Segundo estudo da Criteo, mais de 70% dos consumidores encaminhados por IA agora chegam diretamente às páginas de produtos
A inteligência artificial está acelerando a jornada do consumidor da descoberta dos produtos até a intenção de compra, mas a etapa final ainda ocorre, em sua maioria, nos sites de varejistas e marcas. De acordo com o novo estudo “Commerce & AI Trend Report” da Criteo, plataforma global de inteligência de comércio, mais de 70% dos usuários direcionados por assistentes de compras baseados em IA agora chegam diretamente às páginas de produtos, mostrando que os consumidores estão entrando na jornada de compra em estágios mais avançados do funil.
À medida que os assistentes de IA se tornam mais integrados às experiências de compra, movimento frequentemente descrito como a ascensão do comércio agêntico, a confiança, catálogos de produtos precisos e first-party data continuam sendo fatores essenciais para determinar onde os consumidores efetivamente concluem suas compras.
O estudo entrevistou seis mil consumidores nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Japão e Coreia do Sul, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2026, para entender como ferramentas baseadas em IA estão remodelando o comportamento de compra.
IA está transformando a descoberta, não substituindo os varejistas
O relatório “Commerce & AI Trend Report” sugere que, embora a IA esteja transformando a forma como as pessoas encontram produtos, comparam opções e tomam decisões, ela atua como uma assistente. A compra ainda ocorre principalmente nos sites de varejistas e de marcas confiáveis, devido a preocupações relacionadas à privacidade e à desinformação.
“Mais de 70% dos consumidores direcionados por IA agora chegam diretamente às páginas de produtos, em comparação com 50% no ano passado. Os consumidores chegam com uma intenção de compra mais forte, o que torna ainda mais importante que as marcas e os varejistas garantam que os dados dos produtos estejam precisos e atualizados”, explicou Tiago Cardoso, diretor geral da Criteo para a América Latina.
Pelo menos 39% dos usuários utilizam IA para descobrir novos produtos e 38% para encontrar ofertas. Além disso, 55% dos consumidores globais são extremamente cautelosos ao compartilhar informações relacionadas a pagamentos com assistentes de IA. Segundo Cardoso, “à medida que as ferramentas de IA pré-filtram as opções, os consumidores chegam com uma intenção mais clara. Isso significa que páginas dos produtos e dados de catálogo precisos estão se tornando mais importantes do que a navegação tradicional pela homepage”.
Privacidade importa, mas confiança importa ainda mais
A privacidade aparece como uma das principais preocupações (46%) nas compras assistidas por IA, especialmente no que diz respeito a dados pessoais ou localização (57%) e informações de pagamento (55%). Ainda assim, muitos consumidores (52%) estão dispostos a compartilhar informações dependendo do contexto.
Com a multiplicação de conteúdos falsos ou enganosos, assim como de players de baixa qualidade, a confiança, a autoridade e a reputação de marca tornam-se fatores decisivos para os consumidores. Ao todo, 52% dos participantes afirmaram temer serem enganados por conteúdos falsos ou enviesados.
“À medida que o comércio agêntico evolui, as preocupações dos consumidores estarão cada vez mais concentradas em confiança e segurança. Os consumidores querem saber que as informações que veem são precisas e que seus dados e métodos de pagamento estão protegidos. Com o tempo, podemos ver novos sinais de confiança, como selos de verificação ou indicadores de autenticidade, se tornarem parte da experiência de compra”, afirmou o executivo.
Consumidores querem descoberta, não apenas personalização
Os consumidores buscam varejistas, marcas e assistentes de IA que consigam surpreendê-los com descobertas intencionais e curadoria com intervenção humana. Ao todo, 56% dos entrevistados gostariam que as recomendações de produtos sugerissem opções além das correspondências exatas ao que procuraram. A relevância precisa evoluir de “personalização perfeita” para uma “serendipidade algorítmica”.
A hiperpersonalização pode reduzir a descoberta. Como consequência, é possível que os consumidores queiram alternar seus assistentes para diferentes modos de exploração, como “Desafie meu estilo” ou “Maximalista”, que intencionalmente ignoram dados anteriores para ampliar horizontes.
Assistentes de IA estão impulsionando tráfego de maior intenção
As ferramentas de IA estão impulsionando o comércio online ao utilizar novos formatos de entrada (voz, imagem e busca conversacional) para reduzir barreiras. O tráfego gerado por assistentes de IA para os varejistas é de alta qualidade, com maior engajamento. Dados da Criteo nos Estados Unidos indicam que visitas impulsionadas por IA têm taxas de conversão 1,5 vez maiores do que outros canais, confirmando a alta intenção desses usuários. “O sucesso, cada vez mais, não dependerá da visibilidade em feeds ou resultados de busca, mas sim da clareza com que uma marca é compreendida pelos sistemas de IA”, concluiu Cardoso.




















