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Nova economia do trabalho desafia executivos para além da cultura CLT

ClienteSA News debate carreira fracionada, inflação de títulos e habilidades na era do trabalho por projetos 

A transição da economia do emprego para a economia do trabalho já deixou de ser tendência para se tornar cada vez mais realidade. E ela exige dos executivos muito mais do que um novo cargo. Nesse movimento, a chamada “Síndrome dos três Cs – Consultor, Coaching e Conselheiro” traz consigo riscos de banalização de títulos profissionais, mas evela também a necessidade urgente de adaptação à lógica do trabalho fracionado, por projetos e habilidades. Autoconhecimento, atualização contínua, liderança transformacional e capacidade de resolver problemas complexos despontam como ativos centrais dessa nova era. Essas e muitas outras reflexões fizeram parte da 63ª edição do ClienteSA News, realizada ontem (25), que reuniu os convidados Gustavo Di Risio, diretor geral da Merco no Brasil, e Mariangela Cifelli, fundadora e CEO da IN Digital, recebidos pelos cohosts Vilnor Grube, CEO da ClienteSA, Rodrigo Tavares, partner da IN Digital, e Wellington Paes, CEO do Conexão Customer.

Abrindo o bate-papo, Wellington já fez uma provocação aos convidados: “Se os profissionais não se prepararam para esse momento e não conseguirem voltar a ser CLT, podem afirmar que são consultores, coachings ou conselheiros de empresas, quando, na verdade, não passam de analistas que tiram dúvidas?” Primeira a responder, Mariangela contou um pouco da trajetória que a conduziu a criar a IN Digital e lidar com a economia do trabalho. “Sou uma entusiasta do conceito de carreira de portfólio, modelo de trabalho onde, em vez de focar em um único emprego formal, o profissional atua em múltiplas funções, projetos e contratos. Conheci ela há mais de uma década, quando era coaching e pivotei para mentora. Já estava nesse universo quando me deparei com livro da futurista Linda Gratton, ‘Viver 100 Anos – Vida e Trabalho na Era da Longevidade’, em que descreve o fim daquela sequência esperada para a vida de todo o trabalhador : estudar, trabalhar e aposentar aos 65 anos de idade.” E por que isso não é mais possível? Ela explicou que por conta da longevidade. “O ser humano tem que ser intelectualmente desafiado e complementar a sua renda, agora, até os 100 anos ou mais.” Segundo ela, isso se insere na nova economia do trabalho, com pessoas que, podendo se aposentar, querem ou precisam continuar contribuindo.

Na continuidade, Rodrigo aproveitou para abrir parênteses para lembrar que “empregos vão terminar nesta nova realidade, mas o trabalho jamais desaparecerá”, antes de passar a bola para Gustavo, que concordou com a colocação, ressaltando a cultura CLT criada no País e sua necessária revisão. Para ele, a chamada “Síndrome dos três Cs – Consultor, Coaching e Conselheiro” exemplifica perfeitamente como o mercado banaliza papéis profissionais quando não há clareza sobre suas funções. O executivo explicou que o consultor foi o primeiro a sofrer nesse processo. “Na economia do emprego, aquele que não era CLT, mas eventualmente um PJ ou part-time, era um consultor. Depois veio a onda de coaching, e agora vivemos a era dos conselheiros. O problema é que qualquer um pode se certificar como conselheiro em 45 dias, criando uma inflação de títulos sem substância. Essa banalização prejudica tanto quem busca se reposicionar, quanto as empresas que contratam, gerando frustração dupla quando expectativas não são atendidas.”

Retomando a palavra, Mariangela trouxe uma perspectiva diferente ao falar sobre a economia de talentos como serviço. Ela aponta que as empresas continuam tendo problemas complexos, mas precisam alterar a forma como alugam conhecimento. “Mudamos a maneira para resolver os problemas complexos. Por ciclos, por projetos, planos estratégicos, habilidade capaz de resolver aquele problema crítico.” Nos Estados Unidos, garante ela, 35% da força de trabalho já atua nesse modelo fracionado, conhecido como “fractional”. “Aqui no Brasil, esse movimento está apenas começando, mas a tendência é clara: profissionais precisam aprender a vender suas habilidades de forma modular, não mais sua disponibilidade integral.”

O autoconhecimento aflora como o primeiro passo crítico para quem deseja fazer essa transição com sucesso. No entender da executiva, “precisamos passar por um processo profundo e rápido de autoconhecimento, por meio do qual conseguimos responder que problemas somos capazes de resolver melhor que a média de mercado e o que a economia absorve nesse momento”. Muitos executivos saem do piloto automático apenas quando enfrentam uma demissão, o que é tarde demais. Wellington, então, reforçou a importância do timing. “Faça isso enquanto você está na ativa. Se for um executivo de uma empresa, prepare essa transição para que tenha o tempo de poder desenvolver ou identificar essas capacidades. A preparação prévia não é luxo, é necessidade.”

Por sua vez, Rodrigo trouxe um ponto crucial sobre a preparação mental. “Essa nova era busca profissionais que sejam agentes transformadores, não apenas entregadores de tarefas. As empresas não querem um guru de conhecimento que aponta problemas; querem alguém que lidera a mudança, que empodere o time e que não seja impactado pelas transformações, mas sim as conduza. Essa mentalidade de liderança transformacional é o diferencial real.” O debate prosseguiu acalorado, inclusive em meio a questões levantadas pelo público. O vídeo, na íntegra, está disponível no YouTube, no canal ClienteSA Play, compondo um acervo em cultura cliente que já passa de 4,2 mil vídeos.

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