Consumidores evitam compra de medicamentos para pets em marketplaces

Pesquisa encomendada pelo Sindan indica que a falta de confiança na origem dos produtos é a principal barreira para compras on-line

O comércio eletrônico ampliou a oferta de medicamentos veterinários, mas ainda não conquistou a confiança de quem cuida de cães e gatos. Entre os responsáveis por pets que evitam os marketplaces para essa compra, a dúvida sobre a origem do produto supera todos os outros motivos, à frente de preço, prazo de entrega e falta de promoções, segundo o “Radar Pet”, estudo da Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindan – Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal.

O levantamento, elaborado em parceria com o Instituto Qualibest entre os meses de junho e julho deste ano, ouviu 2.613 responsáveis de 20 a 65 anos, das classes A, B e C, de todas as regiões do país. Desse total, 1.902 pessoas afirmaram não comprar remédios para o pet em marketplaces, sites que reúnem vendedores e produtos de várias categorias, e foram questionadas sobre o motivo. Para 28,4% dos respondentes, a principal razão é a falta de confiança na origem do medicamento ou o receio de ele ser falsificado. 

Alta recorrência

A compra desses produtos é frequente. Do total de entrevistados, 26% haviam feito a última aquisição nos sete dias anteriores à pesquisa, 17% nos 15 dias anteriores e 30% no último mês, o que soma 73% com compra recente. Outros 22% compraram nos últimos seis meses e 6% no último ano. A decisão é individual em 55% dos casos, sem consulta a outra pessoa da casa, e esse comportamento é mais comum entre as mulheres, com 59%, e entre quem cuida de cães e gatos ao mesmo tempo, com 65%. Os homens dividem mais a escolha ao decidir em conjunto.

Barreiras de consumo

O motivo para não comprar em um canal varia conforme o tipo de ponto de venda. No ambiente digital, o receio se concentra nos marketplaces, sites que reúnem vendedores e produtos de várias categorias. Ali, a dúvida sobre a autenticidade do medicamento pesa mais do que em qualquer outro canal pesquisado. A mesma preocupação aparece, com menos força, na compra por WhatsApp de pet shops de bairro. Já nos sites e aplicativos das redes de pet shop, a barreira é outra: o responsável sente falta de promoções e cupons. Os aplicativos de entrega reúnem as duas queixas, a de preço sem vantagem e a de dúvida sobre a origem do produto.

No varejo físico, a origem do medicamento quase não é questionada e o obstáculo é o preço. É o que afasta o responsável dos pet shops de bairro, dos pet shops de rede e da compra direta com o médico-veterinário. Nas agropecuárias e aviários, o motivo é mais simples: a maioria dos responsáveis por cães e gatos não conhece esse canal como opção de compra.

“O responsável está mais informado e quer participar das decisões sobre a saúde do animal. A pesquisa mostra que, no ambiente digital, a principal dúvida dele é a procedência do medicamento. Sem a garantia de que o produto é original, a compra não acontece”, afirmou Gabriela Mura, diretora de mercado e assuntos regulatórios do Sindan. 

Percepção de preço e Plano de Saúde

A etapa qualitativa da pesquisa, com quatro grupos de discussão, ajuda a explicar a percepção de preço. Os responsáveis relatam que falta parâmetro para avaliar o valor de um medicamento veterinário, diferentemente do que ocorre com o remédio humano, e identificam classes mais caras, como antibióticos e analgésicos. Medicamentos de uso recorrente exigem gastos constantes, e parte dos participantes admite espaçar a compra além do recomendado. É um comportamento que compromete o tratamento e abre espaço para a busca de ofertas mais baratas em canais sem procedência clara.

O “Radar Pet” também mediu a adesão a planos de saúde para animais. Apenas 18% dos responsáveis têm um plano, com presença maior entre os de 20 a 30 anos (28%), entre quem tem pet com problema crônico (33%) e entre moradores de capitais (23%). A cobertura para emergências, citada por 54%, é o principal motivo da contratação, seguida pela redução de gastos com cuidados veterinários (49%), pela garantia de consultas de rotina (48%) e pelo acesso a exames e procedimentos (46%). Entre quem considerou e não contratou, pesam o custo e a rede credenciada limitada, sobretudo fora das capitais.

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