A crise financeira contribui para o colapso?

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O mundo vive um momento de incerteza e instabilidade econômica. Essa realidade faz com que as empresas e investidores estrangeiros, queiram trazer seus capitais para o Brasil. “O País é, neste momento, uma ilha de prosperidade. Há um claro pessimismo internacional, e, ao mesmo tempo, um olhar de esperança voltado para o Brasil.  Isto, de certa forma, cria um sentimento dicotômico.  Os países estão com pouco capital, por um lado, e, por outro, querem trazer este capital para o Brasil” comenta o Sócio-Fundador da Enjourney Consultoria e Capacitação, Rafael Paim.  


O executivo lembra ainda da necessidade de uma boa gestão que preze, em um primeiro momento, pelo essencial – a sobrevivência empresarial, diante de um cenário de crise econômica e do seu contraste com a realidade brasileira. “Estamos em uma economia cada vez mais inovadora.  Neste tipo de ambiente, mitigar riscos e gerir melhor não é um diferencial, mas, simplesmente, um critério qualificador para quem entra e sobrevive no mercado” explica.


Independentemente da crise mundial, existem fatores básicos, até certo ponto, comuns, que podem determinar a falência de uma instituição financeira. “São causas típicas de falência: baixa estruturação de processos internos, em especial com desenhos mal concebidos, pouca agilidade, baixa transparência, controle inadequado, seja em excesso ou mesmo insuficiente; e um ambiente regulatório com pouca capacidade de perceber e agir rapidamente” aponta.   


Ainda segundo o gestor da Enjourney, outro fator atual, cada vez mais comum no Brasil, e que também pode determinar o colapso de uma financeira é a elevada taxa de inovação diante da ausência de um campo robusto para testes dos novos produtos. “Embora bem vindos, fatores de diferenciação, bem aplicáveis e necessários ao momento econômico brasileiro, estes produtos e serviços precisam ser cuidadosamente geridos.  Outros fatores, tais como qualificação dos gestores e fraude, potencializam os riscos” afirma.


O debilitado momento da economia no mundo impacta no cotidiano do mercado de crédito e cobrança brasileiro, mas o governo, com suas normativas e medidas, também tem sua parcela de contribuição em um possível enfraquecimento das empresas e instituições, como orienta o executivo. “O Brasil está prosperando, mas o governo ainda deve se aproximar mais das empresas e instituições.  Temos, até pela levada carga tributária, uma participação grande do governo na economia. Contudo, independente do tamanho da participação do governo na economia o fundamental é que seja eficaz, bem gerida e orientada para a sociedade” evidencia.


Mesmo com esse cenário antagônico que apresenta um desenvolvimento econômico no Brasil e uma desaceleração da economia mundial, Rafael Paim termina reafirmando a importância de uma gestão empresarial sóbria nas instituições financeiras, que possa aliviar os efeitos da crise, e, sobretudo, antecipá-los, evitando um possível colapso corporativo. “É preciso acompanhar o mercado e ficar atento às respostas de clientes e, sobretudo, aos movimentos macro e microeconômicos. Este acompanhamento, contudo,  deve ser seguido de atenção diferenciada para a gestão dos processos. Há que se ter, em especial, uma estrutura de governança sobre os processos, com indicadores e ferramentas de gestão que levem os gestores a perceberem e agirem a tempo para rever um baixo desempenho ou reforçar processos que vem recebendo maior demanda e não estão robustos e estruturados” conclui.