Levantamento da Binds.co mostra que 72,4% dos consumidores que priorizam confiança estão em instituições tradicionais
A digitalização mudou a maneira como os brasileiros movimentam dinheiro, fazem pagamentos e se relacionam com instituições financeiras, mas ainda não deslocou completamente um dos principais ativos dos bancos tradicionais: a confiança. Levantamento da Binds.co, empresa de dados e inteligência de mercado especializada em CX, mostra que 72,4% dos consumidores que apontam confiança como principal motivo para escolher sua instituição financeira estão em bancos tradicionais. Quando o motivo é a facilidade do aplicativo, a lógica praticamente se inverte: 88,5% estão em bancos digitais.
O cruzamento, feito a partir do estudo “O Novo Comportamento Financeiro do Brasileiro”, revela uma divisão mais profunda do que a preferência entre banco tradicional ou digital. Os dois modelos parecem conquistar consumidores por razões diferentes: enquanto instituições digitais se destacam pela conveniência da experiência, as tradicionais permanecem associadas aos atributos que reduzem a percepção de risco na relação financeira.
Os demais números da pesquisa reforçam essa leitura. Confiança é o principal motivo individual para a escolha de uma instituição financeira, citada por 39,3% dos entrevistados. Quando os consumidores podem apontar mais de um fator relevante para essa decisão, segurança e proteção de dados chegam a 58,2% das respostas – uma incidência 6,6 vezes superior à do cashback. A força da reputação aparece de maneira ainda mais evidente entre os consumidores que apontaram “marca conhecida” como principal razão para escolher uma instituição: nesse grupo, 100% utilizam bancos tradicionais.
Para Leandro Cabral, CEO da Binds.com, os resultados mostram que a disputa entre instituições financeiras deixou de acontecer apenas em torno de funcionalidades e passou a envolver diferentes dimensões da experiência. “Os bancos digitais conseguiram transformar facilidade e conveniência em atributos muito claros para o consumidor. Os tradicionais, por outro lado, continuam concentrando algo mais difícil de construir: confiança. O desafio competitivo agora é justamente atravessar essa fronteira. Para os digitais, significa transformar uma boa experiência funcional em uma relação percebida como segura e confiável. Para os tradicionais, é entregar a mesma confiança com uma experiência cada vez mais simples”.
Conveniência conquista; confiança protege a relação
Os dados também ajudam a explicar por que adicionar novas funcionalidades ou benefícios pode não ser suficiente para alterar a escolha do consumidor. Se segurança e proteção de dados aparecem 6,6 vezes mais do que cashback entre os fatores considerados na decisão, atributos ligados à confiança podem funcionar como uma espécie de barreira competitiva mesmo em um mercado no qual produtos e serviços financeiros se tornaram cada vez mais semelhantes.
Ao mesmo tempo, a concentração de 88,5% dos consumidores orientados pela facilidade do aplicativo nos bancos digitais mostra que a experiência também construiu uma vantagem concreta para essas instituições. O aplicativo deixa de ser apenas um canal e passa a participar diretamente da escolha da marca financeira.




















