Martech se insere na cultura customer centric

Co-fundadores de Bornlogic, Netza e Winnin falam sobre um novo marketing, mais permeado pela tecnologia, em prol dos consumidores

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Fabiana Schaeffer, cofundadora da Netza e Circle Aceleradora de Martechs, André Fonseca, CEO e cofundador da Bornlogic, e Gian Martinez, cofundador e CEO da Winnin
Fabiana Schaeffer, cofundadora da Netza e Circle Aceleradora de Martechs, André Fonseca, CEO e cofundador da Bornlogic, e Gian Martinez, cofundador e CEO da Winnin

Junção dos termos marketing e technology, o conceito de martech, que já representava, conforme sondagens especializadas, quase 30% nos orçamentos de comunicação de agências e empresas, cresceu e se consolidou de forma exponencial no mundo pós-pandemia. Configurando-se em um novo mindset em que a transformação digital ganha relevo em todos os pontos da cadeia de negócios das organizações, a atividade oferece ferramentas e soluções que apoiam desde a análise de dados até o empoderamento de vendedores nos ambientes físicos. E se insere de forma relevante dentro da cultura de customer centric, potencializando conteúdos e formas ao encontro dos novos hábitos dos consumidores. Esses e muitos outros detalhes sobre a aplicação do conceito foram compartilhados, hoje (28), por Fabiana Schaeffer, cofundadora da Netza e Circle Aceleradora de Martechs, André Fonseca, CEO e cofundador da Bornlogic, e Gian Martinez, cofundador e CEO da Winnin durante a 275ª live da série de entrevistas dos portais ClienteSA e Callcenter.inf.br. 

Sócia da Netza, que ajudou a fundar há 21 anos, Fabiana contou que, sendo uma agência voltada para o live marketing, mas já com a vocação para um viés tecnológico, surgiu há quatro anos uma reflexão mais profunda sobre as perspectivas da transformação digital na atividade. Foi quando decidiram criar a Circle, uma aceleradora de martechs. O objetivo, desde o nascimento, está em potencializar negócios e conexões junto a outros empreendedores do marketing e às marcas, “tudo em uma relação ganha-ganha por meio da qual, quem mais lucra é o consumidor. Trata-se de um aprendizado conjunto e contínuo tanto sobre a transformação digital e seus impactos positivos quanto no que refere às jornadas dos clientes, visando torná-las cada vez mais eficazes”.

Em consonância com o aceno da executiva, André lembrou de uma máxima que se tem tornado comum entre seus pares no setor: a transformação digital tem se acelerado tanto de um ano para cá, que a tendência é que o responsável pelo marketing passe a gastar mais dinheiro com tecnologia do que o responsável pela área de TI. E hoje, confirmando isso, já há a previsão que, este ano, somente os responsáveis pelo marketing do varejo no país deverão aplicar cerca de 21 bilhões de dólares em tecnologia, garantiu ele. “Nesse caminho, a missão da Bornlogic é levar transformação digital aos vendedores. Isso significa, tirar esse profissional de trás do balcão e conduzi-lo a um esforço diário de social media, fazendo uso da tecnologia.” Porque, assegurou, enquanto os varejistas se preocupavam na migração para o e-commerce, as lojas estavam abandonadas em termos de comunicação. “Os humanos estão de volta”, exclamou o CEO, detalhando que se trata de colocar o vendedor no centro da estratégia digital, o que será vital para a cultura de customer centric no varejo. Fundada há oito anos, alavancada em uma parceria com o Facebook, a empresa já efetuou campanhas para alguns dos maiores players de toda a América Latina se aproveitando, nas palavras do executivo, da conjunção favorável: a guinada no comportamento dos consumidores, a convergência da tecnologia e as condições para criar um ecossistema que combine eficazmente calor humano com ambiente digital.

Por sua vez, perguntado sobre os motivos de haver abandonado uma carreira executiva bem-sucedida em grandes empresas para se arriscar como empreendedor, Gian falou que o motivo principal foi a visão da onipresença da tecnologia no mundo dos negócios. No seu entender, o que esta faz é agregar inteligência e produtividade aos processos em geral. “A Winnin nasceu, assim, há seis anos, justamente diante da percepção de que as campanhas de marketing, muitas vezes, aplicam volumes expressivos de dinheiro por meio de conteúdos irrelevantes a quem mais interessa que são os clientes. Então, nascemos com o propósito de oferecer tecnologia para ajudar na construção de processos mais inteligentes. Por meio de análise de dados, entendemos qual é o conteúdo relevante para cada audiência, ou seja, uma concepção de ter o cliente no centro de tudo.” Ele explicou que a Winnin oferece uma ferramenta para potencializar a criatividade. “Ajudamos as organizações a entenderem quais os principais meios na preferência dos consumidores e  concluímos sobre a predominância dos vídeos on-line, que já são o presente e o futuro. E ajudamos a dar relevância ao conteúdo dos mesmos.”

 

Indagados sobre uma pesquisa da Gartner realizada há dois anos, dando conta de que quase 30% dos orçamentos de marketing já eram destinados às martechs, André lembrou que se trata, obviamente, de um levantamento pré-pandemia. Segundo ele, de 2020 para cá o faturamento no varejo cresceu exponencialmente pelo digital, duplicando de 4% para 8%, em média, no último ano, sendo uma presença ainda muito maior em alguns segmentos como o de eletroeletrônicos. Então, na sua avaliação, essa participação das martechs se elevou bem mais. “Não só o varejo partiu para iniciativas muito mais digitalizadas, mas as indústrias agora investindo mais em modalidades de direct consumers, social commerce, etc. E nada mais voltará a ser como era antes. As pessoas aprenderam e se acostumaram ao consumo on-line.” Fabiana fez questão de ressaltar, em meio a essa aceleração, o quanto ainda falta de conhecimento mais profundo sobre o que significa martech. E relatou que, embora já existam algumas companhias, fora do universo das startups, que investem em pessoas e conhecimento para aproveitar os benefícios do marketing digital, ainda está longe do ideal. Concordando plenamente, o CEO da Winnin destacou o quanto algumas organizações de todos os portes saíram na frente neste pós-crise por terem apostado na força da tecnologia já no passado. “É necessário o mindset favorável a digitalizar cada ponto da cadeia e martech significa exatamente isso: soluções que tocam diferentes etapas do marketing. Ferramentas que abarcam desde a análise de dados e a geração de insights, até a realização das vendas com sucesso.”

O vídeo com o bate-papo na íntegra está disponível em nosso canal no Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 274 lives realizadas desde março de 2020. Aproveite para também para se inscrever. A série de entrevistas retorna na segunda-feira (31), com a presença de Taccola, diretora de operações de Renner, que falará do ritmo acelerado da reinvenção pelo digital; na terça será a vez de Almeida, CEO e fundador da Repassa; e, na quarta, Fernanda Caracciolo, diretora de gente e cultura da Raia Drogasil, e Fábio Sato, diretor de novos negócios da Vitalk.