Edson Vasconcelos, CEO e fundador da Ecomm|it

Black Friday maior exige mais das operações de pagamento

A expansão do comércio eletrônico não representa somente uma oportunidade de faturamento, mas exige que o empreendedor compreenda como o consumidor está comprando e adapte o negócio a essa dinâmica

Autor: Edson Vasconcelos

A Black Friday de 2026 deve movimentar R$ 13,3 bilhões no e-commerce brasileiro, 20,7% acima do registrado no ano passado. Para o varejo, porém, aproveitar esse crescimento exige mais do que descontos competitivos e campanhas bem posicionadas. À medida que os consumidores distribuem suas compras por diferentes datas promocionais, as empresas precisam rever como planejam estoques, dimensionam equipes, organizam pagamentos e administram a operação ao longo do ano. O desafio deixa de ser apenas vender mais em novembro e passa a ser responder a uma demanda cada vez mais distribuída, sem comprometer a rentabilidade e a experiência de compra.

Os dados da Confi ajudam a dimensionar essa mudança. Entre janeiro e setembro, o comércio eletrônico registrou 1,20 bilhão de pedidos, alta de 34,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de produtos vendidos cresceu 19,2%, enquanto o tíquete médio caiu 13,4%, para R$ 268,20. A combinação sugere um consumidor que realiza mais pedidos, mas gasta menos por compra, cenário que exige atenção à composição das vendas, aos custos operacionais e às margens. Para o empreendedor, aumentar o faturamento não significa necessariamente ampliar o lucro na mesma proporção.

As datas promocionais também alteram o planejamento comercial. O 11/11 deve movimentar R$ 3,17 bilhões neste ano, consolidando-se como uma das principais concentrações de vendas do calendário. Com a Cyber Monday e outras campanhas, novembro passa a reunir diferentes momentos de pico. Isso exige que o varejista distribua melhor seus recursos, planeje compras e estoques com antecedência e avalie o retorno de cada ação promocional, em vez de concentrar toda a estratégia em uma única data.

Essa mudança também aumenta a importância da infraestrutura tecnológica e financeira. Uma campanha pode atrair consumidores, mas falhas nos pagamentos, instabilidades nos sistemas ou dificuldades na integração entre plataformas podem interromper a conversão justamente quando a demanda está mais alta. Para evitar que esses problemas comprometam as vendas, empresas precisam avaliar se suas operações estão preparadas para absorver picos sucessivos, processar transações com segurança e manter uma experiência consistente em diferentes canais.

O uso de dados pode ajudar a tornar essa preparação mais precisa. Histórico de vendas, padrões de consumo e indicadores operacionais permitem antecipar períodos de maior demanda, ajustar estoques e dimensionar recursos. A inteligência artificial também pode apoiar previsões e identificação de comportamentos atípicos, desde que acompanhada de governança e critérios claros de decisão. O valor dessas ferramentas está na capacidade de orientar escolhas comerciais e operacionais, não apenas em processar grandes volumes de informação.

A expansão do comércio eletrônico, portanto, não representa somente uma oportunidade de faturamento. Ela exige que o empreendedor compreenda como o consumidor está comprando e adapte o negócio a essa dinâmica. Em um calendário promocional cada vez mais pulverizado, a vantagem competitiva não depende apenas de oferecer preços atrativos, mas de coordenar estoque, margem, tecnologia e pagamentos para transformar o aumento da demanda em resultado sustentável.

Edson Vasconcelos é CEO e fundador da Ecomm|it.

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