Como o brasileiro gastou em 2020

Dados da Teros Pricing revelam principais mudanças no comportamento financeiro dos consumidores durante a pandemia

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Diante do desconhecimento geral sobre as consequências que a pandemia traria para o mercado braileiro, tanto os governos e empresas, quanto as famílias e pessoas, tiveram de lidar com um período repleto de incertezas e dúvidas. Nesse sentido, o comportamento de compra do consumidor também mudou, como revela a Teros Pricing, que mapeou os diferentes impactos da pandemia sobre os gastos das famílias em 2020, os hábitos de vida e as dinâmicas econômicas.

Os dados da empresa mostram que famílias e empresas voltaram ao consumo gradativamente após o período inicial da crise, no primeiro semestre do ano, marcado por antecipação de compras e de busca por liquidez financeira para passar pelas incertezas da economia. Isso se vê pelo uso maior do cartão de crédito em meados de março, quando os governos estaduais começaram a decretar quarentenas mais rígidas, mas também pela diminuição das transações feitas com débito e pela queda do montante pago pelas famílias por meio de boletos.

O levantamento indica ainda que, no início da pandemia, novos gastos foram postergados e pagamentos foram atrasados. Isso aconteceu tanto porque as famílias decidiram segurar dinheiro em meio às imprevisibilidades econômicas quanto pela necessidade, por parte das empresas, em manter o fluxo de caixa. Os valores mensais voltaram a crescer a partir de junho, apesar do ticket médio de consumo seguir em baixa, mostrando a permanência de uma desconfiança em voltar totalmente às compras.

Da mesma forma, o painel mostra que houve crescimento do volume de compras com o cartão de crédito na metade de março, seguido de forte retração entre o final daquele mesmo mês e o começo de abril. Como esse movimento não se repetiu nas transações feitas a débito, o indicador mostra como as famílias usaram o cartão de crédito no primeiro momento da pandemia para custear estoques da quarentena – que se iniciava ali. Os números sugerem ainda uma aversão das famílias ao endividamento durante todo o período de incertezas mais profundas, e que só se dissipou a partir de setembro.

Observando apenas as transações feitas com cartão de débito, notou-se também como as famílias optaram ou foram forçadas a guardar dinheiro no começo da pandemia, preferindo usar outros meios de pagamento para os gastos básicos, como o cartão de crédito. A partir de julho, as famílias voltaram a comprar usando a liquidez que possuíam – uma tendência que atingiu patamares ainda mais altos a partir de setembro.