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Há um abismo separando o meio acadêmico e as empresas no Brasil?

ClienteSA News debate os desafios na educação profissional e aponta colaboração como chave para evolução

A distância entre academia e mercado no Brasil expõe uma desconexão estrutural que impacta diretamente a formação profissional. Enquanto universidades ainda operam com modelos consolidados e, em alguns casos, referências defasadas, empresas avançam em ritmo acelerado, exigindo competências analíticas e visão sistêmica cada vez mais sofisticadas. Um cenário crítico que aponta para a necessidade de uma aproximação ativa entre os dois mundos, com currículos orientados por desafios reais e participação direta da iniciativa privada, como ficou claro na 60ª edição do ClienteSA News, que reuniu Erika Martins, coordenadora do curso de Administração da ESPM, João Pedro Sant’Anna, CEO da SellersFlow, além dos cohosts Vilnor Grube, CEO da ClienteSA, Rodrigo Tavares, partner da IN Digital, e Wellington Paes, CEO do Conexão Customer.

O encontro foi aberto por Vilnor, que fez uma breve exposição de como surgiu a ideia do tema. Após uma conversa, ele notou, a partir do uso de um termo, o abismo entre o que se ensina nas instituições acadêmicas e o que realmente acontece nas corporações. Erika destacou que poucas instituições estão fazendo o link efetivo entre teoria e prática. “A academia tem um papel fundamental em aproximar-se do mercado corporativo. Não se trata apenas de ensinar conceitos, mas de entender as demandas reais que as empresas enfrentam.”

A observação reflete uma realidade levantada no bate-papo: enquanto universidades desenvolvem currículos baseados em modelos consolidados, o mercado evolui em velocidade maior, criando uma lacuna significativa. Por sua vez, João complementou essa perspectiva ao ressaltar que a iniciativa privada tem contribuição essencial nesse processo. “As empresas precisam demandar e as instituições precisam responder. Quando há essa demanda clara, surgem alternativas inovadoras de formação. Essa dinâmica de mercado-academia cria um ciclo virtuoso onde a necessidade impulsiona a inovação educacional.”

O debate também trouxe exemplos internacionais de países que conseguiram estabelecer essa ponte entre academia e mercado. Esses modelos funcionam como “bússolas” para orientar o próprio mercado, conforme mencionado durante a live. A profissionalização não acontece por acaso, mas como resultado de um esforço coordenado entre instituições de ensino, empresas e profissionais. “O buraco, às vezes, é bem mais embaixo, mas tem caminhos muito legais que estão se discutindo. Essa metáfora ilustra bem a complexidade do desafio. Não se trata apenas de ajustes superficiais nos currículos, mas de uma reformulação profunda de como pensamos a formação de profissionais de customer experience”, pontuou Vilnor.

No diagnóstico de Rodrigo, a maioria dos profissionais de CX vem do atendimento, mas não desenvolve capacidade analítica. O resultado? Não conseguem enxergar a jornada como sistema nem conectar experiência do cliente com resultado do negócio. “Precisamos formar arquitetos e orquestradores, não somente operadores.” Enquanto para Wellington, o Brasil não tem problema de talento, tem problema de formação que não acompanha o mundo real. “Muitos saem da faculdade com diploma, mas sem capacidade de análise ou de se encaixar no mercado. A diferença entre quem vai longe e quem fica para trás não é o nome da instituição, mas a mentalidade de aprendizado contínuo e a capacidade de aplicar teoria na prática.”

Nessa linha, Erika explicou que a ESPM parou de usar cases de Harvard e adotou casos reais com 70% das disciplinas apadrinhadas por empresas com dores verdadeiras. “Resultado prático: alunos apresentaram soluções que levaram meses para times inteiros desenvolverem. A teoria só funciona quando testada na prática.” A conclusão do encontro foi de que o caminho para a profissionalização passa necessariamente pela colaboração. Universidades precisam ouvir o mercado, empresas precisam compartilhar as demandas e profissionais precisam estar dispostos a aprender continuamente. O vídeo com a conversa, na íntegra, está disponível no YouTube, no canal ClienteSA Play, compondo um acervo em cultura cliente que já passa de 4,1 mil vídeos.

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