ClienteSA News reúne especialistas para debaterem como o mercado vem praticando as práticas ambientais
A adoção de práticas de ESG nas empresas atravessa um momento de revisão, deixando para trás o entusiasmo inicial para enfrentar cobranças cada vez maiores por coerência, transparência e impacto real. Nesse cenário, muitas empresas ainda confundem resultados imediatos com transformação efetiva de longo prazo, sem contar aquelas que praticam greenwashing. Não bastasse, ainda há os desafios regulatórios, especialmente para pequenas e médias empresas, além da necessidade da educação na formação de futuras gerações mais críticas e conscientes sobre sustentabilidade e responsabilidade corporativa. Essas reflexões fizeram parte da 62ª edição do ClienteSA News, realizada ontem (11), e que reuniu os convidados Gustavo Di Risio. diretor geral da Merco no Brasil, e Marcio Lino, fundador e CEO da Collin, recebidos pelos cohosts Vilnor Grube, CEO da ClienteSA, Rodrigo Tavares, partner da IN Digital, e Wellington Paes, CEO do Conexão Customer.
Com uma provocação logo de início, Wellington disse ser necessário, ao estabelecer uma cultura de ESG, se está buscando resultado ou impacto – e qual a diferença entre esses dois aspectos. No que Marcio foi rápido e direto: “Quando pensamos em ESG, em ações de curto prazo, o que se quer é mostrar o que se tem, e de modo legal, dificilmente está se falando de impacto, mas de resultado.” Ele exemplificou com educação: contar quantos alunos participaram de um curso não significa que houve impacto real nas notas do Enem ou nos índices de desenvolvimento educacional. “Isso não é impacto, isso é resultado. Impacto é quando você olha no médio e, principalmente, no longo prazo.”
A discussão revelou que o mercado está saindo de uma fase de hype para entrar em responsabilidade corporativa genuína. Gustavo reforçou essa transição: “estamos entrando em uma época de responsabilidade corporativa. Quando se leva para o âmbito de responsabilidade, não interessa quanto custa. Não há a opção de não fazer.” Essa mudança de mentalidade é fundamental porque, segundo ele, ESG não é mais uma escolha estratégica, mas uma obrigação inevitável que vai se consolidar na legislação. O desafio é implementar essas práticas de forma estruturada, não apenas como vitrine.
Nessa linha, um dos maiores perigos identificados pelos especialistas é o greenwashing, prática de comunicar ações sustentáveis sem lastro real. O CEO da Collin alertou para casos emblemáticos onde empresas fazem alarde sobre net zero enquanto a cadeia de fornecimento continua gerando impactos negativos e significativos. “Pega-se a parte que o público vê e esconde a podridão que está atrás da cadeia de fornecimento inteira.” O problema intensifica-se quando regulamentações como a da CVM começam a exigir que impactos sejam registrados em balanços financeiros, criando pressão para que empresas façam contas para as quais estão incapacitadas.
A questão das pequenas e médias empresas também emergiu como crítica na conversa. Com mais de 99% das empresas brasileiras sendo desses portes, impor as mesmas exigências das grandes corporações pode ser prejudicial. Lino propôs simetria regulatória. “Você tem que ter uma trilha. Não adianta declarar que é tudo para todo mundo, porque desanima o pequeno. Este acha que nunca vai conseguir cumprir isso. Se tivéssemos fatias dessa regulamentação daria oportunidade para as pequenas cumprirem apenas determinados itens.” Ainda foi destacado o papel da educação para que as novas gerações cobrem, embora elas já estejam mais atentas a práticas sustentáveis e dispostas a pagar mais por marcas que realmente cumprem o que pregam.
O desafio é preparar profissionais que entendam ESG não como uma sigla isolada, mas como parte integrada da estratégia empresarial. “É preciso começar e trazer para a frente mesmo. As pessoas querem criar um relatório de explicação de algo que elas ainda nem estruturaram. A jornada é longa, mas inevitável”, destacou Rodrigo. O debate prosseguiu acalorado, inclusive em meio a questões levantadas pelo público que acompanhava a live. O vídeo, na íntegra, está disponível no YouTube, no canal ClienteSA Play, compondo um acervo em cultura cliente que já passa de 4,1 mil vídeos.




















