas de acessar um veículo. Enquanto soluções urbanas inteligentes avançam e o mundo caminha rumo ao net zero, a posse do automóvel segue relevante, especialmente em mercados como o brasileiro. Ao mesmo tempo, crescem alternativas complementares, como assinatura, locação e modelos sob demanda.
Pesquisas recentes reforçam essa pluralidade. Segundo o Global Automotive Consumer Study 2025, da Deloitte, jovens consumidores demonstram maior abertura a formatos flexíveis, sobretudo em países com transporte público estruturado ou com alto custo de propriedade. No Brasil, porém, essa abertura não significa substituição da posse, mas sim convivência entre diferentes formas de acesso. A relação com o carro permanece marcada por simbolismo, independência e funcionalidade, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Mesmo com maior interesse por flexibilidade, a propriedade continua desempenhando papel central e convivendo de forma complementar com novos modelos de uso.
Os números do mercado confirmam esse movimento. Projeções da K. LUME Consultoria indicam que a venda de carros e comerciais leves novos deve encerrar 2025 com avanço de 2,5%, alcançando 2,55 milhões de veículos vendidos. Entre janeiro e setembro, os emplacamentos cresceram 3,2%, somando 1,8 milhão de unidades — acima das 1,75 milhão registradas no mesmo período de 2024. Esses dados evidenciam a vitalidade da demanda e a importância da posse para o consumidor brasileiro mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.
A “Jornada de Compra Automotiva 2025” mostra que 58% dos brasileiros associam ter um carro a sucesso e estabilidade financeira, e 81% consideram a realização de um sonho. Esses indicadores ajudam a explicar por que a jornada de financiamento segue como pilar estruturante do mercado, sobretudo para quem enxerga o carro como patrimônio e instrumento de trabalho.
Ao mesmo tempo, cresce o interesse por modelos de mobilidade que ofereçam conveniência, previsibilidade e flexibilidade de custos — fatores relevantes especialmente para o jovem adulto, que avalia mensalidade, manutenção, seguro e praticidade. Trata-se, no entanto, de uma equação complexa do lado da oferta, que exige a soma de forças ao longo de todo o ciclo de vida do carro: da captação e compra à prestação de serviços, passando pela gestão do ativo e chegando à revenda bem-posicionada.
O cenário que se consolida, portanto, não é mais o de “usar em vez de ter”, mas o de escolher o que faz mais sentido em cada momento de vida. Consumidores alternam entre posse, uso e assinatura conforme conveniência, renda, propósito e necessidade. Empresas que insistem em tratar esses modelos como excludentes tendem a perder relevância. Já aquelas que ampliam seus portfólios combinando crédito, locação, assinatura e serviços digitais, acompanham essa evolução e atendem de forma mais eficiente às expectativas reais de seus clientes.
Nesse contexto, o papel das empresas torna-se ainda mais estratégico. Não basta oferecer produtos, é preciso integrar canais, interpretar dados, antecipar comportamentos e orquestrar jornadas que respeitem diferentes perfis de consumo e tornem viável a entrega de valor ao longo do tempo. Ao conectar experiência, conveniência e propósito, as companhias fortalecem sua atuação e ampliam a fidelização ao longo de toda a jornada de mobilidade e da vida útil do próprio ativo carro.
No Brasil, onde convivem múltiplas formas de deslocamento, a posse seguirá relevante por muitos anos, ao mesmo tempo em que os formatos de uso continuarão evoluindo e se especializando. O valor não está apenas no modo de acesso, mas na experiência completa. Por isso, oferecer alternativas que conversem com necessidades reais será essencial para atender um consumidor que busca mobilidade sob medida — e a liberdade de poder ter, usar ou alternar.
Simone Moras é diretora de marketing & vendas da Volkswagen Financial Services Brasil.




















