Como se precaver da inadimplência?

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A alta da inadimplência das pessoas jurídicas em 9,4% na comparação com abril, apontada pelo Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas, revela uma tendência preocupante. Esta foi a maior alta constatada entre abril e maio desde 2006. Comparado a maio de 2011 a alta foi de 13,2%. Já o acumulo desde janeiro deste ano, comparado ao mesmo período do mês anterior foi de 17,5%, o que demonstra um quadro de avanço contínuo vicioso.  
Muitos motivos são apontados como impulsionadores da inadimplência, dentre eles a desaceleração da economia nacional como reflexo das crises externas, a diminuição da confiança do consumidor, e mesmo, diante das necessidades, o ato de priorizar alguns compromissos financeiros e retardar outros, tanto por parte dos consumidores, que acaba por desaguar na redução da liquidez das empresas e consequentemente no mesmo ato por parte das empresas, de priorizar certos compromissos, de acordo com Adriano Gomes, professor no curso de Administração da ESPM.
Outro processo que estimula a inadimplência é o fato de que, “diante do cenário econômico, os bancos começam a `puxar as linhas de crédito (possibilidade de descontos de recebíveis) e assim, não renovam as essas linhas ou reduzem seus limites anteriormente aprovados”, avalia Gomes.
Para as empresas driblarem a inadimplência é preciso desenvolver processos internos que assegurem a filtragem do crédito concedido. Para efeito, Gomes, recomenda criar internamente, o que o mercado financeiro chama de Rating – indicador de risco -. “A classificação de risco de crédito dos clientes possibilita à empresa uma postura mais madura e honesta ao praticar preços, condições comerciais, prazos, bônus, entre outros, de forma compatível com o perfil de cada cliente”, afirma. 
Ainda de acordo com o professor, quando não há essa separação, todos os clientes acabam por sofrer as mesmas condições, sem nenhuma diferenciação. “O bom pagador suporta a falta de metodologia e estrutura das empresas. Atualmente, os maus pagadores é que recebem maiores benefícios das empresas porque compram pelo mesmo preço e no mesmo prazo do que os pagam suas contas em dia”, salienta Gomes.
A implantação do rating interno, apoiado em análise profissional, não leva mais que três meses e, após esse período já é possível perceber a redução da inadimplência e colher os frutos advindos da melhor seleção dos contemplados com o crédito, evidencia. “Invista em conhecimento. Desenvolva essa tecnologia. O custo/beneficio é extremamente vantajoso. O que se gasta para desenvolver um sistema de rating é muito menor do que as perdas absurdas de créditos que as empresas vem obtendo em seus balanços”, recomenda e finaliza.