CEO da Kure conta como a empresa veio evoluindo o modelo de negócio atuando como uma B Corp
Nascida para aproximar a saúde de quem mais precisa, a Kure hoje vai muito além dos consultórios sobre rodas: leva alimentação, banheiro e lavanderia a regiões atingidas por desastres climáticos e mede o retorno social de cada real investido. Cada unidade móvel nasce da escuta ativa das comunidades atendidas, adaptando-se à realidade local, do sertão às periferias urbanas. Cultura, dados de impacto e desenho centrado no cliente sustentam essa expansão sem diluir a essência humanizada do cuidado, convertendo propósito em resultados, como garantiu Iseli Reis, CEO da Kure, hoje (14), na 1366ª edição da Série Entrevista ClienteSA.
A executiva começou contando a história da empresa, criada em 2005 pelo médico Roberto Kikawa, seu primo, já falecido, inicialmente focada em unidades móveis de saúde. “O objetivo, que se mantém até hoje, era o de levar atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade. A Kure trabalha com a ‘Teoria da Mudança’, que é criar KPI’s com impacto social mensurável. Temos o selo internacional de B Corp, que é uma certificação de endereçamento efetivo de ESG com verdadeiro impacto social.” Segundo explicou, o conceito de B Corp, ainda pouco difundido no Brasil, indica que a empresa precisa entregar muito mais do que só um produto. “A mesma importância que se dá para o ROI, tem que ser dada para os números de impacto social”. A certificação exige mais de 280 pontos de auditoria e prova documentada de que a empresa realmente endereça ESG em essência.
Nesse contexto, Iseli enfatizou que a Kure nasceu de um sonho simples, mas transformador: levar medicina até as pessoas, em vez de as pessoas irem até os médicos. “O Brasil é campeão em desigualdade de acesso à saúde. A média que o brasileiro percorre para chegar a um consultório é de 75 quilômetros. A empresa transformou carretas, vans e containers em ambientes de saúde móvel, levando atendimento médico, odontológico e oftalmológico para comunidades de alta vulnerabilidade social.” Porém, atualmente, a Kure também atua em crises climáticas, oferecendo alimentação, banheiro e lavanderia em regiões afetadas por desastres.
Nesse trabalho, a visão cliente na Kure começa no design. Antes de chegar com uma unidade móvel em uma comunidade, a empresa conversa com líderes locais para entender a cultura. Quando levou uma unidade de oftalmologia para o sertão, descobriu que as pessoas não tinham nem sapato. Precisava de um piso que não escorregasse descalço. “Além disso, adianta levar um oftalmologista se a pessoa não tem onde comprar óculos? A solução foi criar um espaço dentro da unidade para fabricar óculos resistentes.”
Conforme assegurou a CEO, o grande diferencial da Kure está em como mensura o impacto. Não é apenas sobre números de atendimentos ou quantidade de unidades. A empresa desenvolveu KPIs qualitativos de longo prazo. “Quando você pensa em impacto social, você tem que pensar em curto, médio e longo prazo, da mesma forma como se pensa em qualquer negócio.” A empresa se propõe a ser influenciadora de pessoas e empresas para mudarem o jeito de pensar, deixando de ser apenas negócio para ser um empreendimento com propósito. Além disso, calcula o ROI social: de cada real investido, quanto retorna em economia para o sistema ou para a sociedade em geral.
Ao responder uma indagação da audiência, sobre como escalar sem perder a essência humanizada, ela foi rápida na resposta: é pela cultura. Quando o primo e cofundador faleceu, a empresa poderia ter sido fechada, mas isso não aconteceu. “Quando o propósito e o valor são maiores do que as pessoas, você perpetua com qualidade.” Ela aprendeu a ser estratégica, certificou a empresa como B Corp e ganhou o prêmio de Empreendedor Social do Ano em 2020. A cultura forte, o que ela chama de “DNA do amor”, permitiu que a empresa continuasse crescendo com propósito. “Isso é o que diferencia empresas que realmente fazem impacto daquelas que apenas fazem marketing social.”
O vídeo, na íntegra, está disponível no nosso canal do YouTube, o ClienteSA Play, junto com as outras 1365 lives realizadas desde março de 2020, em um acervo que já passa de 4,2 mil vídeos sobre cultura cliente. Aproveite para também se inscrever. A Série Entrevista ClienteSA prosseguirá amanhã (15), recebendo Juliane Lopes, VP de customer success & experience da Gupy, que abordará a retenção, expansão e geração de valor ao longo da jornada; na quinta, será a vez de Bianca Ricco, diretora de relacionamento com clientes da Prime Energy; e, encerrando a semana, o Sextou debaterá o tema “Legal CX: Qual a maturidade da cultura cliente nos escritórios de advocacia?”, reunindo Katsuren Machado, advogada e consultora especialista em legal customer experience, Danielle Serafino, sócia do Opice Blum, Marinis Pigossi, sócia do Cepeda Advogados, e Taís Carvalho, gerente jurídico do Grupo Prima.




















